xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 19/11/2015 | Blog do Crato
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VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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19 novembro 2015

Nova Olinda é destaque na grande imprensa brasileira


No Cariri turista dorme em casas locais e visita mestres populares

Matéria publicada na "Folha de S.Paulo", 19-11-2015.
O Cariri sempre foi uma terra de viajantes. Há pelo menos três séculos, vaqueiros levantavam poeira ao cruzar com seus rebanhos essa região, ao sul do Ceará, em viagens em direção ao litoral. Hoje, a nuvem de pó que sobe da terra batida acompanha os turistas, que visitam o lugar atraídos principalmente pela cultura popular e pelos costumes regionais, ainda muito parecidos com os da época em que boiadeiros e cangaceiros se embaralhavam pelo interior nordestino. O aboio que esses homens cantavam para os animais, seus gibões e chapéus de couro, bem como os rituais e tradições, seguem vivos, quase intactos, nos municípios das redondezas. Não apenas dentro de museus, mas sobretudo na figura dos antigos moradores. É o caso de Espedito Seleiro, 76, que atrai visitantes de todo o Brasil em busca dos artigos de couro que ele produz, como sandálias e mochilas –ofício que herdou da família.


Na conversa com quem é de fora, geralmente enquanto corta algum pedaço de tecido, ele conta que seu pai produzia selas para cavalo e, certo dia, recebeu a encomenda de fazer uma alpargata para Lampião. Quando recusou o pagamento pelo serviço, recebeu do rei do cangaço um punhal, que Espedito guarda até hoje em casa. Assim como as árvores de pequi na beira da estrada, histórias como essa brotam aos montes pelo lugar, saídas das bocas de rendeiras, poetas de cordel, repentistas, bonequeiras, rezadeiras, mestres do reisado e de outras manifestações de um Brasil que mais parece saído de um livro de Ariano Suassuna (1927-2014).
Esses mestres, como são chamados, hoje são verdadeiras atrações turísticas, muito por causa de um projeto de turismo comunitário criado na cidade de Nova Olinda, pela Fundação Casa Grande. Assim como outras iniciativas pontuais espalhadas pelo país, ele abre as portas da comunidade para quem vem de fora. A ONG, que oferece atividades e brincadeiras para crianças e jovens, encontrou no turismo uma maneira de gerar renda na região. Primeiro para os mestres, que recebem gratuitamente o visitante para conversar, mas vendem seus produtos, de folhetos de cordel a sandálias de couro e potes de doces. E também para a própria fundação, que criou uma agência de turismo.
Mas o dinheiro visa ajudar principalmente às famílias dos meninos e meninas que participam de atividades na Casa Grande, evitando que eles abandonem a fundação para começar a trabalhar e ajudar no orçamento da casa. Ao chegar à cidade, o turista é acomodado nas residências deles, em um dos 16 quartos criados em dez casas, todos equipados com televisão, ventilador, banheiro e estante de livros. Os demais cômodos são divididos entre o visitante e a família que o hospeda.
A diária, que custa R$ 70, dá direito a pensão completa –geralmente com arroz, feijão, carne, suco e rapadura, servidos à mesa da cozinha, onde todos sentam-se juntos. "A ideia é integrar o visitante à vida da região", diz Junior dos Santos, 23, que brincava na ONG quando era criança e hoje administra a agência de turismo comunitário. De Nova Olinda, visita-se Assaré (cidade do poeta Patativa), Exu (onde nasceu Luiz Gonzaga), Juazeiro do Norte (Terra do Padre Cícero, academia de cordel), Potengi (famosa pelo reisado), entre outros. Além disso, há trilhas pela Chapada do Araripe, cheia de rios e nascentes, onde caatinga e cerrado se misturam. Os preços variam de acordo com o roteiro, mas há opções a partir de R$ 70. A sensação de pegar a estrada, seguindo os passos dos antigos vaqueiros, entre uma cidade e outra, é a de se transformar no próprio sertanejo. É a de ficar perto de Deus e do diabo na terra do sol.


             

Peraí, solidão - Por: Emerson Monteiro

Todavia nada além de sofisticação das peças de reposição de gerações indiferentes ao processo mundial. Nos seus casulos imaginados, atormentados de tesão, o mais feroz dos bichos de cavernas, feiticeiros, arrastam consigo o chumbo das consciências culpadas na balança agoniada de trabalho e capital, onde perder é ganhar, e destruir é dominar o lado menos organizado das indústrias do aço e das armas.

Guerra das estrelas montada no quintal das vaidades sem lei, apenas trocam de camisa do primeiro ao segundo tempo da pugna. Apodrecidas estratégicas, pois, quando erram despejam detritos os corrosivos no lombo magoado das manadas anônimas, meros tapetes de limpar equívocos nas unhas e nos dentes dessas feras irresponsáveis em que transformaram a si mesmos.

Hábito no mínimo esquisito esse dos humanos querer sozinhos resolver para si os problemas coletivos, e juntar troços, arrecadar orçamentos, entupir de dúvidas e dívidas àqueles outros que lhes depositaram na função política de conduzir o barco amplo das multidões. Drama exótico da floresta escura, enfurecidos arquitetam passes traumáticos para armar o tabuleiro dos destinos, e avançam a remexer os vídeos games distante de que regem o seguimento da história de povos remotos desconhecidos, ou deles mal conhecidos. Fomentam ódio na propaganda que passam 24 horas dos meios e criam ideologias, inverdades com que enganam as massas dos demais outros países. Trabalham lá de fora os brinquedos explosivos, nos próximos lances quais vivessem de fazer filmes publicitários de vender tênis ou celulares, na maior cara lavada de parasitas da ordem alheia.

Às vezes, no entanto, se perde no pecado e o juízo tonto, que amortece a queda ao depositar nos lixões da demência o resto de sucata, e saem atirando ao léu, doendo ferindo eliminando vidas iguais a sua, tortos grosseiros dos aleijões da técnica dominante.

Há luzes acesa no céu da noite, e elas enchem de gosto puro o transcorrer da solidão agora fixada nos compassos de esperar a todo custo os seios dadivosos da melhor filosofia.

O homem cordial das ruas, conduz no esforço da sobrevivência os pacotes de feira de mãos dormentes, aguarda honesto o roteiro transparente das longas epopeias de sucesso, com finais felizes. Desfilam assim o anseio enorme de sorrir daquilo em que acredita, seja nos estádio, nos mares, nas novelas, nas manhãs ensolaradas do perdão generalizado em paz.


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