xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 14/11/2015 | Blog do Crato
.

VÍDEO - Estamos de volta com as transmissões da TV Chapada do Araripe ( E agora, com alguns programas ao vivo ). Serão vários programas abordando temas diversos, como a realidade da nossa região, do Ceará e do mundo; Programas científicos, atualidade, entrevistas, e transmissão de eventos ao vivo. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



Comunidade Cratense no Facebook - Mais de 25.000 seguidores. Clique em Curtir e adicione a sua Foto !

14 novembro 2015

Estado Islâmico reivindica ataques em Paris que mataram mais de 129



O grupo radical Estado Islâmico reivindicou neste sábado (14) a responsabilidade por ataques que mataram mais de 129 pessoas em Parise deixaram outras 352 pessoas feridas, 99 em estado grave. É o pior ataque à França na história recente.

Mesmo após o ato terrorista, a França vai continuar sua intervenção na Síria com o objetivo de atacar o Estado Islâmico, disse o primeiro-ministro do país, Manuel Valls. Valls também disse à rede de TV “TF1”, que o governo pretende estender o estado de emergência imposto em todo o país, dando mais recursos para as autoridades combaterem o que ele chamou de “um inimigo muito bem organizado”. O procurador de Paris, François Molins, disse que os atentados foram realizados aparentemente por 3 equipes de extremistas. "Nós podemos dizer nesta fase da investigação que provavelmente havia 3 equipes coordenadas de terroristas por trás deste ato bárbaro ", falou Molins em entrevista coletiva. Em comunicado, o governo dos Estados Unidos disse que não há informações que possam contradizer a avaliação inicial do governo francês de que o Estado Islâmico estava por trás dos ataques em Paris.

Estado Islâmico assume atentado

Em uma declaração oficial, o grupo Estado Islâmico disse que seus combatentes presos a cintos com explosivos e carregando metralhadoras realizaram os ataques em vários locais no centro da capital francesa que foram cuidadosamente estudados. Na noite desta sexta-feira, tiroteios e explosões ocorreram em uma casa de shows, em um restaurante, em um bar e em outros três locais. Entre os feridos, estão dois brasileiros que, segundo a cônsul-geral do Brasil na França, Maria Edileuza Fontenele Reis, passam bem. De acordo com o governo francês, oito terroristas morreram.
Em comunicado, o grupo radical Estado Islâmico disse que os ataques foram cuidadosamente planejados. "Oito irmãos com explosivos na cintura e fuzis fizeram vítimas em lugares escolhidos previamente e que foram escolhidos minunciosamente no coração de Paris, no estádio da França, na hora do jogo dos dois países França e Alemanha, que eram assistidos pelo imbecil François Hollande, o Bataclan onde se estavam reunidos centenas de idolatras em uma festa de perversidade assim como outros alvos no 10º arrondissement e isso tudo simultaneamente. Paris tremou sob seus pés e as ruas se tornaram estreitas para eles. O resultado é de no mínimo 200 mortos e muitos mais feridos. A gloria e mérito pertencem a Alá”, diz o comunicado.

O comunicado do grupo afirma ainda que a França e os que seguem o seu caminho devem saber que eles são os principais alvos do Estado Islâmico e que continuarão a "sentir o odor da morte por ter colocado a cabeça na cruzada, ter ousado insultar nosso profeta, se vangloriar de combater o islamismo na França e atingir os muçulmanos na terra do califa com seus aviões". "Esse ataque é só o começo da tempestade e um alerta para aqueles que quiserem meditar e tirar lições.” O jornal “Le Monde” diz que uma fonte judicial especificou onde aconteceram as mortes desta sexta, em um balanço provisório: uma pessoa morreu no boulevard Voltaire; 19 morreram e 14 ficaram feridas em frente ao bar La Belle Equipe, na Rue de Charonne; 78 ou 79 pessoas morreram no Bataclan (entre elas três ou quatro terroristas); cinco pessoas morreram e oito ficaram feridas na Rue de la Fontaine au Roi; de 12 a 14 morreram e dez ficaram feridas no bar Carillon, na Rue Allibert; e dois homens morreram nas explosões próximas ao Stade de France, ambos suicidas que provocaram as detonações.

A polícia invadiu a casa de shows Bataclan às 21h40 (horário de Brasília), após relatos de que pessoas estariam sendo executadas. Dois terroristas foram mortos na ação. Dez minutos antes da invasão, a Reuters afirmava que haviam sido ouvidas cinco explosões perto do local. Por volta da 1h30 (22h30, em Brasília), o presidente francês François Hollande chegou ao local, onde permaneceu por cerca de meia hora. “Há muitos feridos, feridos graves, feridos chocados com o que viram”, disse o presidente, naquele momento, ao justificar porque quis ir ao local.

“Quando os terroristas estão dispostos a cometer tais atrocidades, eles devem saber que irão encarar uma França determinada”, acrescentou. “Iremos conduzir a luta (contra os terroristas), e ela será implacável”, garantiu. A casa fica no boulevard Voltaire, no 11º arrondissement, tem capacidade para 1.500 pessoas e era palco de um show da banda Eagles of the Death Metal. A banda, que na hora do início do ataque terminava o show no palco do Bataclan, escapou do palco pelos bastidores e está a salvo, segundo afirmou o irmão de um dos membros, Michael Dorio. O irmão dele, Julian Dorio, é o baterista do grupo. Em entrevista à CNN, Michael disse que os músicos chegaram a ver os atiradores, mas encerraram o show quando notaram o ataque e fugiram. “Quando eles ouviram os tiros eles apenas correram para o backstage. Ele me disse que viu os atiradores, mas não ficou por ali”, explicou Dorio.

Fonte: G1



A sêca de 1915 perdura até os dias de hoje - Por: Valdemir Correia de Souza


Prezados leitores do Blog do Crato,

Estou lendo agora o livro "o quinze", escrito por Rachael de Queiroz, que relata todo o sofrimento dos nordestinos para enfrentar a seca do ano de 1915, portanto, cem anos atrás. 

Conta a história do vaqueiro Chico Bento, que saiu de Quixadá para Fortaleza com a mulher e os filhos, uma distancia de 150 kms, a pé. Levava para comer na viagem uns pedaços de carne seca com farinha que logo acabou. um morreu de fome, foi enterrado na beira da estrada, e eles seguiram andando. logo após. outro enlouqueceu e desapareceu. e o sofrimento cada vez vai aumentando. então fazendo uma reflexão. Vejo que a coisa hoje ainda não é muito diferente. só não está como era em 1.915, porque hoje existem transportes, com fácil locomoção, tem as bolsas famílias etc, mas no contexto, o sofrimento do nordestino está do mesmo jeito.

Quero aqui citar um caso. Saí de petrolina para São Raimundo Nonato. no Piaui, há cerca de 10 anos atrás, uma viagem de 340 kms, onde existem trechos com 70,  80 km, em que não  existe uma casa sequer. saí de Petrolina, logo após entrar na Bahia, e depois 4 horas chega no Piauí. Então, uma velhinha, acompanhada com uma menina, pede carona. Paro o carro, e pergunto para onde vai. "Vamos para são raimundo". Mandei entrarem. a velhinha trazia nas maõs uma cesta e um couro de bode enrolado de baixo do braço. Que vão fazer em São Raimundo, perguntei. seu moço, e o seguinte,  esta menina é minha neta. Ela está completando 10 anos, e o sonho dela era comprar uma boneca. Este couro de bode, é o seguinte; Nós somos muito pobres. O pai dela foi embora para São Paulo, e ela veio morar comigo. Eu tenho uma pequena criação de bodes, e todo mês mato um. Uma banda, eu salgo para a gente comer durante o mês, e a outra, eu vendo para comprar os mantimentos: Arroz, Feijão, Farinha. Sal, etc o couro eu vendo por R$ 10,00, para comprar algum remédio, mas este eu guardei para comprar a boneca dela. Eu fiquei desde cedo pedindo transporte, mas ninguém me levou, porque se eu fosse pagar as passagens era R$ 10.00, aí não podia comprar a boneca". Aí eu não aguentei, parei o carro, enxuguei as lagrimas, e seguimos para São Raimundo. 

Lá chegando, levei-as para uma lanchonete, fizemos uma refeição, e então fomos a uma casa de brinquedos, onde comprei uma boneca, e logo em seguida, fomos na feira, e comprei um vestido. Ao lado a velhinha foi entregar o couro, e disse: "pronto, agora vamos voltar, pois já tenho o dinheiro das passagens. eu vi que as sandálias da menina estavam muito surradas, e comprei um par. A alegria era contagiante, a menina pegada com a boneca, chorava de  alegria. Peguei as duas, fui à rodoviária, comprei as duas passagens, 10,00... me despedi, e segui viagem pela serra da capivara, com destino à cidade de Canto do Buríti. Nunca mais as vi, mas sempre que me lembro do episódio, os olhos lacrimejam, e ao passar pelas centenas de casas abandonadas na beira das estradas, com o sertão completamente desabitado, vejo que ainda teremos muitos quinzes por ai.

Por: Valdemir Correia de Souza
Crato, 14 de novembro de 2015
www.blogdocrato.com






Segredo e Revelações da História do Brasil por Laurentino Gomes (*)

Adelaide, a  gaúcha responsável pela Proclamação da República
Nesta foto de 1923 a Baronesa de Triunfo, já idosa, aparece cercada de oficiais do Exército, influindo o general Euclides Figueiredo, pai do também general João Batista Figueiredo, último presidente do regime militar iniciado em 1964
No meu novo livro, "1889", procuro jogar luzes sobre uma personagem relativamente desconhecida na história republicana brasileira. Trata-se da gaúcha Maria Adelaide Andrade Neves Meireles, a Baronesa de Triunfo, pivô de um caso de amor e ciúmes envolvendo o marechal alagoano Manoel Deodoro da Fonseca e o senador liberal Gaspar da Silveira Martins. Em 1883, quando era presidente da Província do Rio Grande do Sul, Deodoro perdeu para Silveira Martins a disputa pelo coração da baronesa que, segundo testemunhas da época, seria uma viúva bonita, quarentona e fazendeira na região de Rio Pardo. Desse episódio surgiu uma rivalidade que teria desdobramentos na Proclamação da República.
Como explico no livro 1889, em momento algum do dia 15 de Novembro de 1889 Deodoro proclamou a república. Apenas liderou o golpe militar que derrubou o gabinete do Visconde de Ouro Preto, acusado pelo marechal de perseguir o exército e seus oficiais. Deodoro só mudou de posição e concordou com a troca de regime na madrugada do dia 16 ao saber que o imperador Pedro II chamara para compor um novo ministério o seu rival Gaspar da Silveira Martins. A república teria em Maria Adelaide, portanto, uma madrinha secreta, que existência raramente aparece nos livros da História oficial.
Desse episódio, restam algumas perguntas:
1) Por que a história de Maria Adelaide é hoje tão pouco conhecida?
Acredito que a ninguém nunca interessou muito a divulgação dessa história porque ela em nada contribuía para a formação de uma mitologia militar e republicana que se desenvolveu nos anos que se seguiram à Proclamação da República. Depois do Quinze de Novembro, Maria Adelaide se tornou uma espécie de protetora dos veteranos militares gaúchos que participaram da troca de regime. Recentemente recebi do coronel e pesquisador gaúcho Luiz Ernani Caminha Giorgis, presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil/Rio Grande do Sul, uma foto de 1923, na qual Maria Adelaide, já idosa, aparece cercada de oficiais. Entre eles estava o então capitão Euclides Figueiredo, futuro general e pai do também general João Batista Figueiredo, o último presidente do regime militar de 64. Euclides era assessor do general Setembrino de Carvalho, então ministro da Guerra, que também aparece na foto junto com o general Eurico de Andrade Neves, filho Maria Adelaide. Esses homens, obviamente, não tinham qualquer interesse em incluir na história republicana um episódio de amor e ciúmes envolvendo a madrinha deles, o marechal Deodoro da Fonseca e seu rival senador Gaspar da Silveira Martins. Por conveniência, Maria Adelaide foi, portanto, relegada às sombras da história oficial da República.
2) Quem era, de fato, a Baronesa de Triunfo?
R – Maria Adelaide era filha do general Andrade Neves, herói da Guerra do Paraguai que, em razão dos bons serviços prestados ao Exército brasileiro, recebera do imperador Pedro II o título de Barão de Triunfo. No Segundo Reinado, os títulos de nobreza não eram hereditários, portanto Maria Adelaide, embora fosse filha de barão, não era baronesa. Ainda assim ficou conhecida como Baronesa de Triunfo. Além de bonita, era inteligente e líder política da região. Tinha bom relacionamento com os  jovens estudantes da Escola Militar de Rio Pardo, um dos focos da propaganda republicana e localizada diante de sua casa, o que lhe teria valido o título de “mãe dos soldados”.
3) O que se sabe sobre a relação dela com o Marechal Deodoro da Fonseca?
R – Muito pouco. As fontes que eu li fazem referências muito sumárias à atração exercida por Maria Adelaide sobre o marechal alagoano que, por sinal, naquela altura já era um homem bem casado. Deodoro casara-se em Cuiabá, em 1860, com Mariana Cecília de Sousa Meireles, órfã de um capitão do exército e um ano mais velha do que ele. O casal nunca teve filhos.
4) E quanto à relação dela com o senador Gaspar Silveira Martins? Existe comprovação documental disso?
R – Nesse caso, os detalhes são um pouco maiores, mas ainda assim obscuros. Silveira Martins era um homem charmoso e intelectual que, entre outras coisas, recitava de cabeça poemas de Shakespeare em inglês. Era também chamado de “O rei do Rio Grande do Sul” na corte do Rio de Janeiro devido a sua enorme influência na política regional. Sua relação com Maria Adelaide teria começado depois de um acidente a cavalo próximo à fazenda dos Andrade Neves. O senador teria saído do animal e quebrado uma perna. Em seguida, teria ficado um mês sob os cuidados de Maria Adelaide, período em que o romance entre os dois teria se iniciado. Segundo a publicação Rio Pardo 200 Anos, depois de recuperado ao acidente, Silveira Martins viajava de trem de Porto Alegre a Rio Pardo, sob disfarce,  para se encontrar com a viúva. Ainda conforme essa publicação, costumavam passear por uma fonte que, em razão disso, até hoje é conhecida como Fonte da Baronesa.
5) O quanto decisiva essa história de amor e ciúmes teria sido na Proclamação da República?
R – Com base nos livros que li durante a pesquisa, pude perceber que o suposto romance com Maria Adelaide foi um fator apenas secundário na troca de regime. Deodoro da Fonseca e Silveira Martins eram, na verdade, inimigos irreconciliáveis na política gaúcha. No final de 1888, Deodoro estava em Mato Grosso, praticamente desterrado pelo governo imperial, que o queria longe do Rio de Janeiro, quando recebeu a notícia de que Silveira Martins acabara de ser nomeado para a presidência da província do Rio Grande do Sul. Foi a gota d’água em um pote que já transbordava de mágoa. Irritado com o que julgava ser uma afronta direta aos seus brios pessoais, o marechal abandonou o posto mato-grossense sem antes pedir autorização e tomou um navio de volta para o Rio de Janeiro, onde proclamaria a república na madrugada de 16 de novembro de 1889 ao saber que o imperador Pedro II chamara o mesmo Silveira Martins para compor um novo ministério no lugar do Visconde de Ouro Preto.
Em resumo, a Baronesa de Triunfo é um personagem importante para entender os movimentos de Deodoro da Fonseca em novembro de 1889, mas seria um erro atribuir a ela o papel principal nos acontecimentos que levaram à queda da monarquia e à proclamação da república no Brasil. Ela é apenas detalhe pitoresco e instigante no panorama em que se desenrolou esse grande acontecimento da História do Brasil.
(*) Laurentino Gomes, jornalista e historiador.

Emoções já reveladas - Por: Emerson Monteiro

Quantas vezes dizer das imensas possibilidades guardadas lá longe no infinito coração da gente, quantas?! E essa insistência em destruir a paz limitada nas situações exteriores, machucar pessoas, ferir de dor famílias e animais, sádicos e masoquistas a lutar na busca de poder imaginário fictício, compreensão que existiria através dos instrumentos que eles mesmos destroem. Onde mora, pois, a vontade boa de ver com olhos de amabilidades, onde?! 

Renovar o gosto de sorrir das crianças, trazer de novo o sabor inesgotável das frutas boas dentro da alma da gente. Viver os instantes da alegria como razão principal de existir... Apreciar o tempo nas paisagens do dia, o vento a circular as florestas e seus passarinhos em festa a cantar a intimidade dos sonhos. Permitir que a vida fosse um filme bom do começo ao fim, do fim ao começo. Preencher de laços os dragões das lanças nas armas da tranquilidade. Alimentar os bichos de confiança que nasça dos ombros fortes das criaturas humanas. Tratar outros assim do jeito que se pretender que os outros tratem a todos indiscriminadamente.

Dar chance ao direito universal do respeito coletivo às pessoas qual atitude natural das religiões. Deixar que as flores iluminassem o passo dos líderes por meio da compreensão dos problemas e elaboração das melhores soluções comunitárias. Elaborar o parto de uma civilização transformada nas roupas dos dias que desmancham as doces oportunidades. Abraçar o bom senso nas fibras das decisões administrativas e nos gastos orçamentários sem segundas intenções ou espúrias ganâncias.

Bom, o projeto existe no território ideal dos místicos, no entanto reservado a grupos isolados, jogados fora dos lances matemáticos das razões interesseiras, nas garras do esquecimento. Acho até que todos já sabem, porém fogem com fome de sangue, feras perigosas presas dos objetos materiais e tesouros artificiais. 

Da ausência da cura padecem ainda os seres humanos. Andarão vagando bêbados de angústia enquanto desconheçam o poder exponencial do sentimento e da humildade, início da reconstrução dos perdidos movimentos, e viverão de verdade só nas próximas gerações tamanhas felicidades?!... 

Coisas da República: Correios ‘estão na UTI’ e terão prejuízo de R$ 900 milhões, diz novo presidente


Fonte: O Estado de S.Paulo
Giovanni Queiroz, que assumiu o cargo esta semana, compara a estatal a um paciente em coma, critica a qualidade dos serviços prestados pela empresa, reclama que o governo represou o preço das tarifas por dois anos e pede reajustes
BRASÍLIA - O novo presidente dos Correios, Giovanni Queiroz, estima um rombo de mais de R$ 900 milhões nas contas em 2015. Será a primeira vez em 20 anos que a empresa fechará o balanço no vermelho.
Dois dias após assumir o cargo, Queiroz disse ao Estado que os Correios estão na UTI. “A situação é de emergência. Não adianta jogar para debaixo da mesa”, afirmou. “Já operei em condições precaríssimas e salvei algumas vidas com o seguinte ensinamento: o paciente chegou em coma, você não tem que pensar em anestesia. Abre a barriga dele, grampeia o polo de sangramento, e depois você cuida do resto, senão ele morre”, disse Queiroz, que é médico.
Será a primeira vez em 20 anos que os Correios fecharão o balanço no prejuizo (foto ilustrativa: Agência dos Correios em Crato, construída na ditadura de Getúlio Vargas, em 1930, há 85 anos)
Ele não evitou críticas ao governo, responsável por represar por dois anos o preço das tarifas. Em 2014, houve reajuste de 7%, que não compensou a inflação. “Precisamos emergencialmente aumentar essas tarifas. Você não pode ficar tanto tempo defasado. É a mesma estratégia que o governo usou com a Petrobrás, com a energia. Hoje, estamos pagando a conta do passado.”
Em 2014, para o balanço fechar azul, os Correios reverteram uma parte da provisão feita há seis anos, no valor de R$ 1,086 bilhão, reserva para cobrir déficits do Postalis, o fundo de pensão dos funcionários da estatal. Assim, a empresa terminou 2014 com lucro de R$ 9,9 milhões, o menor da história.

Na VEJA desta semana: O plano Temer (para assumir a Presidência da República após o impeachment de Dilma)

Vésperas do feriado da "Proclamação da República", o vice-presidente se prepara para a cada vez mais presente eventualidade de a titular ser afastada do poder. Ele conversa com políticos, juristas e empresários. Tem um plano para si e para o Brasil pós-Dilma. Não vê conspiração, mas cautela

NO PALÁCIO - Temer: parecer jurídico para separar as contas do PT das do PMDB, propostas para tirar a economia da UTI e conversas reservadas com o PIB(Ueslei Marcelino/Reuters)

"Vá buscar o funcionário a quem compete me substituir." Essa foi a ordem de Deodoro da Fonseca, o primeiro presidente da República, em 1891, mandando avisar a seu vice e desafeto, Floriano Peixoto, que o cargo estava vago. Desde o nascimento da República, em momentos de impasse, vices se ergueram do segundo plano para assumir o poder. Em 1909, Nilo Peçanha assumiu depois da morte do presidente Affonso Penna. Delfim Moreira, oitavo vice-presidente, tornou-¬se o terceiro a assumir a Presidência, pelo falecimento de Rodrigues Alves, vítima da gripe espanhola. Café Filho, pela morte de Getúlio Vargas, a caminho do impeachment. Jango, pela renúncia de Jânio Quadros. A Junta Militar, pela doença do general Costa e Silva. José Sarney, pela morte de Tancredo Neves, e Itamar Franco, pelo impeachment de Fernando Collor.
Agora, Michel Temer, pelo sim, pelo não, decidiu se preparar para a possibilidade, cada dia mais real, de Dilma Rousseff ser afastada do poder. Em trinta anos de carreira política, Temer se portou sempre com discrição, evitou polêmicas e mediu cuidadosamente cada palavra dita, a fim de se equilibrar entre interesses diversos e muitas vezes contraditórios. Aos olhos do público, tornou-se o retrato do político sem sal. Nos bastidores, no entanto, consolidou-se como um especialista na arte de trabalhar em silêncio, costurar acordos de coxia e escalar degraus na hierarquia do poder. Mesmo sem despertar paixões, Temer conquistou três vezes a presidência da Câmara dos Deputados e elegeu-se duas vezes vice-presidente da República. Mesmo sem brilhar nas urnas, prepara-se agora para o maior desafio de sua trajetória. Temer e caciques do PMDB, partido que ele preside, estão certos de que Dilma Rousseff será cassada no começo do próximo ano. Em vez de ajudá-la, querem substituí-la. E o plano, ousado, vai muito além da simples intenção. Eles já têm em mãos uma tese jurídica para garantir a posse do vice, uma proposta destinada a tirar a economia da UTI e até alianças fechadas no Congresso.
A presidente Dilma Rousseff, como se sabe, enfrenta um momento inédito de fragilidade. Não tem apoio popular nem parlamentar, lida com um cenário de recessão e inflação e está ameaçada pela possibilidade de abertura do processo de impeachment. Além disso, corre o risco de ter o mandato cassado pela Justiça Eleitoral, caso seja acolhida a denúncia de que abusou de poder político e econômico, incluindo dinheiro sujo do petrolão, para se reeleger. É justamente na frente aberta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que Temer e o PMDB apostam para assumir o governo. As ações na corte têm a chapa Dilma e Temer como alvo. A estratégia do peemedebista é separar a análise das contas de campanha da presidente da análise das contas de campanha do vice. A meta é imputar os crimes cometidos apenas à mandatária, excluindo o vice de eventual punição, o que lhe daria o direito de ascender ao cargo de presidente. Especialista em direito constitucional, Temer elaborou de próprio punho um parecer preliminar que, em sua avaliação, permite ao TSE desvincular as duas contas. O texto já foi apresentado a ministros de tribunais superiores, juristas renomados e especialistas em direito eleitoral. A receptividade animou Temer.
Com reportagem de Hugo Marques
             

Edições Anteriores:

Setembro ( 2017 ):

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30