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VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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08 novembro 2015

Coisas da República: Dilma custa ao Brasil o dobro que a Família Real da Inglaterra custa aos seus súditos


 A Rainha da Cocada Preta
  
Fonte: Jornal "O Globo"
Brasília (DF) – Apesar de ter prometido aos brasileiros reduzir o seu salário, do vice-presidente da República e de 31 ministros a partir de novembro, a economia que a presidente Dilma Rousseff espera obter é mínima, comparada aos gastos crescentes da estrutura do governo. Segundo reportagem publicada  pelo jornal O Globo, Dilma já custa aos brasileiros praticamente o dobro do que a rainha Elizabeth II e a família real britânica custam para os seus súditos.
De acordo com a publicação, a monarquia britânica consumiu, em 2014, o equivalente a R$ 196,3 milhões, segundo relatório anual da Casa Real. Somente os gastos com os palácios em Brasília e as viagens da presidente somaram R$ 390,3 milhões no ano passado, segundo dados do Portal da Transparência. Na última década, a Presidência da República se tornou um agrupamento de dezenas de organismos, fundos e secretarias extraordinárias. O gasto da inchada estrutura foi de R$ 9,3 bilhões no ano passado – 210% a mais que em 2005. As despesas do núcleo administrativo diretamente vinculado à Dilma foram de R$ 747,6 milhões.

Para o deputado federal Daniel Coelho (PSDB-PE), o aumento dos gastos públicos promovido pela gestão petista desde o início de sua administração contribui para “uma crise econômica e política sem precedentes”. “O governo tenta aumentar impostos, sacrificar direitos trabalhistas, mas não diminui seu custeio. É inadmissível, principalmente em um momento como esse, que o governo continue achando que para suas contas o Estado, ou o dinheiro público, é infinito, quando não é. Esse é mais um motivo de revolta para a população brasileira, principalmente no momento onde o governo pede sacrifícios a toda a população e não faz o mínimo sacrifício, não demonstra bom senso”, afirmou.

             

Grandes poetas de Crato

Um certo Padre Gomes (texto completo da poesia de Everardo Norões)
Dez horas da manhã.
Na sala de aula, duas altas janelas cortam
o claro dos céus em pedaços.
O professor profere a chamada.
O verbo é ‘proferir’; ele nunca chama: ordena.
Ele é padre, mas nada tem a ver com seus pares.
Basta ver o corte da batina, a faixa à cintura
que mais parece um obi de samurai.
Postura de quem está sempre à espreita,
aguarda o ataque.
Pronuncia os nomes, não os repete; olha a cara de cada um,
baixa a vista para o livro de anotações, escreve.
O que contam esses registros?
Depois, se não aprova o nominado,
ele o dispensa antes do início da classe.

(Comenta-se que presa à faixa não há uma katana,
o sabre japonês, mas um Smith&Wesson .38 duplo.
Única concessão que faz ao império do Tio Sam.)

Assim fala a fotografia:
cinzento é o ginásio na sua arquitetura cansativamente simétrica,
corredores de piso de mosaico, campainha para retinir recreios,
sanitários malcheirosos a lançarem seus eflúvios
sobre o amplo pátio.
O pátio:
um quadrado de terra vermelha,
onde nenhuma grama cresce, como no chão de Átila.
Às 5h30 da manhã, e durante uma hora a fio,
os alunos, na aula de educação física, aqui são tratados
como cabos de guerra pelo sargento do Tiro.
A cor da argila designa o bairro do Barro Vermelho,
lugar onde foi fuzilado Pinto Madeira, pertinho daqui.
Ainda se busca a mancha de sangue, o buraco da bala,
o sopro da última palavra.
Inútil:
tudo aqui foi destruído:
a rua de azulejos portugueses,
a calçada dos morféticos,
o piano que ressoava na rua
as lembranças de Branca Bilhar.

(A cidade conspurca com crueldade seus espectros.)

Ao lado do retângulo vermelho, a dita sala, igual a vinte outras,
com seus trinta alunos sentados em carteiras de madeira de lei.
Numa delas, as duas iniciais de um nome;
em outra, um signo-salomão, uma meia-lua ou um ferro de gado.
Nada de sugestões pornográficas ou insinuações subversivas.
Ninguém se iluda:
neste reduto da diocese não apenas se aprendem
as matérias do currículo:
aqui também se é iniciado no exercício da delação.

A aula começa.
O professor comenta a diferença entre os homens do interior
e os que ficaram pelos litorais,
a arranharem a terra como caranguejos,
dixit Frei Vicente do Salvador, ou Vicente Rodrigues Palha,
nome laico do jesuíta baiano que descreveu a vida na Colônia.
A linha de pensamento do mestre se insinua
pelos meandros do rio São Francisco.
É regida pelas observações do mais brilhante historiador
de seu tempo, Capistrano de Abreu, ateu e, para seu desgosto,
pai de uma freira que se refugiou no claustro
e fez voto de silêncio.

O curso do pensamento do professor acompanha
o do Grande Rio, desemboca no Riacho da Brígida.
Busca um Ulisses,
entre preadores de índios da Missão do Miranda, ex-Itaytera.
Um Ulisses capaz de conservar engastado o rochedo
sob os pés da Virgem da Penha,
para impedir que a Serpente não o rompa
e sejamos arrastados pela Grande Água.
Na brecha dos mitos, ele, o padre, professor, pesquisador,
vasculha nomes carreados de Sergipe, Pernambuco, Bahia,
catapultados pela Casa da Torre,
perdidos nos brejos, ribanceiras, serranias.
Onde estará nossa Ítaca?

(Como discernir na partitura do tempo o que se tornou usura da história?
Todo texto é ficção, dizem.
Nenhuma sessão da memória se repete com a fidelidade do cinema.
Apenas o cenário pode permanecer imutável.
Remontagens arqueológicas sedimentam nossos delírios e
as ruínas refeitas guardam detritos que suscitam apontamentos bizarros,
registros em cadernos esquecidos.
Pois a história, escreve José Honório Rodrigues, “não é só fato:
é também emoção, o sentimento, o pensamento dos que viveram
– a parte mais difícil dos negócios humanos”.)

Voltemos ao Padre, seu outro lado,
seu silêncio martirizado no quarto de estudos,
onde dormir é privilégio.
Aí doma seus fantasmas, suas letras.
Não tem com quem conversar, aprofundar argumentos,
buscar o verme que contamina o miolo de seu fruto,
o fruto vermelho da História.
Busca nos alfarrábios, cruza garatujas de batistérios.
E sempre Nascimento e Morte de permeio,
desmontados em árvores desenhadas em páginas coladas,
para chegar ao mais idiota descendente
de um coronel qualquer da Guarda Nacional.

O Álbvm do Seminário do Crato, de 1925
– álbvm com ‘v’, para imitar o latim da Santa Igreja –,
registra o aluno na página 202; o clérigo, na 207.
A fotografia da página 189, carcomida pela traça, revela:
batina, barrete, mas sem a capa romana
que o acompanharia durante tantos anos,
tremulante e negra sob o sol dos Cariris.
Pois assim reza o artigo 12
do capítulo III do Regulamento do Seminário Maior:
“Uma modéstia sem afetação e um porte digno
resaltem do seu todo, mormente nos actos religiosos
e quando estiverem recebendo instrucção” (sic).

É necessário lupa para recompor feições e formas.
Segundo da segunda fila, da direita para a esquerda.
A cabeça encoberta inclinada à direita;
deixa-se ver o relógio de algibeira,
quem sabe um Patek Philippe.
O rosto é magro; o nariz, aquilino, mouro;
as orelhas não se deixam passar despercebidas.
Não mira a objetiva do fotógrafo.
É uma visão para o largo,
um ar que o distingue da bonomia do grupo.
Tem um ar triste, inquieto.
Escreverá mais tarde:

“A zona é percorrida por rios secos e serranias de altura medíocre,
de platôs e faldas férteis, abrindo-se em depressões
vulgarmente conhecidas por boqueirões.
Florestas e serras de altura de mil metros, mais ou menos,
e as margens de rios, águas em lagoas, olhos d’água e cacimbas,
barreiros salgados, forragens substanciosas,
campos mimosos e agrestes ao lado de catingas,
carrascais e ilhas de cacto,
eis outra face da fisionomia natural da terra,
tudo conforme acentuou Capistrano de Abreu”.

Sempre Capistrano, o grande Mestre.
E, já assimilada, a leitura de Euclides.

Um homem sozinho atravessa a cidade:
batina negra, capa romana, faixa à cintura.
Segue o trajeto que vai da igreja da Sé ao Ginásio.
Quantas vezes terá feito esse percurso?
Saúda Tandô, sentado no meio-fio da praça.
“Em que pensa esse padre, com jeito de homem”,
se pergunta o anão?
Aqui tudo é vigiado.
A cada janela há um olho à espreita.
O padre caminha sem prestar atenção a quem passa,
nem atentar para quem se furta por detrás das gelosias.
Anda rápido para dar tempo à chamada do refeitório e,
logo depois, recomeçar reflexões e leituras.
Abrirá a porta de vidro da estante de cedro
com a chave escondida dentro do sapato, enrolada na meia.
Lembrança do regulamento, de quando era regente:
“Só poderão fazer leituras extra-programma mediante prévia
autorização do Padre Prefeito” (sic).
(As duas maiúsculas encerram o assunto.)

Equivoca-se quem pensa que sua busca tem como finalidade
cruzar ramos de famílias, desvendar mancebias,
revestir de letras de nobreza alguns filhos da terra.
Sua história tem dupla leitura:
de um lado, parece agradar a quem procura na veia
mínima gota de sangue caramuru.
Mas a outra vertente é a que mais lhe importa:
seguir os rastros do autor
de Caminhos do povoamento,
contrapor aos heróis oficiais de guerras subalternas
a saga dos anônimos.
Ou seja: catar os detritos da história,
cônscio de que o passado nunca fica para trás:
continua a vicejar entre os vivos,
como as bactérias nos corpos em putrefação.

Em 9 de janeiro de 1941, Padre Gomes,
nos Cariris, longe de tudo, ensina, pesquisa, escreve,
elabora e medita, sozinho.
Nesse mesmo dia,
sob a França ocupada e 5 dias
após a morte de Henri Bergson,
Paul Valéry pronuncia na Academia Francesa
o belíssimo elogio fúnebre ao filósofo,
de uma simplicidade que surpreende quem está familiarizado
com a escrita carregada de erudição e de refinamento do poeta.
Diz da alta figura de homem pensante que foi Bergson,
talvez um dos últimos, segundo Valéry, que teriam exclusivamente
e profundamente pensado, num mundo
em que se pensa cada vez menos:
“enquanto a miséria, as angústias, as limitações de toda espécie
deprimem ou desencorajam os empreendimentos do espírito”.
Observações sobre um homem pensante:
aplicam-se perfeitamente ao padre de Brejo Santo.

Passa o Padre Gomes e Tandô, o anão, se pergunta:
“Em que diabo está pensando esse homem?”
Somente hoje é possível compreender
o porquê daqueles passos apressados,
daquela inquietação permanente,
de sua genialidade e equívocos.

A fotografia:
não é mais necessário lupa para recompor as feições.
Não mira a objetiva do fotógrafo.
É uma visão para o largo,
um ar que o distingue do resto.
Tem um ar triste, inquieto.
Pensa num mundo mais largo, sem cadeias,
distante do jugo das genealogias,
longe de um sol que é o mesmo sol de todos os dias,
segundo Machado de Assis,
onde nada existe que seja novo,
onde tudo cansa, tudo exaure...

Samarone Lima: Um cratense se destaca na literatura brasileira


Samarone Lima nasceu no Crato-CE, em 1969. Muda-se para o Recife em 1987, onde se forma em jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco. Como jornalista, trabalha nos jornais Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio, na revista Veja e na revista pornô Brazil, escrevendo relatos eróticos. Em 1998, publica seu primeiro livro – Zé: José Carlos Novais da Mata Machado, uma reportagem pela editora Mazza. Em setembro de 2000, conclui o mestrado no Programa de Integração da América Latina, da USP, onde desenvolveu a pesquisa que deu origem ao livro Clamor: a vitória de uma conspiração brasileira, publicado em 2003 pela Objetiva. 
Na sua volta ao Recife, Samarone trabalhou como professor da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e foi sócio de dois bares o La Prensa e o Garrafus. Passou a escrever crônicas no site APonte e, com o fim da página, migrou para o portal JC OnLine (hoje NE10) e hoje se mantém no site Estuário. Esse material, produzido entre 2004 e 2005, deu origem a coletânea Estuário: crônicas do Recife, que foi lançada na Bienal do Livro de Pernambuco em 2005 e depois ganhou 2ª edição pela Bagaço em 2006.
 Em 2009, após uma viagem a Cuba, Samarone publica o livro Viagem ao crepúsculo, onde narra sua experiência na ilha de Fidel Castro. O livro foi um dos finalistas do Prêmio Jabuti na categoria reportagem. Em 2005 passa a publicar seus poemas no blog Quemerospoemas. Após o incentivo de Arsênio Meira de Vasconcellos Junior, decide publicá-los em livro. 
Desse material, surgem os livros Tempo de Vidro e A praça azul, publicados numa caixa única pela editora Paés em 2012. Com eles, Samarone foi um dos finalistas do Prêmio Jabuti na categoria poesia. No ano seguinte, o autor publica um novo volume de poemas: O aquário desenterrado pela Confraria do Vento, que foi o 2º colocado do Prêmio Brasília de Literatura.

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Viva Tércia Montenegro! – por Ronaldo Correia de Brito


Isso significa que existe uma literatura cearense? Com certeza, não. Os cratenses premiados tiveram a formação no Recife, vivem na cidade, ou em São Paulo, ou pelo meio do mundo. Everardo Norões, Samarone Lima, Sidney Rocha, Xico Sá e o autor dessa coluna nasceram no sul do Ceará, historicamente ligado a Pernambuco, e migraram bem cedo para o Recife.

Tércia Montenegro acaba de ganhar o prêmio da Fundação Biblioteca Nacional com o romance Turismo para cegos, editado pela Companhia das Letras. Nos últimos anos, vários cearenses faturaram prêmios importantes, como o São Paulo de Literatura, Portugal Telecom, Jabuti e FBN. Isso significa que existe uma literatura cearense? Com certeza, não. Os cratenses premiados tiveram a formação no Recife, vivem na cidade, ou em São Paulo, ou pelo meio do mundo. Everardo Norões, Samarone Lima, Sidney Rocha, Xico Sá e o autor dessa coluna nasceram no sul do Ceará, historicamente ligado a Pernambuco, e migraram bem cedo para o Recife.
Tércia Montenegro reside e trabalha em Fortaleza, publica numa excelente editora de São Paulo, e já esteve em eventos como o Salão do Livro de Paris. Turismo para cegos precisou vencer quase 180 romances, alguns de autores consagrados como Chico Buarque, Elvira Vigna, João Almino, Silviano Santiago, Alberto Mussa, Luiz Fuffato, Cristovão Tezza, entre muitos outros. Mérito de Tércia, uma escritora que começou a publicar cedo e ralou bastante para dar visibilidade aos seus livros. E isso não é fácil, garanto a vocês. Nós, das bandas de cá, sempre começamos o turfe com um ou dois corpos de desvantagem, por melhores que sejam os nossos cavalos de corrida. Estamos fora do grande eixo de produção, o que conta bastante, embora cada vez menos.
Afirmar que não existe uma literatura cearense, embora existam muitos cearenses escrevendo e publicando, é afirmar que movimentos como o regionalista, concebido por Gilberto Freyre, ou o do romance de 30 estão fora de perspectiva. Entre os autores do Cariri percebe-se a importância dessa região na atmosfera da poesia ou no imaginário da prosa. Mas há uma tendência, bem evidente também no romance de Tércia Montenegro, de uma apropriação cada vez maior dos bens de cultura, o que significa estar no circuito do mundo. Em Fernanflor, romance recém lançado por Sidney Rocha, o zelo do autor em abolir cores e sotaques da sua região torna-se quase obsessivo, mas vez por outra ele se trai e deixa escapar as origens.

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