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01 maio 2015

Dona Dilma ficou muda... -- por Armando Lopes Rafael

A presidente Dilma Rousseff não fará pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão nesta sexta-feira, 1º de maio, Dia do Trabalho. É a primeira vez, desde a ditadura  de Getúlio Vargas, há mais de 70 anos, que um presidente da república brasileira deixa de enviar sua mensagem aos trabalhadores do Brasil. Preparei-me para comentar este inédito fato. Mas ouvi uma entrevista com o senador Aécio Neves,  (que teve 51.041.155 – cinquenta e um milhões, quarenta e hum mil e cento e cinquenta e cinco – votos nas últimas eleições presidenciais) e achei que as informações prestadas por ele eram suficientes. Eis o que ele disse à imprensa, no início da manhã deste 1º de maior de 2015: “É lamentável que a presidente Dilma Rousseff tenha se acovardado e resolvido não falar aos brasileiros por ocasião das comemorações pelo 1° de Maio. Quem sempre se mostrou tão loquaz, agora evita dirigir-se à população numa data de tanto simbolismo para os brasileiros. Por que será que a presidente eleita pelo partido que se diz “dos trabalhadores” teme tanto os trabalhadores?
“Dilma deveria dirigir-se à nação para explicar por que promove o maior arrocho recessivo da história recente do país, que tanto penaliza quem trabalha e produz. Seu governo bate todos os recordes negativos da história recente: a maior inflação em 20 anos, os piores resultados fiscais em 17 anos, mais baixos níveis de confiança desde o início do século, o menor crescimento econômico desde o governo Collor e a menor geração de empregos em mais de 15 anos, para citar apenas alguns exemplos.
“Com a recessão, o torniquete aperta sobre a renda dos trabalhadores e sufoca o consumo. A saída – para quem pode – tem sido queimar os recursos guardados na poupança. A verdade é que tem sobrado mês e faltado salário no bolso dos brasileiros. Impiedoso, o arrocho petista mira benefícios sociais e trucida direitos trabalhistas. A tesoura do ajuste só não cortou mais fundo porque o Congresso resistiu às investidas de Dilma e sua equipe econômica e impediu que a população fosse submetida a sacrifícios ainda maiores.
“A recusa de Dilma em ocupar rede nacional de rádio e televisão também deixa claro, de uma vez por todas, a que se destinaram as mais de 20 convocações feitas anteriormente pela presidente: puro proselitismo político, marketing enganoso e propaganda ilegal, conforme a oposição não se cansou de denunciar. Não adianta, porém, a presidente querer se esquivar de prestar contas. Não adianta querer evitar manifestações indignadas dos brasileiros. Cada um à sua maneira, com as formas que tem às mãos, cada brasileiro demonstrará a repulsa e o repúdio a um governo que não tem dado motivo algum para que os trabalhadores comemorem o seu dia”.
Nada mais foi dito; nada mais foi perguntado a Aécio, aquele que, neste momento, é quem devia estar comandando os destinos deste nosso  desacreditado e chafurdado  Brasil.

                                                                      

Prudência republicana, previdência monárquica – por Jacinto Flecha

O povo inglês entrega flores para a Rainha Elizabeth no dia de seu aniversário. Será que no Brasil o povo faria o mesmo no aniversário de dona Dilma?
Dois turistas em país de governo monárquico aguardaram e aplaudiram de pé, junto com um público seleto, a entrada da rainha e uma convidada de honra, ambas em trajes de gala. Quando todos se sentaram, um perguntou ao outro:
— Qual das duas é a rainha?
— A da direita, você não percebeu?
— Não percebi nada especial. Você pode me explicar?
— A da esquerda olhou se a cadeira estava no lugar, antes de sentar; e a rainha se sentou sem preocupação com a cadeira.
— Mas não entendo onde está a importância disso.
— A rainha educa bem seus servidores, e sabia que a cadeira estava lá.
Outro cenário. Em 1908, a atriz francesa Sarah Bernhardt fez uma tournée pela América do Sul. Na capital brasileira, nação que anos antes degringolara da monarquia para a república, representava no palco uma peça em que devia saltar do alto de um muro para o chão. Mas esqueceu que aquela era uma república sul-americana, saltou… e o colchão não estava onde deveria estar. Com a perna fraturada, a apresentação da peça e a tournée foram interrompidas. Sarah compreendeu muito tarde essa nova realidade, mas daí em diante recusou até o atendimento de médicos do Rio de Janeiro.
Na primeira cena, quando a convidada conferiu se havia segurança para mudar de posição, demonstrou prudência – virtude que nos leva a avaliar as condições e os riscos atuais, próximos. A previdência tem alcance mais longo, é muito praticada nas famílias e nos governos monárquicos. Demonstrou-a a rainha, preparando servidores para os movimentos da cerimônia. À atriz faltou prudência, pois os servidores eram desconhecidos. Sua perna teve de ser amputada sete anos depois.
Acredito que a imprevidência dos governos republicanos, com sua visão de curto alcance, seja a principal desvantagem em relação ao governo monárquico. Voltado para empreendimentos de longo alcance e objetivos duradouros, o monarca beneficia a população por muitos séculos, mesmo se a intenção original é beneficiar a própria família. É tão grande a interpenetração do interesse público com o interesse privado, que não se distingue onde termina um e onde começa o outro.
Os governos monárquicos são de índole familiar, estruturados ao longo das gerações, daí terem muito melhores condições para implantar projetos de longa duração. Começam a executá-los, mas muitas vezes não os concluem, legando aos descendentes essa tarefa e os seus benefícios. Nas atividades humanas, nada é perfeito, portanto está bem longe da minha intenção atribuir só virtudes a uma forma de governo e só erros a outras. Mas o fato concreto é que a monarquia sempre aproveitou a experiência do passado para dar rumo definido e coerente ao futuro. Uma realidade histórica amplamente reconhecida, sintetizada neste aforismo: O monarca pensa na próxima geração; o presidente, na próxima eleição.
                                                           

Coisas da República: Lula é alvo de investigação do Ministério Público Federal por tráfico internacional de influência

Segundo reportagem da revista “Época”, ex-presidente teria ajudado a construtora Odebrecht a conseguir contratos no exterior com dinheiro do BNDES
Fonte: jornal “Estado de Minas”, 1º de maio de 2015
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é alvo de uma investigação aberta pelo Ministério Público Federal (MPF) como suspeito de tráfico internacional de influência, segundo a reportagem publicada pela revista Época, na noite desta quinta-feira. De acordo com o MPF, o petista teria recebido vantagens econômicas da construtora Odebrecht, entre os anos de 2011 a 2014, para ajudar a empreiteira a ganhar contratos em países da América Latina e da África. O dinheiro usado para financiar as obras no exterior vinha de empréstimos obtidos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de acordo com a publicação.
A denúncia do MPF, segundo a publicação, aponta que, desde que deixou o poder, o ex-presidente viajou diversas vezes para destinos como Cuba, Gana, Angola e República Dominicana, sempre bancado pela construtora Odebrecht. Nessas viagens, normalmente para dar palestras e se encontrar com chefes de Estado, o pestista teria intermediado contratos de obras bilionárias de interesse da empresa brasileira. Segundo a revista, “o BNDES fechou o financiamento de ao menos US$ 1,6 bilhão com destino final à Odebrecht após Lula, já como ex-presidente, se encontrar com os presidentes de Gana e da República Dominicana – sempre bancado pela empreiteira”.
Segundo a reportagem, o MPF relacionou as viagens de Lula ao fechamento de contratos. “A papelada e os depoimentos revelam contratos de obras suspeitas de superfaturamento bancadas pelo banco estatal brasileiro, pressões de embaixadores brasileiros para que o BNDES liberasse empréstimos – e, finalmente, uma sincronia entre as peregrinações de Lula e a formalização de liberações de empréstimos bilionários do banco estatal em favor do conglomerado baiano”, conforme a revista.
Entre as obras realizadas pela construtora no exterior, há projetos como modernização de portos, aeroporto, rodovias e aquedutos, todas realizadas com os empréstimos de baixo custo do banco brasileiro. A publicação traz ainda a informação de que só no ano passado, a empresa recebeu US$ 848 milhões em operações de crédito para tocar empreendimentos no exterior – 42% do total financiado pelo BNDES, segundo um estudo do Senado.
Postado por Armando Lopes Rafael
     

“Coisas da República”: Para ajudar o amigo “cocaleiro”, Lula levou a Petrobras a perder R$ 872 milhões de reais em 2007

Fonte: “Folha de S. Paulo, 1º de maio de 2015
Um acordo com a Bolívia negociado em 2007 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva causou prejuízo de R$ 872 milhões aos cofres da Petrobras no ano passado, segundo o balanço da empresa. O rombo equivale a 14% à perda atribuída pela empresa à corrupção (US$ 6,2 bi). Em agosto, após sete anos de negociação, a Petrobras pagou à estatal boliviana YPFB US$ 434 milhões pelo excedente energético do gás natural vendido ao Brasil. O "gás rico", como é chamado, nunca foi pedido nem aproveitado pela empresa brasileira, mas passou a ser cobrado a partir do governo do presidente Evo Morales, que assumiu o poder no país vizinho em 2006. Ao anunciar o acordo durante visita de Morales a Brasília, em 15 de fevereiro de 2007, Lula afirmou que os países mais ricos têm de ter "generosidade" e "solidariedade" com economias menores.
PAGO EM DOBRO
A demora entre a assinatura e o pagamento se deveu à resistência interna na Petrobras. O departamento jurídico da estatal chegou a recomendar que não houvesse pagamento à Bolívia. Para técnicos da Petrobras ouvidos pela Folha no ano passado sob a condição do anonimato, a estatal pagou duas vezes pelo mesmo produto, já que o poder calorífico do gás está previsto no contrato de 30 milhões de metros cúbicos/dia, e o combustível exportado não era separado das outras moléculas.
O prejuízo da Petrobras com esse acordo foi ainda maior do que consta no balanço de 2014, já que, em encontro de contas, houve um abate de US$ 23 milhões por causa de multas devidas pela Bolívia por problemas e fornecimento, segundo valores informados pela YPFB. Além disso, a estatal já havia pago uma primeira parcela de US$ 100 milhões em 2010 pelo "gás rico".
"LEGÍTIMO"
Ao justificar o pagamento no ano passado, a Petrobras afirmou que iria gerar um saldo positivo de US$ 128 milhões (R$ 386 milhões) no final de 2014, pois o cálculo incluiria outros acordos com a Bolívia envolvendo o gás natural, principalmente o fornecimento à térmica de Cuiabá, feito em contrato à parte. "A Petrobras esclarece que o cálculo é absolutamente correto. É legítimo que a companhia considere seus acordos com a Bolívia de forma global, pois o resultado obtido reflete um conjunto de negociações que não podem ser vistas separadamente", escreveu o gerente de imprensa Lucio Pimentel em carta enviada no final de agosto à Folha. A reportagem voltou a procurar a Petrobras na última sexta (24). Cinco dias depois, e estatal informou que não iria comentar o prejuízo causado pelo acordo.
 Postado por Armando Lopes Rafael                                                          
                                                                

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