xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 26/04/2015 | Blog do Crato
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VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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26 abril 2015

Um ideal possível - Por:Emerson Monteiro

Observar os cenários atuais, tanto do ponto de vista local quanto mundial, faz ver que atravessamos, na história humana, período de intensa gravidade. Dizemos isso ao notar as atitudes materialistas nos negócios e países, em políticas de dominação de seres humanos relegados a plano secundário na ordem das coisas quais massas de manobra para produzir e consumir bens e gerar lucros, submetidos aos poderosos, em todos os quadrantes. 

São modelos que privilegiam capitais em detrimento das práticas sociais, onde Estados detêm setores econômicos prioritários, os quais, de um dia para outro, se transformam em patrimônios particulares por força da política mal versada. Dessas e de outras mudanças extremas advêm conseqüências que empenam toda a sociedade.

Na verdade, os sintomas correspondem, na banda crítica, ao que se previra nos planos econômicos trabalhados no sentido que realizam. Entretanto aqueles esperados frutos continuam distantes, esperanças dos sonhados melhores dias. E nesses tempos cinzentos o que aparecem são os milhões a reclamar de uma lideranças compatíveis aos anseios de real desenvolvimento. 

Eis, por isso, o quadro onde se denota percentuais elevados de pessoas a viver abaixo da linha de pobreza, sem dispor do mínimo em termos de moradia, saúde, educação, segurança, profissionalização, dignidade. A própria sociedade precisa rever os métodos de ação, buscar coragem moral e vontade política que desmanchem os equívocos do passado e do presente, na escolha de novos dias, o que também passa pela união das classes através da consciência de que todos somos irmãos vivendo na mesma casa. 

Abalados, desapareceram muitos daqueles impérios; mas persistem os princípios universais ainda não concretizados na prática. Guardemos no íntimo a resposta às dores sociais, no senso do viver justo, na busca da mentalidade honesta. 

Crescemos em número; agora cresçamos em qualidade, perfeição que passa longe do simplório conforto material das posses, da influência e do prestígio; do poder das armas, das conquistas coloniais menores. Justiça social, eis o outro nome da propalada Solidariedade.              

O esquecido Frei Carlos Maria de Ferrara (por Armando Lopes Rafael)

Vista aérea da região central da cidade de Crato (Ceará)
 No próximo dia 21 de junho Crato completará 251 anos  de sua elevação à categoria de Vila Real do Crato, fato ocorrido em 21 de junho de 1764. Esta efeméride nos serve, também, para refletir sobre o esquecimento a que foi relegada a memória de Frei Carlos Maria de Ferrara, o fundador desta cidade. Tirando uma minúscula placa existente numa coluna da Praça da Sé (que de tão diminuta não chama a atenção de ninguém) não encontramos mais nada a lembrar Frei Carlos Ferrara na cidade por ele fundada. Este frade viveu cerca de dez anos (1740-1750) aqui. Nascido de família abastada da cidade de Ferrara, Itália, ainda jovem, Carlos decidiu contribuir com a obra de Deus em terras inóspitas e longínquas do continente americano. Veio parar no Brasil. Chegando a Recife foi enviado para evangelizar tribos indígenas, entregues ao paganismo e à barbárie, no Vale do Cariri. Frei Carlos Maria foi um novo Anchieta. Vestia hábitos velhos e remendados; passou fome e sentiu frio, padeceu de doenças e enfrentou um mundo atrasado e isolado dos centros mais civilizados. Na sua rotina diária celebrou – quantas vezes – o Santo Sacrifício da Missa; pregou a Boa Nova, batizou e legitimou uniões entre homens e mulheres, nestes confins distantes cerca de 600 km do litoral, numa época que não existiam estradas nem comunicações de qualquer espécie.
Fundou a Missão do Brejo do Miranda, origem da atual cidade de Crato. E ergueu, no centro da Missão, uma humilde capelinha de taipa coberta com folhas de palmeiras. O pobre e rústico santuário foi dedicado, de maneira especial, a Nossa Senhora da Penha, a São Fidelis de Sigmaringa e à Santíssima Trindade. Em volta da capelinha, ficavam as palhoças dos índios. Estes, além de cuidarem das plantações rudimentares, recebiam os incipientes ensinamentos da fé católica, ministrados por Frei Carlos. Aos poucos, nas imediações da Missão, elementos brancos foram construindo suas casas. Era o início da atual cidade do Crato. Não padece dúvidas de que o fundador do Crato foi frei Carlos Maria de Ferrara. É esta a mais bela página da história cratense. E, no entanto, nenhuma medida foi tomada pelo poder público para homenagear, nesta cidade de Crato, Frei Carlos Maria de Ferrara. Sequer existe aqui um beco com o nome dele.
Lugar ingrato para com seus benfeitores, esta cidade de Crato...
Abaixo uma foto da cidade de Ferrara, onde nasceu Frei Carlos Maria. Ferrara tem a mesma população de Crato: 130 mil habitantes


Outro missionário italiano que fez história em Crato -- por Armando Lopes Rafael


Padre Lourenço Vicente Enrile
 O dia era 13 de novembro de 1876. Na cidade de  Crato – na Rua das Flores, em casa do farmacêutico prático Secundo Chaves, localizada próximo a onde hoje funciona a Cúria Diocesana, na Rua Teófilo Siqueira – um sacerdote de 43 anos, com o organismo minado pela tuberculose, sentia que sua existência terrena chegava ao fim. Em meio à febre, acessos constantes de tosse e hemoptise, o Padre Lourenço Vicente Enrile – primeiro reitor do Seminário São José – rendeu sua bela alma a Deus, nos braços do farmacêutico e seu benfeitor.

Dias antes, Secundo Chaves, após muita insistência, conseguiu que o Padre Lorenzo Vicenzo Enrile (este seu nome original em italiano) deixasse o prédio do Seminário e viesse para sua residência onde teria mais conforto no tratamento da pertinaz moléstia. Debalde foram os esforços do farmacêutico. O Crato perdeu, naquele dia, um de seus mais virtuosos sacerdotes.
Padre Enrile nasceu em Finalborgo, diocese de Savóia, na Itália em 28 de fevereiro de 1833. Cento e trinta e cinco anos depois da chegada do Frei Carlos Maria de Ferrara – fundador de Crato – a Itália nos mandara outro valoroso missionário. Padre Enrile chegou ao Cariri em 1875, para colocar em funcionamento o Seminário São José. Aqui viveu menos de dois anos, tempo suficiente para alcançar – junto à sociedade cratense – o conceito de um sacerdote digno, piedoso e exemplar.

Segundo o “Álbum do Seminário de Crato”, editado em 1925:
“Não se limitava a ação do primeiro reitor em guiar os destinos da casa, da posição em que o colocara o Sr. Bispo, mas entregava-se a todos os misteres. Desde a sala de aulas até a cozinha, sua atividade se desenvolvia a contento de todos os que habitavam o Seminário.

“Trabalhava sem tréguas, durante o dia, e, à noite quando todos dormiam, ainda vigiando, percorria o dormitório e mais compartimentos da casa, não deixando de consagrar algum tempo ao estudo.
“Os primeiros albores da madrugada, como determinavam as regras da Congregação, já o encontravam no cumprimento do dever.
“Padre Enrile era um modelo de sacerdote católico, que reunia aos vastos conhecimentos de que era possuidor uma piedade sólida, haurida em Paris na Casa Mãe dos Lazaristas. Manejava a língua portuguesa com rara facilidade, de modo que prendia a atenção de todos quando proferia seus memoráveis sermões. À capela do Seminário, em meio de grande massa popular, afluía, ainda, o que o Crato tinha de intelectual naquele tempo, para ouvir a palavra fácil e erudita do Padre Enrile.
“Em todos os misteres do sacerdócio, era o Padre Enrile exato e admirável. Edificava o povo, quando após os trabalhos do Seminário, saía em busca dos moribundos levando-lhes o pão dos anjos e o conforto de sua palavra cheia de unção.
É ainda o “Álbum do Seminário de Crato” que informa:
“Quando do seu falecimento, a população em peso acorreu ao Seminário e de todos os olhos caiam lágrimas a fio, e todos os lábios ciciavam preces pelo repouso da alma do prateado morto”.

Os veneráveis restos mortais do Padre Enrile encontram-se sepultados numa das colunas da capela do Seminário São José. Conforme o “Álbum do Seminário de Crato”: “Jamais se assistira (até aquela data) em Crato a enterro tão concorrido e a morte tão chorada”...

A cidade de Finalborgo,na Itália, terra natal do Pe. Lourenço Vicente Enrile

         Texto e postagem de Armando Lopes Rafael
                                              

Os trabalhos e as horas – por Ronaldo Correia de Brito (*)

  
Faz seis meses que o meu pai morreu. Há dois anos tinha sido diagnosticado um câncer em suas cordas vocais, uma lesão insignificante, mas o oncologista aconselhou que fosse irradiada. Como sequela das 35 sessões de radioterapia, ele ficou rouco e com dificuldade para deglutir. Fumante desde a adolescência, chegara à marca dos 40 cigarros diários. Quando o radiologista examinou a tomografia de pescoço e tórax, espantou-se que valorizassem a mancha vermelha na laringe e não dessem importância ao enfisema pulmonar. Meu pai sempre tapeou a morte. Até os 87 anos nunca sofreu doenças, dormia e comia bem. Cumpria rigorosa jornada de trabalho, só descansando no sábado à tarde. Aos domingos, fazia a feira e ia para a cozinha preparar o almoço da família. Sangrava, escaldava, depenava e tratava a galinha comprada viva; cortava, punha nos temperos e deixava cozinhando. Sentia orgulho de sua força e vitalidade. Humilhava os irmãos cheios de sintomas, enquanto ele vendia saúde.

 Às vésperas de completar 90 anos, papai ainda tocava seu comércio. Os filhos o proibiram de dirigir, temendo a segurança dele e das pessoas. A radioterapia se revelara mais danosa do que curativa: o pescoço se tornou rígido, a laringe perdeu a sensibilidade, a glote ameaçava fechar. Comer exigia um enorme sacrifício, por conta da tosse e dos engasgos. Papai, que sempre se orgulhara de ser imune ao fumo, sentiu que os cigarros cobravam a conta. Surgiram os sintomas da doença pulmonar obstrutiva, porém ele nunca se queixava, nem faltava ao trabalho um único dia.
 Eu o visitava com frequência e numa das viagens ao Crato ele me confessou: estou acabado. Não havia pesar na sua voz, nem lamúria, nem dor. Era uma constatação pragmática. Minhas irmãs faziam guerra para que deixasse de fumar. Do outro lado do front eu permitia que fumasse, pois não se pode tirar de um homem de 90 anos seu derradeiro prazer. Há bem pouco tempo ele perdera a esposa, com quem esteve casado durante 70 anos. Mamãe sofria de uma doença crônica, que a obrigou a viver dentro de uma unidade semi-intensiva, na própria casa transformada em hospital. Sempre me comoveu o silêncio de papai nesses três anos em que mamãe respirava graças a um aparelho e mal abria os olhos.
 Numa das visitas, ele me chamou até o jardim. Percebi que desejava comunicar algo importante.
– Meu filho, vou lhe dizer uma coisa: eu não acredito em outro mundo. Pra mim, alma não existe. A gente finda quando morre. Não há mais nada além dessa vida. Morreu, pronto, acabou-se tudo.
 Fiquei calado, com vontade de pedir um cigarro e propor fumarmos juntos. Ele saiu para um passeio na beira do canal, no lugar onde antigamente corria um rio, o Granjeiro, agora transformado em esgoto a céu aberto. Entristecia-me ver papai fumando escondido, achava humilhante, uma degradação.
Na penúltima vez em que fui ao seu encontro, achei-o cansado, eliminando muita secreção dos brônquios. Apresentara indícios de uma parada respiratória. Insisti que consultasse o cirurgião de cabeça e pescoço e fizesse uma nova laringoscopia. O exame mostrou a glote quase fechada. O médico propôs cirurgia ou traqueostomia. Ele recusou a cirurgia, falou que estava no fim, preparado para morrer. O jovem cirurgião expôs os riscos de um procedimento de urgência, caso a glote fechasse. Era uma sexta-feira e papai só pensava na feira do Crato, na segunda-feira, quando o seu armazém tinha um pique de vendas. – Fazemos na terça, fechou questão. De volta a casa, quando tentou se alimentar, teve outra ameaça de parada respiratória. Acionamos o médico, foi realizado o procedimento de urgência, ocorreram complicações. Contrariando o que sempre desejara, papai acabou num leito de UTI, de onde saiu morto depois de sete dias.
 Foi um curto sofrimento para quem sempre viveu bem. No sétimo dia, os filhos tomaram a decisão de levá-lo pra um quarto, onde poderia passar as últimas horas, junto à família. Os protocolos médicos da UTI contrariavam o pragmatismo do homem João Leandro. Para ele, um sertanejo, morrer era um costume que sabia ter toda gente. Mesmo sem o recurso da fala, por conta do traqueóstomo e do respirador, ele administrava seu comércio com gestos e garatujas mal escritas. Infelizmente, continuou na terapia intensiva. Em meio à agonia de morrer, brincava com as visitas, só perdendo a consciência quando o sedaram para minimizar o desconforto da dispneia.
 A presença carinhosa dos filhos e netos não provocou suas lágrimas, pois nunca costumava chorar.
 Porém houve uma hora em que o homem firme cedeu ao pranto. Igualzinho ao relato de Heródoto, que serviu de mote ao ensaio de Walter Benjamim sobre a distensão. Quando conquistou Mênfis, o persa Cambises para humilhar o rei Psaménito mandou desfilar à frente dele sua filha vestida de escrava, na companhia de outras jovens da nobreza. Os pais caíram no pranto, mas Psaménito apenas baixou a cabeça. Depois Cambises ordenou que desfilasse um cortejo com dez mil jovens da mais alta casta, entre eles o filho do rei, todos com uma corda no pescoço e um freio à boca. Iam ser executados. O rei soube controlar os sentimentos e igualmente quando viu a filha, não chorou. Logo após passarem os jovens, Psaménito botou os olhos sobre um velho e andrajoso mendigo e reconheceu nele um dos seus comensais. Despojado de sua antiga riqueza, ele ia de porta em porta implorando um pouco de alimento. Diante da cena, o soberano não se conteve, chamou o homem pelo nome e caiu no pranto. Quando foi interrogado por que procedera dessa maneira, Psaménito falou: “As desgraças de minha família são muito grandes para que eu as possa chorar; mas a triste sorte de um amigo que, já na velhice, cai na indigência, merece minhas lágrimas sinceras”.
 Papai chorou uma única vez, nos seus derradeiros dias. Foi quando entrou para visitá-lo um velho empregado, que passava o tempo com ele no armazém onde os dois trabalhavam. Papai já não conseguia falar e por isso eu não perguntei o motivo das suas lágrimas. Talvez ele se preocupasse com o futuro do estimado ajudante. Ou talvez se lembrasse com saudade dos trabalhos e das horas que viveram juntos.
 Amar o trabalho acima de todas as coisas era um mandamento para o meu pai.  
(*) RONALDO CORREIA DE BRITO, médico e escritor. Viveu a infância e adolescência em Crato.

Falece Audifax Rios


Faleceu o artista plástico cearense Audifax Rios, pessoa muito ligada aos artistas caririenses, tendo ilustrado a revista Nação Cariri, no início da década de 1980, e livros de autores locais, como Rosemberg Cariry.

O desenho ao lado, um retrato do fotógrafo cratense Jackson Bantim (Bola), foi um dos seus últimos trabalhos, feito na data de seu aniversário de 69 anos, em abril último.




Nossa homenagem a este grande artista.

Saiba Mais
http://www.opovo.com.br/app/fortaleza/2015/04/25/noticiafortaleza,3428455/escritor-e-colunista-do-o-povo-audifax-rios-morre-aos-69-anos.shtml

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