xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 12/04/2015 | Blog do Crato
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VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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12 abril 2015

Releituras - Por: Emerson Monteiro

Houve um tempo quando o inesperado complicava o meio do campo da angústia, que instinto selvagem parecia querer jogar fora a canga e destruir de qualquer jeito os quebra-mares dos sistemas de defesa, comodidades vaidosas atiravam tudo para o ar, e acendia dentro de mim fome cruel de romper os grilhões da organização pessoal, no sabor dos caprichos que aparecessem. Com isso, deixava escorrer fácil fácil o ditame das regularidades, invadia outras praias, feria suscetibilidades, a começar pela saúde interna do respeito guardado meses a fio, na malha do esforço de sofrer.

Não queria aceitar que mesmo no calor dos testes necessários habitasse o mistério do drama secular das permanências e conquistas cotidianas visando um tempo feliz. Perdia, a bem dizer, o sentido de tanto melhor das partes, porque desistia de pagar o preço da poupança da paz, naqueles momentos de chegar aos limites e merecer resultados positivos, lições que a vida traz, livre da discriminação de raça, credo, cor, sexo, idade, partido, time, filosofia, indo, nesse prumo, justificar lá adiante o querer sem a comprovação da seriedade, azeite doce da hora de receber o que se ganha, virava espécie de anarquismo crônico. Desistência e revolta. Mas, graças a Deus, isso também passou.

Já hoje, talvez isso que denominam experiência, descubro que inexiste vitória sem a luta. Noites insones, dúvidas, opiniões, renúncia. Bajulação perde a força no que tange ao valor real das sementes verdadeiras. Ninguém, de sã consciência, que aguarde pacote pronto do destino, usufrui da mera credulidade indecorosa, insuficiente, que alimentou. Pode até, nas horas vagas, parecer que ganhou um lance, porém o custo da corre solto atrás dos presságios.

Apresentou-se o desafio, logo de saída, fruto daquela árvore imensa; cresceu, no lodo e no tempo, em perguntas da justiça do merecimento. A cada um conforme o mérito, porquanto a Natureza trabalha nas bases matemáticas, soberanas, longe de peixadas sociais dos mundos tortos.

Quase uma mensagem cifrada indicou, ou plantou ontem, ou haverá de plantar agora, caso pretenda resultados sonhados no futuro. Há normas proporcionais, independentes do que funcionou ao passo da individualidade luxenta, das próprias barrigas avantajadas.

Depois de muito forcejar barras da inconsequência, nenhum vento leve conduz segredos universais só por conta dos belos olhos.

Há sempre batalhas antes da vitória. Luzes das doutrinas humanas mostram claros os primeiros acordes do dia, residência fiel da balança.

O acaso dos dados atirados ao longe indicam os passos antigos dos peregrinos. E suportar espinhos permite a maciez da rosa mais perfeita.


Ilustração: A Liberdade guiando o Povo, de Eugène Delacroix.

Domingo, 12 de abril de 2015 – Cerca de 500 cidades brasileiras confirmam 2º protesto-de-rua contra Dilma

(Postado por Armando Lopes Rafael)
Em Juazeiro do Norte protesto ocorrerá agora na Praça Padre Cícero, no centro da cidade. As manifestações são organizadas por vários movimentos, com destaque para o Vem Pra Rua e o Movimento Brasil Livre.
 Na manifestação do mês passado 1 milhão de paulistanos foram às ruas contra Dilma-PT
Novamente todos são convocados a se vestir de verde–amarelo. Foram divulgadas pelos movimentos a lista de cidades que confirmaram participação, e outras pessoas estão postando nos comentários no site e nos posts da fan page os nomes de outras cidades. Em Aracaju, o movimento está previsto para às 15h00, com saída do Mirante da 13 de Julho
A página no Facebook do movimento Vem Pra Rua, já compartilhou vídeos gravados pelos cantores Roger Moreira, da banda Ultraje a Rigor, e Beto Barbosa, do humorista e ex-Casseta e Planeta Marcelo Madureira e do fundador e coordenador do AfroReggae José Junior.
Cidades que confirmaram as passeatas populares “Fora, Dilma!”
                                        

FHC diz que liderança de Dilma está abalada e que saída passa por protestos



Às vésperas de nova manifestação nacional  contra o governo, neste domingo, dia 12, ex-presidente fez várias críticas a Dilma Rousseff

Ao fazer um diagnóstico sobre o atual momento político brasileiro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou a capacidade de liderança de Dilma Rousseff. A escolha do vice-presidente Michel Temer (PMDB) para comandar a articulação política do governo é um sinal, segundo o tucano, de que a presidente está com a capacidade de liderança "muito abalada".
"Nós estamos, por circunstâncias, em um momento em que capacidade de liderança da pessoa que ocupa a Presidência está muito abalada.", criticou. "Tanto que entregou a chave do cofre para alguém que pensa o oposto (Joaquim Levy). E entregou para ele fechar o cofre, ela não pode mexer mais no cofre. E agora entregou o comando político a outro que também pensa diferente, para outro partido", completou, falando de Michel Temer.
Em palestra na manhã desta sexta-feira, 10, para uma plateia formada por empresários e trabalhadores do setor de tecnologia, FHC foi aplaudido diversas vezes quando criticava o governo. O tucano classificou a situação atual do Brasil como "delicada". "Neste momento a saída passa pelos protestos de rua, pela justiça funcionar e a mídia dizer o que está acontecendo. Ampliar a informação, não fazer conchavo, não fazer conciliação", disse o ex-presidente, amenizando, em seguida, a afirmação. "Mas em algum momento sempre tem de haver algum acordo. A sociedade não funciona em pé de guerra o tempo todo", disse, emendando que tal acordo "não pode ser embaixo do pano".


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso
''Nobel ao contrário'' Ao comentar o quadro do setor energético no Brasil, Fernando Henrique Cardoso arrancou risadas da plateia ao dizer que a presidente Dilma Rousseff "merece um Prêmio Nobel ao contrário". O tucano usou como exemplo os escândalos na Petrobrás, a crise no setor elétrico e entre os produtores de etanol. Para Fernando Henrique, o Brasil, para avançar, precisa "resolver a questão energética".
O primeiro cargo que Dilma ocupou no governo federal foi justamente como titular do Ministério de Minas e Energia, no início do governo Lula. Na época, o petista recém-eleito incumbiu Dilma de desenvolver o setor energético no Brasil, que pouco tempo antes havia sofrido com o racionamento durante o governo FHC.
                                                           


Fonte: JOSÉ ROBERTO CASTRO - O Estado de S. Paulo


As voltas que o mundo dá: Brasil já vive um “parlamentarismo branco” – por Kennedy Alencar (*)


A presidente Dilma Rousseff deveria entender que já vive uma situação de parlamentarismo branco. O Poder Executivo perdeu força na comparação com o Poder Legislativo. Depois de ser reeleita, estava claro que Dilma Rousseff seria uma presidente mais fraca no segundo mandato devido a dificuldades na economia e na política. Mas erros na montagem do ministério e o plano fracassado de tentar derrotar Eduardo Cunha na disputa pela presidência da Câmara a enfraqueceram ainda mais.

Passadas as eleições para as presidências da Câmara e do Senado, que aconteceram em 1º de fevereiro, havia uma avaliação no governo de que aquele momento seria o fundo do poço. No entanto, em 50 dias, a situação piorou muito. A presidente da República se enfraqueceu a ponto de o presidente da Câmara anunciar publicamente a demissão de um ministro de Estado antes do Palácio do Planalto. Foi o que aconteceu na semana passada no episódio de saída de Cid Gomes da pasta da Educação.

Ficou claramente simbolizado ali que o eixo de poder em Brasília se inclinara do Executivo para o Legislativo. Estamos vivendo uma fase, que pode ser passageira ou durar todo o segundo mandato de Dilma, na qual há um parlamentarismo branco com cores peemedebistas. No Brasil, mesmo enfraquecida, a caneta presidencial ainda tem muita tinta. Tem muito poder. Mas, se a presidente continuar a cometer erros políticos, a tendência é ir esvaziando mais rapidamente essa tinta.

Nesse sentido, parece mais um equívoco a presidente querer fazer a negociação do ajuste fiscal antes de realizar uma reforma ministerial, como ela disse na sexta-feira passada em Porto Alegre. Está claro que o atual ministério não tem a confiança do Parlamento. Do jeito que está montado, o ministério de Dilma cria dificuldade para o Executivo aprovar projetos no Legislativo. A saída é realizar a reforma ministerial, ou as alterações pontuais, como disse a presidente, de modo a facilitar a aprovação do ajuste fiscal.

As manifestações de 15 de março assustaram o PT, que parou de criar complicações para o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Agora, a presidente precisa fazer uma reforma que recomponha, de alguma maneira, parte da relação com quem manda no PMDB. E deveria fazer isso rapidamente, porque há manifestações previstas para 12 e 21 de abril. Em 20 dias, poderá haver novos protestos com multidões na rua. Seria melhor fazer a reforma ministerial e negociar o ajuste fiscal e a sua aprovação antes dessa data. A presidente poderia, então, se dedicar a novos assuntos, como mais um pacote de concessões à iniciativa privada ou ver o que pode tirar de positivo dessa forte desvalorização do real do ponto de vista das exportações.

O governo precisa dar respostas rápidas, até para poder mudar a pauta do debate de público. Nos próximos dias, deverá continuar a receber notícias negativas na economia, como aumento do desemprego e a confirmação de eventual recessão. Se Dilma não parar de errar, fortalecerá esse parlamentarismo branco, porque o Congresso vai aprovar o que quiser, como quiser.
(*) Kennedy Alencar é jornalista

A Revolução Pernambucana de 1817 em Crato: o mito e a realidade -- por Armando Lopes Rafael (*)


A então Matriz de Crato (hoje Catedral) foi palco da leitura do "manifesto republicano" do seminarista José Martiniano de Alencar, em 1817

     A participação de Crato na Revolução Pernambucana de 1817 tem sido o episódio histórico desta cidade mais exaltado, nos últimos 125 anos. Costuma-se dizer que a história é sempre escrita pelos vencedores. Os revolucionários republicanos de 1817 – derrotados pela contrarrevolução do monarquista cratense Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro – passaram a ser exaltados como heróis, após o golpe militar que impôs a forma de governo republicana no Brasil, em 15 de novembro de 1889. Os feitos desses republicanos de 1817, no Cariri cearense, são divulgados em proporções maiores que os reais, tanto nos meios de comunicação, como por parte de alguns historiadores. Do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro pouco se fala. Quando se escreve sobre o efêmero movimento que foi a Revolução Pernambucana de 1817, em terras do Cariri cearense, omite-se a decisiva participação do Brigadeiro Leandro, ao debelar aquela revolta. Omite-se, também, a coragem pessoal e cívica de Leandro Bezerra Monteiro naquele episódio.
   Aliás, o historiador cratense J. de Figueiredo Filho, apesar de simpático às ideias republicanas foi veraz ao escrever: “Muito se tem discutido em torno da Revolução de 1817, na Vila Real do Crato. Foi movimento efêmero, que durou apenas oito dias. Ocorreu a 3 de maio de 1817, em consonância com a revolução que eclodiu em Pernambuco. Foi abafada, quase ingloriamente, a 11 do mesmo mês. É verdade que a vila bisonha de então não estava suficientemente preparada para a rebelião que, para rebentar, em Recife, necessitara da assimilação de muitas páginas de literatura revolucionária, da luta entre brasileiros e portugueses, em gestação desde a guerra holandesa e do preparo meticuloso, em dezenas de sociedades secretas, além de fatores econômicos múltiplos”. (01)
   Passados quase duzentos anos daquele episódio, e analisando de forma objetiva vários escritos e opiniões dos pesquisadores regionais chegamos à conclusão de que o que ocorreu no Cariri, em 1817, não foi uma simples disputa entre clãs familiares, como alguns historiadores escreveram no passado. Tratou-se, na verdade, de um confronto de ideias. De um lado, o proselitismo e ações concretas em favor dos ideais revolucionários e republicanos, feitos por membros da ilustre família Alencar, um dos clãs mais importantes do Sul do Ceará. O povo não apoiou os Alencares, que lutaram para impor uma ideologia estranha à mentalidade da sociedade caririense de então. Do outro lado, opondo-se a essas ideias republicanas, esteve Leandro Bezerra Monteiro, um homem dotado de profundas e arraigadas convicções católicas e monarquistas. 
   Relembre-se, por oportuno, que a fidelidade à Monarquia, por parte de Leandro Bezerra Monteiro e seu clã, motivou a concessão – partida do Imperador Dom Pedro I – da honraria ao ilustre cratense do primeiro generalato honorário do Exército brasileiro. Àquela época, embora em desuso, o posto de brigadeiro correspondia – na escala hierárquica do Exército Imperial – à patente de general.
    No mais, outro historiador cratense, José Denizard Macedo de Alcântara fez interessante análise sobre a mentalidade vigente na população do Cariri, à época da Revolução Pernambucana de 1817.  A conferir:
    “Um bom entendimento dos fatos exige que se considere a realidade histórica, sem paixões nem preconceitos. Ora, dentre os dados da evolução histórica brasileira há que se ter em conta o seguinte:
a)    a sociedade brasileira plasmou-se, em mais de três séculos, à sombra da monarquia absoluta, com todo o seu cortejo de princípios, hábitos, usos e costumes, não sendo fácil remover das populações esta herança cultural, tão profundamente enraizada no tempo;
b)    daí o apego aos Soberanos, a aversão às manobras revolucionárias que violentavam suas tradições éticas e políticas, os reiterados apelos de manutenção da monarquia absoluta, que aparecem, partidos de Câmaras Municipais – os órgãos públicos mais aproximados das populações – mesmo depois que Pedro I pôs em funcionamento o sistema constitucional de 1826;
c)    o centro de gravidade desta sociedade eminentemente rural era sua aristocracia territorial, única força social de peso na estrutura nacional, repartida em clãs familiares, e profundamente adita ao Rei, de quem recebia posições públicas e milicianas, além de outras benesses, sentimento este que mais se avolumara com a transmigração da Família Real, em 1808, pelo contato mais imediato com a Coroa, bem como pelos benefícios prestados ao Brasil, no Governo do Príncipe Regente;
d)    sendo insignificante a sociedade urbana, era mínima a capacidade de proselitismo da vaga liberal que varria o mundo ocidental, na época, restringindo-se a uma minoria escassa, embora ativa e diligente. (02)
    Donde se conclui que não houve simpatia, nem apoio da sociedade caririense às ideias republicanas da Revolução Pernambucana de 1817, difundidas no Sul do Ceará pelo seminarista José Martiniano de Alencar.
Referências bibliográficas:
(01) FIGUEIREDO FILHO, J. História do Cariri. Vol. I. Edição da Faculdade de Filosofia do Crato, 1964.  p.61 
(02) ALCÂNTARA, José Denizard Macedo de. Notas preliminares in Vida do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro. Secretaria da Cultura, Desporto e Promoção Social do Ceará, Fortaleza, 1978. p.26

 (*) Armando Lopes Rafael é historiador. Sócio do Instituto Cultural do Cariri e Membro–Correspondente da Academia de Letras e Artes Mater Salvatoris, de Salvador (BA).

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