xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 07/02/2015 | Blog do Crato
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VÍDEO - Em breve, estaremos de volta com as novas transmissões da TV Chapada do Araripe ( E agora, alguns programas ao vivo ). O modelo será mais ou menos como no vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos em que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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07 fevereiro 2015

Padre Ágio comemorou 97 anos de idade – por Armando Lopes Rafael

 Na última 5ª feira, 5 de fevereiro de 2015, Monsenhor Ágio Augusto Moreira chegou aos 97 anos de idade. Fui visita-lo, e o encontrei acamado, embora alegre e lúcido como sempre. Disse-me ele naquela ocasião: “Não sei o porquê de Deus ter me dado vida tão longa. Mas desde algum tempo tomei uma decisão e venho cumprindo: tudo que sofro eu ofereço pelas almas do purgatório”. Esboçou um leve sorriso e acrescentou: “Sei que vou passar pelo purgatório quando morrer e tenho que fazer muitas amizades por lá...”.
    Monsenhor Ágio é uma das personalidades mais marcantes do rico patrimônio humano do Cariri. Ele reside no bairro Belmonte, em Crato, numa casinha singela, de onde pode contemplar as encostas da Chapada do Araripe. Aliás, Araripe, na língua indígena, significa “Lugar onde nasce o sol”. Todos os dias o sol nasce por trás das encostas araripanas, um lugar de rara beleza... Colada a residência do Pe. Ágio fica a capelinha de Nossa Senhora das Graças, por ele construída com a ajuda do povo. Em frente, está localizada a Sociedade Lírica do Belmonte, mantenedora da Orquestra Sinfônica Padre Davi Moreira. Atrás, em amplo terreno, o Governo do Ceará está concluindo uma grande construção: A Vila da Música do Cariri. Lá, em amplas salas, que serão dotadas de muitos instrumentos musicais, os pobres da redondeza continuarão aprendendo música e fazendo parte da única orquestra sinfônica rural do Brasil.
   Sacerdote piedoso, simples, despojado e humilde, Monsenhor Ágio está sempre de benquerença com os semelhantes e a vida. Sua fisionomia sempre risonha deixa transparecer a paz de espírito que leva na alma. Ele também recebeu do Governo do Ceará a Medalha da Abolição, a mais alta comenda do Estado, honraria conferida por seu trabalho como fundador e diretor da Sociedade Lírica do Belmonte, que beneficia cerca de 200 alunos, todos de origem humilde, a maioria filhos de agricultores. No Belmonte eles aprendem técnicas e teorias musicais, bem como a bibliografia dos grandes compositores do mundo.
   Entre uma missa e outra, Monsenhor Ágio escreve livros. Já teve dez títulos publicados. No momento, está escrevendo mais dois: um sobre Dom Expedito Lopes, o bispo-mártir de Garanhuns (PE) e outro sobre a espiritualidade do Padre Cícero.  Dom Expedito tinha particular afeição pelo Padre Ágio, a quem levou em diversas ocasiões durante as férias escolares do Seminário São José – aonde o Padre Ágio era professor – para auxiliá-lo tanto na Diocese de Oeiras (PI), como na Diocese de Garanhuns, onde Dom Expedito terminou sua profícua existência sendo assassinado pelo Padre Hosana Siqueira.
   Padre Ágio, 97 anos de idade. Uma bênção para todo o abençoado Vale do Cariri!                                                                

Uns imortais fetichistas - Por: Emerson Monteiro

(Fetichismo, mania corrosiva de juntar coisas, sejam pequenas ou grandes. Culto de objetos materiais ou apego a eles.) Viaja-se e a bagagem vale pelas lembranças que se transporta para si ou para os outros. Morre-se e ficam relíquias, botijas, testamentos de bens materiais; os baús, as recordações dos amigos nas rodas; as histórias infalíveis, resgates insistentes.

Nisso, de contrapeso, somos hábeis em reunir motivos de fixação que nada fixam, desfeitos na paisagem móvel da existência, dias aquecidos de impermanências, lições infindas, perenes em tudo, por tudo, portanto.

Anéis e dedos, que também não ficam. Caravanas, que passam aos cães que ladram, no mesmíssimo formato dessa ópera insólita, estridente, agônica, permeada de silêncios agudos.

Sonha-se no esquecimento das horas, companheiras de pêndulos que se movem impávidos. Nuvens suaves de outono, inverno, primavera, verão. Sol, que vem e vai e fica, e nós é que vamos.

O esforço de cristalizar coisas se transforma em rochas fósseis, rochas cristais, marcas de espécies extintas no aço, no petróleo, nas enciclopédias, na lama dos guetos. Na história de bichos-alimária, cães de palha, todos, todas esfolados vivos, felizes bonecos de plástico e papelão.

Energia infinda, essa, sim, que permanece no fluir universal, na busca de Deus das criaturas. O rugir dos ventos nas folhas que se balançam e caem. O som de eras milenares em muralhas que se desmoronam, dos monumentos carcomidos e reconstruídos de suor e impulsos desconectados. As imaginações retocando civilizações que se debatem nas páginas esvoaçantes dos reinos ilusórios. Tropas em conquistas estéreis, incógnitas dramas de quem padece as derrotas. Guardadas as lanças e proporções no terço dos armamentos enferrujados, nas praças cheias de gente vaidosa, nos festins descompassados... Castelos vazios, horas calmas, madrugadas de faustos e angústias.

Nos bolsos, a imunidade, seixos frios misturam as contas do rosário de lágrimas de saudades coaxando no peito, e malas pesadas nos braços da espera infinita. Olhos fixos na miragem de invernos desconhecidos. Firmeza na voz e pigarro na garganta seca. Fora, cantam pardais, efetivos a formar outra vez velhos ninhos teimosos nos beirais das construções; a paisagem fantasmagórica do extático, testemunha do encontro definitivo.

Esse dia, desse jeito de cenário, os artesões do depois vêm elaborar fios e tecerão longas auroras, nos cabos de luzes multicolores das marcas no seio das catedrais de pedra. Notas harmônicas envolvem as palmas de um tempo que deposita estrelas nos seus filhos diletos. Aqueles velhos fetiches guardados se somam em muitos de nós, apegos desfeitos nas velhas pessoas. Serão almas livres aladas, que pairam no além, aonde o Desconhecido aguarda de braços abertos.



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