xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 17/01/2015 | Blog do Crato
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VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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17 janeiro 2015

Viva os irmãos Aniceto! Viva! –– por Ronaldo Correia de Brito


“Antônio Aniceto morreu hoje.” Recebi a curta mensagem sobre o falecimento do músico genial pelo WhatsApp. Nada mais estranho ao universo de Antônio do que uma mídia eletrônica. Ele e os quatro membros da Banda Cabaçal Irmãos Aniceto não se encantavam com nenhuma modernidade, apenas a Chapada do Araripe e os vales em torno possuíam significado real. Viajavam o mundo desejando retornar à paisagem caririense, às vidinhas simples de homens do campo e músicos da tradição. Um dia, subiram ao edifício mais alto de São Paulo e lá em cima perguntaram o que eles avistavam: o Crato, responderam. Era verdade. O Crato nunca despregava dos seus olhos.
Conheci a família Aniceto quando era criança: o pai, José, e os irmãos Francisco, João, Antônio e Raimundo, na ordem decrescente de anos. Eu havia chegado dos Inhamuns à cidade mais charmosa do interior cearense, um lugar com mata atlântica, nascentes d’água, cinemas e praças. O oposto da aridez sertaneja. Era o mês de março. Na porta de nossa casa, na Travessa Araripe, vi homens tocando pífaros de taboca, zabumba e caixa, conduzindo uma bandeira com a figura de São José. Pediam esmolas para o santo, padroeiro da Igreja do Seminário, lá no alto, ao fim de uma ladeira de pedras. Fascinado, saí acompanhando a banda, até que mamãe me alcançou e me trouxe de volta para casa. Foi um dos primeiros chamados ao universo nebuloso das artes.
Todas as festas do Crato, celebradas na cidade ou em sítios nos arredores, tinha a presença dos Aniceto. No mês de agosto, havia a novena da padroeira N.S. da Penha. Os homens subiam a serra à procura da árvore mais alta, comprida e reta, para ser o mastro da bandeira. O acontecimento ficou conhecido como a buscada do pau da bandeira, um remanescente dos rituais pagãos em que o mastro simbolizava o falo. Uma procissão de embriagados descia a serra, transportando o caule gigantesco. Quem tocava à frente, alegrando e arrastando a turba? Os Irmãos Aniceto.
E o cortejo para a malhação do Judas? Acontecia no domingo de Páscoa, depois de uma semana de brincadeiras e arruaças na quinta do Pai Véi, num sítio improvisado com pés de cana, bananeiras e cercas de vara, em algum terreno baldio da cidade. Amarravam a um tronco, no meio da quinta, um boneco com a cabeça de estopim, do tamanho de um homem. Os caretas vestidos de mulher, usando máscaras de papelão e couro de bode, alguns com barrigas postiças de grávidas e chicotes na mão, se apresentavam como filhos ou esposas do Pai Véi. Uns pândegos. Safados e fingidos, faziam trejeitos femininos, carregando nos gestos obscenos. Pediam dinheiro para beber cachaça, roubavam os sítios em volta da quinta, brigavam e às vezes se matavam. No domingo, com toda a gente caindo de bêbada, o grupo percorria a cidade, exibindo o boneco montado num jumento. Pobre Judas. Depois de lerem um testamento imoral, explodiam o simulacro e rasgavam seu corpo. Quem tocava à frente do cortejo dionisíaco? Os Irmãos Aniceto, evidentemente.
Nas entronizações, renovações, novenas, quadrilhas juninas, nos casamentos, batizados, reisados, mineiro-pau, procissões e enterros, em tudo o que se possa imaginar lá estavam os Irmãos Aniceto tocando. Eu comprara dois pratos de estanho no Recife e dera de presente à banda, mudando um pouco a sonoridade do grupo. Num tempo em que ninguém falava em mestres da cultura popular, pontos de cultura e coisa parecida, preparei uma lista de assinaturas com alguns artistas mais importantes do Brasil, e encaminhei-a ao prefeito do Crato, solicitando que fosse pago um salário mínimo mensal aos Aniceto. Apesar da fama, eles viviam em grande penúria. O prefeito mostrou-se sensível e atendeu ao pedido.
Músicos, atores, dançarinos, imitadores de pássaros e animais, fabricantes de instrumentos, contadores de histórias e pensadores, os Aniceto foram meus mestres na universidade do conhecimento humano não padronizado. Sempre os considerei homens sábios, com a mais alta capacidade de ver, ouvir, sentir e pensar. Minhas férias no Crato consistiam em visitá-los todas as noites e ficar horas conversando com eles, me instruindo sobre os mais diversos saberes. Eles tinham bem pouco e quase nada desejavam. Apesar de viverem integrados ao mundo do Cariri e do Araripe, eram cidadãos do mundo. Alcançavam o transcendente pelo simples. Riam muito, comiam com gosto, bebiam e fumavam. Nunca sofreram o mal da ansiedade. Aceitavam a ordem natural do tempo e seus acontecimentos. Jamais perguntei se eram felizes. Talvez fossem. Ser feliz significa nada temer e nada esperar? Então, eram.
                                         

Notícias & Comentários

Hoje é o Dia do Ceará
Alguém lembrou? 17 de janeiro assinala os 216 anos da emancipação do Estado do Ceará que até 1799 pertencia a Pernambuco. Neste sábado haverá uma  programação especial no município de Aquiraz, primeira capital do Estado. O dia 17 de janeiro faz parte do calendário oficial de eventos do Estado por meio da Lei nº 13.470, de 18 de maio de 2004, que instituiu a data comemorativa referenciando o dia em que o Ceará ganhou autonomia,  através da Carta Régia assinada pela então Rainha  de Portugal, D. Maria I.
Aviso aos navegantes:
“Não leia com o intuito de contradizer ou refutar, nem para acreditar ou concordar,   tampouco para ter o que conversar, mas para refletir e  avaliar” – Pensamento de Sir Francis Bacon.
Perguntar não ofende
Em 2013 foi anunciado, com estardalhaço,  que seria implantado um distrito industrial em Crato. Mais do que isso: nossas autoridades municipais alardearam que já estava em fase de legalização uma área de 125 hectares, localizada no bairro Vila São Bento,  para ser indenizada e destinada a essa implantação.  Passados quase dois anos é pertinente a pergunta: Como andam as providências para tornar realidade o tão sonhado  Distrito Industrial de Crato?   
                                                                      Circulando novo número da revista Cariri
 Já se encontra à disposição dos interessados – nos postos de distribuição, em Crato na panificadora P & C – o nº 18 da revista “Cariri”, com capa trazendo Alemberg Quindins, criador da Fundação Casa Grande.
 A biografia do novo governador
Para os cratenses ufanistas (e para quem votou no atual governador do Ceará), transcrevo abaixo a biografia de Camilo Santana, postada no site do Governo do Estado. A conferir.
“Camilo Santana tem 46 anos, é casado e pai de dois filhos. Nascido no Crato, é engenheiro agrônomo, professor e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará (UFC).  Servidor público federal concursado, ocupou a superintendência adjunta do Ibama no Ceará em 2003 e 2004.
 No primeiro Governo Cid Gomes (2007/2010), tornou-se secretário do Desenvolvimento Agrário do Estado. Implantou importantes projetos que melhoraram as condições de vida dos agricultores, proporcionando linhas de crédito, equipamentos, assistência técnica e seguro safra para milhares de produtores rurais.
 Em 2010, foi o deputado estadual mais votado do Ceará, eleito com mais de 131 mil votos. No segundo Governo Cid Gomes, Camilo assumiu a secretaria das Cidades, quando impulsionou no Ceará o programa “Minha Casa, Minha Vida” e grandes projetos urbanos e ambientais, como o Maranguapinho e o Cocó. Camilo Santana foi eleito governador do Ceará em 2014”.
Campanha da Fraternidade 2015
Com o tema: “Fraternidade: Igreja e Sociedade” e tendo por o lema: “Eu vim para servir”, a Campanha da Fraternidade de 2015 será aberta na Diocese de Crato – por Dom Fernando Panico – no próximo dia 18 de março, quarta-feira de Cinzas, na Catedral de Nossa Senhora da Penha. Antes disso, será realizado – nos dias 30 e 31 de Janeiro de 2015 – no Centro de Expansão Dom Vicente Matos, um seminário de formação e animação para divulgar a Campanha da Fraternidade 2015, nas 55 paróquias que compõe a Diocese de Crato.
Padre Acúrcio
O vice-reitor do Seminário Diocesano São José de Crato – Pe. Acúrcio Barros – um sacerdote sério e culto, esteve – na semana passada – em Caxias do Sul (RS) pregando o retiro para a Congregação de São José (mais conhecida como Josefinos de Murialdo), no ano que esses religiosos comemoram o centenário de sua chegada ao Brasil. Essa congregação foi fundada por São Leonardo de Murialdo (1826-1900) -- foto à direita --  um sacerdote italiano nascido em Turim, que gostava de repetir a frase: “Estamos nas mãos de Deus, estamos em boas mãos”. A espiritualidade de São Leonardo de Murialdo tem por base o amor misericordioso de Deus, capaz de perdoar, reerguer e sustentar o caminho do cristão e do religioso e sacerdote, principalmente diante da fraqueza e do pecado.
Pobre Brasil
As notícias da semana que hoje termina ajudaram a piorar a baixa estima que tomou conta dos habitantes deste país. E não falo da Operação Lava Jato que apura  roubalheira da Petrobrás, outrora uma “empresa orgulho” e hoje uma vergonha para os brasileiros. A notícia de mais destaque da semana foi o fato de mais de 500 mil candidatos terem zerado a nota de redação no Enem. A maioria desses jovens nunca recebeu incentivo para o hábito da leitura. Nem em casa, nem nas escolas. Resta a pergunta: Como pode melhorar econômica e socialmente um país que apresenta esse quadro com meio milhão de jovens tirando zero na prova de redação?
                                                                   

Limpar o coração - Por: Emerson Monteiro

Abrir a gaiola daqueles pássaros ali prisioneiros nas horas de ausência dos gestos agradáveis e que deixaram de seguir seus trilhos no voo da continuidade, energias retidas de objetos que jamais haveriam de invadir corações leves, no entanto que assim o fizeram e agiram por conta só dos caprichos e do personalismo das dificuldades em conter instintos de dominação e sentimentos contrariados. Lavar com gosto o teto da visão na alma, purificar os instantes do passado e flutuar ao ritmo das canções de esperança e fé. Polir pálpebras do amor enquanto sintoma de pureza a nascer, crescer e preservar a espécie das saudades desnecessárias.

Por vezes hálito forte das tardes sertanejas pede com veemência isto de varrer as varandas do Universo disso, da poeira cósmica que dormiu nos lugares impróprios sobre pecados inventados pela rebeldia, preguiça moral que têm os momentos de parecer criar raízes dentro do espaço já estrito da pessoa, e fica ali remexendo de teimosa intrusa. Porém que aguarda atitude reverente da sabedoria quando as dores principiam incomodar e reclamam aquilo de abrir a grade das gaiolas do recalque e despachar corpos estranhos aonde jamais haverão de voltar.

Essa procura de iniciativa parece comprimir muitos indivíduos nas fieiras intermináveis da contrariedade vagando esse mundo, fase especializada em pedir bênçãos dos Céus rumo da Paz. Contudo tal anseio interessa com prioridade pessoas que sofram esses achaques e amargurem fechamento de rancores no interior da máquina sadia de sentir e viver com harmonia. Urgente providência, pois, limpar o coração, que representa sobremodo grandeza e inteligência espiritual perante os dias, que correm céleres no sentido das soluções definitivas do desejo humano de quem representa qual sujeito os desejos da felicidade.

Numa espécie de convite ocasional, segue isso de limpar o campo do território na cama da tranquilidade e aguardar bons filmes projetados na tela dos bons resultados. Palavras que saem dos dedos, escorrem no forma das horas, e preencher o firmamento da oração fervorosa da limpeza.


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