04 janeiro 2015

Sonhos, coração do cérebro - Por: Emerson Monteiro

Enquanto o coração tem seu sentido completo de emoções e sentimentos, o cérebro vive ali na vizinhança rejeitado da arte, da imaginação, carregando o fardo de sucessivas respostas matemáticas aos desafios cotidianos, qual burro de carga do parceiro que sonha a realidade na poesia, na beleza da realidade luminosa que já existe dentro da própria essência.

Na sequência natural das ações de cumprir a sobrevivência que transporta o dever carrega qual destino, o cérebro trabalha vazio de si mesmo qual Sísifo a empurrar, ladeira acima, a pedra dos dias. Dias áridos de escritório e máquinas, avassaladores momentos da coragem que conduz, satisfeito só nas horas certas da alimentação da matéria prima do sustento desse território gélido de emoções, a processar planos e estratégias de confrontar perguntas e oferecer respostas inadiáveis de nutrir, reinventar as vontades solitárias do caminho, longo berço estirado aos seus pés até o sepulcro.

Nisso, a natureza desenvolve os sonhos ao cérebro, nas horas mortas do sono, quando ele aclama a lida e repousa noutros níveis de pulsação, revendo as lembranças do que passou e explorando territórios misteriosos da sombra, lugares de que tanto ouviu falar, mas desconhecerá bem cedo na rotina lá fora quando revestirá a máscara no movimentar da gente, condenado ao esquecimento. Trabalha aventureiros esses lugares da arte, concessão que recebe de brinde na ração das madrugadas, pacotes que desconhecerá tão logo amanheça o dia e a intensidade da luz do Sol penetrar as fibras da carne e acordar o corpo que pertence aos dois, enquanto o outro passeia nas estrelas.

Desse jeito, vivendo bem perto de si no seu vizinho do lado, longe e perto ao mesmo tempo, ambos trabalham as experiências de tocar adiante a busca de sentido que servira a ele e ao senhor do sonho, que os faz manter a caminhada dos sentidos, da mente e das certezas certas das vidas.