xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> Segredo e Revelações da História do Brasil por Laurentino Gomes (*) | Blog do Crato
.

VÍDEO - CONVERSA FRANCA - O DESCASO NO CRATO - Dihelson Mendonça ( 30-11-2017 ).
Estamos de volta com as transmissões da TV Chapada do Araripe ( E agora, com alguns programas ao vivo ). Serão vários programas abordando temas diversos, como a realidade da nossa região, do Ceará e do mundo; Programas científicos, atualidade, entrevistas, e transmissão de eventos ao vivo. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



Comunidade Cratense no Facebook - Mais de 25.000 seguidores. Clique em Curtir e adicione a sua Foto !

14 novembro 2015

Segredo e Revelações da História do Brasil por Laurentino Gomes (*)

Adelaide, a  gaúcha responsável pela Proclamação da República
Nesta foto de 1923 a Baronesa de Triunfo, já idosa, aparece cercada de oficiais do Exército, influindo o general Euclides Figueiredo, pai do também general João Batista Figueiredo, último presidente do regime militar iniciado em 1964
No meu novo livro, "1889", procuro jogar luzes sobre uma personagem relativamente desconhecida na história republicana brasileira. Trata-se da gaúcha Maria Adelaide Andrade Neves Meireles, a Baronesa de Triunfo, pivô de um caso de amor e ciúmes envolvendo o marechal alagoano Manoel Deodoro da Fonseca e o senador liberal Gaspar da Silveira Martins. Em 1883, quando era presidente da Província do Rio Grande do Sul, Deodoro perdeu para Silveira Martins a disputa pelo coração da baronesa que, segundo testemunhas da época, seria uma viúva bonita, quarentona e fazendeira na região de Rio Pardo. Desse episódio surgiu uma rivalidade que teria desdobramentos na Proclamação da República.
Como explico no livro 1889, em momento algum do dia 15 de Novembro de 1889 Deodoro proclamou a república. Apenas liderou o golpe militar que derrubou o gabinete do Visconde de Ouro Preto, acusado pelo marechal de perseguir o exército e seus oficiais. Deodoro só mudou de posição e concordou com a troca de regime na madrugada do dia 16 ao saber que o imperador Pedro II chamara para compor um novo ministério o seu rival Gaspar da Silveira Martins. A república teria em Maria Adelaide, portanto, uma madrinha secreta, que existência raramente aparece nos livros da História oficial.
Desse episódio, restam algumas perguntas:
1) Por que a história de Maria Adelaide é hoje tão pouco conhecida?
Acredito que a ninguém nunca interessou muito a divulgação dessa história porque ela em nada contribuía para a formação de uma mitologia militar e republicana que se desenvolveu nos anos que se seguiram à Proclamação da República. Depois do Quinze de Novembro, Maria Adelaide se tornou uma espécie de protetora dos veteranos militares gaúchos que participaram da troca de regime. Recentemente recebi do coronel e pesquisador gaúcho Luiz Ernani Caminha Giorgis, presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil/Rio Grande do Sul, uma foto de 1923, na qual Maria Adelaide, já idosa, aparece cercada de oficiais. Entre eles estava o então capitão Euclides Figueiredo, futuro general e pai do também general João Batista Figueiredo, o último presidente do regime militar de 64. Euclides era assessor do general Setembrino de Carvalho, então ministro da Guerra, que também aparece na foto junto com o general Eurico de Andrade Neves, filho Maria Adelaide. Esses homens, obviamente, não tinham qualquer interesse em incluir na história republicana um episódio de amor e ciúmes envolvendo a madrinha deles, o marechal Deodoro da Fonseca e seu rival senador Gaspar da Silveira Martins. Por conveniência, Maria Adelaide foi, portanto, relegada às sombras da história oficial da República.
2) Quem era, de fato, a Baronesa de Triunfo?
R – Maria Adelaide era filha do general Andrade Neves, herói da Guerra do Paraguai que, em razão dos bons serviços prestados ao Exército brasileiro, recebera do imperador Pedro II o título de Barão de Triunfo. No Segundo Reinado, os títulos de nobreza não eram hereditários, portanto Maria Adelaide, embora fosse filha de barão, não era baronesa. Ainda assim ficou conhecida como Baronesa de Triunfo. Além de bonita, era inteligente e líder política da região. Tinha bom relacionamento com os  jovens estudantes da Escola Militar de Rio Pardo, um dos focos da propaganda republicana e localizada diante de sua casa, o que lhe teria valido o título de “mãe dos soldados”.
3) O que se sabe sobre a relação dela com o Marechal Deodoro da Fonseca?
R – Muito pouco. As fontes que eu li fazem referências muito sumárias à atração exercida por Maria Adelaide sobre o marechal alagoano que, por sinal, naquela altura já era um homem bem casado. Deodoro casara-se em Cuiabá, em 1860, com Mariana Cecília de Sousa Meireles, órfã de um capitão do exército e um ano mais velha do que ele. O casal nunca teve filhos.
4) E quanto à relação dela com o senador Gaspar Silveira Martins? Existe comprovação documental disso?
R – Nesse caso, os detalhes são um pouco maiores, mas ainda assim obscuros. Silveira Martins era um homem charmoso e intelectual que, entre outras coisas, recitava de cabeça poemas de Shakespeare em inglês. Era também chamado de “O rei do Rio Grande do Sul” na corte do Rio de Janeiro devido a sua enorme influência na política regional. Sua relação com Maria Adelaide teria começado depois de um acidente a cavalo próximo à fazenda dos Andrade Neves. O senador teria saído do animal e quebrado uma perna. Em seguida, teria ficado um mês sob os cuidados de Maria Adelaide, período em que o romance entre os dois teria se iniciado. Segundo a publicação Rio Pardo 200 Anos, depois de recuperado ao acidente, Silveira Martins viajava de trem de Porto Alegre a Rio Pardo, sob disfarce,  para se encontrar com a viúva. Ainda conforme essa publicação, costumavam passear por uma fonte que, em razão disso, até hoje é conhecida como Fonte da Baronesa.
5) O quanto decisiva essa história de amor e ciúmes teria sido na Proclamação da República?
R – Com base nos livros que li durante a pesquisa, pude perceber que o suposto romance com Maria Adelaide foi um fator apenas secundário na troca de regime. Deodoro da Fonseca e Silveira Martins eram, na verdade, inimigos irreconciliáveis na política gaúcha. No final de 1888, Deodoro estava em Mato Grosso, praticamente desterrado pelo governo imperial, que o queria longe do Rio de Janeiro, quando recebeu a notícia de que Silveira Martins acabara de ser nomeado para a presidência da província do Rio Grande do Sul. Foi a gota d’água em um pote que já transbordava de mágoa. Irritado com o que julgava ser uma afronta direta aos seus brios pessoais, o marechal abandonou o posto mato-grossense sem antes pedir autorização e tomou um navio de volta para o Rio de Janeiro, onde proclamaria a república na madrugada de 16 de novembro de 1889 ao saber que o imperador Pedro II chamara o mesmo Silveira Martins para compor um novo ministério no lugar do Visconde de Ouro Preto.
Em resumo, a Baronesa de Triunfo é um personagem importante para entender os movimentos de Deodoro da Fonseca em novembro de 1889, mas seria um erro atribuir a ela o papel principal nos acontecimentos que levaram à queda da monarquia e à proclamação da república no Brasil. Ela é apenas detalhe pitoresco e instigante no panorama em que se desenrolou esse grande acontecimento da História do Brasil.
(*) Laurentino Gomes, jornalista e historiador.

0 comentários:

Postar um comentário

Visite a página oficial do Blog do Crato - www.blogdocrato.com - Há 10 Anos, o Crato na Internet.


Edições Anteriores:

Dezembro ( 2017 ):

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 30