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31 outubro 2015

“Dádivas” de Abidoral Jamacaru e dos seus amigos


As trombetas do tempo, não apocalípticos ainda, já antecipam os estertores deste duro, mais ainda ano bom de 2015. Precisamente hoje, último dia do antepenúltimo mês, amanheceu chovendo na terra encantada do Cariri cearense, anunciando safras prenhes de estórias e canções. Tudo previa uma manhã dadivosa.
Como vem ocorrendo ao longo deste ano, todo sábado, bem cedo, bato à porta da casa verde de duas janelas, número 247, da rua José Carvalho, centro do Crato. É a casa de Abidoral Jamacaru, bardo, trovador, menestrel, cantador, similar aos bluesmen “do sul de lá onde Washington é a capital de tudo" (Geraldo Urano dixit) e aos mariachis de um pouco mais embaixo. Para os amigos mais próximos ele é simplesmente Bida. E pra mim, desde janeiro, é também meu professor (e mestre) de violão, que me concede dádivas, mesmo que em dose homeopáticas, em forma de cifras, harmonias e canções.
Precisamente hoje fui com uma cobiça a mais: receber, de suas mãos e em primeira mão, o seu novo disco, não à toa chamado “Dádivas - amigos e canções de Abidoral Jamacaru”. Recebi-o, com uma dedicatória preciosa: “ao grande amigo e compositor Rafael. Com carinho, Abidoral”. Já bastaria ser considerado um grande amigo. Agora ser chamado de compositor, vá lá, é mais uma de suas generosidades.
Escutar o disco é um exercício prazeroso. São treze canções (número cabalístico pra quem conhece um pouco o lado esotérico de Abidoral) e um repertório que sintetiza uma longa, árdua e ardorosa carreira musical, iniciada no início dos anos 1970, nos saudosos festivais da canção do Cariri. Treze canções interpretadas por uma plêiade enorme de amigos cantadores e tocadores, de todo o Ceará, do litoral ao sertão, do Cariri a Fortaleza.
Nesses quase meio século de vida artística, Abidoral, ao mesmo tempo, pouco e muito mudou. É o mesmo cara simples, que mora ainda na mesma casa que herdou dos pais; cozinha para si e lava a própria roupa, varre a calçada diariamente e rega o pequeno jardim que cultiva nessa mesma calçada. Sobrevive, em parte, dando aula de violão, mas persegue uma busca espiritual que o transforma diariamente e inspira suas composições. Ou seja, nunca deixou de ser ele mesmo, mas nunca se contentou consigo. Ele lapida coisas sublimes e nessa jornada ele compartilha seus tesouros. E suas mais valiosas joias são suas canções.
O disco traz composições já conhecidas e algumas inéditas, em termos de gravação. As “veteranas” são “Incomensurável’, a única em que Abidoral canta, dividindo com o Ex-Perfume Azul Lúcio Ricardo; “Pra ninar o Cariri”, entoada coletivamente por Aquiles Sales, Eveline Limaverde, Fatinha Gomes, João do Crato, Pachelly Jamacaru e Samira Denoá; “Lá de dentro”, cantada por Luiz Carlos Salatiel e Samira Denoá, que carrega no vocal com tons operísticos;” “Vou no vento”, uma bela ciranda cantada por Richell Martins e Marta Aurélia; “O peixe”, engajada parceria de Abidoral com o poeta-mor Patativa do Assaré, interpretada por Amélia Coelho (do Zabumbeiros Cariris) e Orlângelo Leal (do Dona Zefinha); “Canção viagem”, que se transmutou em um vibrante reggae na interpretação da banda Liberdade & Raiz e do “peleja” Hoosevelt Ramalho; “No princípio”, com João do Crato e Mariana Andrade, e “Mais cedo, mais forte”, cedida do disco “Warakidzã”, de Geraldo Júnior. As “novatas” são “Dádiva”, gravada “em família” por Teti e seus filhos Pedro e Flávia Rogério (e mais Júlia Fiore); “A cor mais bonita”, com Edmar Gonçalves e Calé Alencar; “Nenenzinho”, nas vozes de Clarice Trummer, Bárbara Sena, Eugênio Leandro e Tarcísio Sardinha; “Cantei”, letra de Abidoral musicada pelo exímio violonista Nonato Luiz e interpretada por Marcus Caffé e Rodger Rogério, e “Estrelas riscantes”, com Aparecida Silvino e Gustavo Portela.
Não poderia deixar de registrar a participação mais do que especial de Lifanco, que junto a Eugênio Leandro, fez a direção musical. Muito menos da bela capa do disco que traz uma singela foto da casa de Abidoral (e meu endereço certo todas as manhãs de sábado) de autoria de Evandro Peixoto.
Nem precisa dizer que um disco-tributo a Abidoral, com tão talentosos participantes e tantos ricos detalhes, seja algo que deva ser celebrado alegre e efusivamente, como se fosse um presente antecipado do Natal que se aproxima.
Portanto, feliz Abidoral e próspero disco novo!

Carlos Rafael Dias
Crato, 31 de outubro de 2015

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