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02 julho 2015

Funceme prevê 85% de chances de seca em 2016

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Fortaleza. A quadra chuvosa de 2015 no Ceará teve precipitações 30,1% abaixo da média, conforme análise da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), divulgada ontem. De fevereiro a maio deste ano choveu apenas 424,6 milímetros no Estado, quando o esperado era de 607,4 mm, tendo como base a climatologia histórica (1980-2009). Se até dezembro próximo, durante a época da pré-estação, não ocorrerem precipitações de forma satisfatória, esta poderá ser a pior seca de quatro anos no Ceará desde 1910.

A situação é ainda mais alarmante levando em conta as projeções para 2016. Segundo o órgão meteorológico cearense, as águas do Oceano Pacífico estão 2,5 graus Celsius acima do normal para esta época do ano, o que configura 85% de chance de haver El Niño entre dezembro de 2015 e fevereiro de 2016. O fenômeno climático provoca a descida de ar na região Nordeste do Brasil, dificultando a formação de nuvens de chuva e afetando a quadra invernosa.

"Pelo que as projeções indicam, a preocupação com o quinto ano de seca tem que ser levada muito a sério", considera o presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins. Em 2015, o Ceará, assim como toda a parte norte do Nordeste Brasileiro, sofreu a influência negativa do El Niño.

A falta de chuva afeta diretamente a recarga dos reservatórios, assim como a agricultura de sequeiro, que não utiliza sistemas de irrigação e depende apenas da água que vem do céu. Dos quatro anos seguidos de seca que o Estado enfrenta, o pior foi 2012, levando em conta os índices pluviométricos. Entretanto, no que diz respeito ao nível dos açudes, este ano tem se apresentado com o cenário mais preocupante. Em junho de 2013, o nível dos açudes cearenses estava em 43%. No mesmo período do ano seguinte, havia 32% da capacidade acumulada, enquanto, em 2015, há apenas 18,8% nas represas do Estado, devido ao impacto acumulado.

Déficit

Na estação chuvosa de 2015, não houve nenhum mês em que as precipitações tenham sido na média ou acima dela. Em fevereiro, o desvio negativo foi de 23,9%. Já em março, mês em que mais choveu durante toda a quadra, a pluviometria foi de 13,1% abaixo da esperada, sendo considerada pela Funceme "em torno da média". Em abril, o déficit de chuvas foi 40% menor do que o normal, e em maio, o desvio negativo foi de 56,6% .

Em comparação com o ano anterior, o período de fevereiro a maio de 2015 foi pior que o de 2014, em relação à quantidade de chuvas. No ano passado, as chuvas ficaram 24,2% abaixo da média. Em 2013, as precipitações foram 40% menores do que os registros históricos, e em 2012, pior ano da seca, choveu 50% a menos do que o esperado.

Pós-estação

Embora a quadra chuvosa no Ceará tenha encerrado em maio, têm sido registradas ocorrências de algumas precipitações, principalmente no centro-norte do Estado. Estes eventos são ocasionados por fenômenos conhecidos como Ondas de Leste, característicos do período da pós-estação invernosa.

Entretanto, apesar de alimentarem a esperança da população, estas precipitações são insuficientes para recarregar os reservatórios, sendo esperados apenas 37,5 mm, 15,4 mm e 4,9 mm, nos meses de junho, julho e agosto, respectivamente. "Se você olhar a climatologia do Ceará, 70% das chuvas ocorrem na estação chuvosa", lembra Eduardo Sávio Martins.

A região do Estado mais acometida pela falta de chuvas em 2015 foi a jaguaribana, apresentando desvio negativo de 42%, seguida pelo Sertão Central e Inhamuns (-37,5%) e região da Ibiapaba (-32,7%).

Por outro lado, a parte do Estado que menos sofreu com a baixa pluviometria em 2015 foi a macrorregião do Litoral de Fortaleza, que teve 9,2% de chuvas abaixo da média. O Litoral Norte e o Litoral do Pecém também se aproximaram de suas marcas históricas, porém, ficaram abaixo do esperado, com desvios percentuais de -14,8% e -11,9%, respectivamente.

Dos 153 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh), 112 estão com volume inferior a 30%. Apenas três reservatórios, de pequeno porte, estão com volume acima de 90%.

A maior seca já registrada no Estado aconteceu de 1979 a 1983, com cinco anos seguidos de poucas chuvas. Caso o próximo ano também seja de precipitações insuficientes, o período contemporâneo poderá ficar marcado como a pior seca enfrentada no Ceará, de acordo com os registros históricos.

Bruno Mota
Repórter

Diario do Nordeste - Regional

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