xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> O Crato que vive em mim - Luiz Domingos Luna | Blog do Crato
.

VÍDEO - Estamos de volta com as transmissões da TV Chapada do Araripe ( E agora, com alguns programas ao vivo ). Serão vários programas abordando temas diversos, como a realidade da nossa região, do Ceará e do mundo; Programas científicos, atualidade, entrevistas, e transmissão de eventos ao vivo. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



Comunidade Cratense no Facebook - Mais de 25.000 seguidores. Clique em Curtir e adicione a sua Foto !

16 junho 2015

O Crato que vive em mim - Luiz Domingos Luna

Era tempo de sonho azul {o nome do trem}; no restaurante, o condutor – Passagem eu entreguei – o condutor – Crato – sim; Crato - Ok – Eu, onde fica o Crato? - não se preocupe, é no final da viagem, em não sabendo, espere até as janelas serem fechadas. O trem chegou ao final da linha; esperei o fechamento das janelas, e aí, com uma malinha de couro curtido e de fechadura de metal, saí por aí, a ermo, sem muita opção, fui aos pés da Estátua do Cristo Redentor, na Praça Cristo Rei, em Crato, e, sem nenhuma preocupação, comecei a rezar bem alto, bem alto, mesmo; eu rezava e o ponteiro dos segundos do relógio bem grande no pedestal acompanhava num ritmo bem legal.
Diante daquela cena um tanto quanto esdrúxula, foi aparecendo gente, e mais gente para assistir o meu pobre espetáculo; de repente, não mais que de repente, chegou um repórter em um fusca branco; parou, pegou seu material de trabalho, um gravador de fita cassete, com pilha, e um microfone para me entrevistar; o repórter era J. Lindemberg de Aquino. - Seu nome por favor? Respondi; sua idade 14 anos; está fazendo uma promessa na Estátua de Cristo Redentor; sim, respondi. - Está fazendo uma promessa para o Crato? Respondi, não; estou fazendo uma promessa pra ser bem acolhido pelo povo do Crato.
O repórter riu muito e falou para mim: - Você já fez algum lanche hoje, pois já era quase que 10h de uma segunda-feira do ano 1976; - não, respondi; - pois me acompanhe; assim fiz, entrei em seu fusca cor branca e ele falou que nós iríamos lanchar na Cinelândia, uma lanchonete localizada na Praça Siqueira Campos; durante o lanche ele perguntou onde eu iria ficar e estudar; respondi: - Vou estudar no Colégio Diocesano do Crato, e ainda não sei onde morar. Sem muitas delongas, ele foi me deixar no pensionato de D. Alice, em frente ao Cemitério; mas antes da despedida ele deixou o seu cartão com o seu endereço, Rua Miguel Limaverde, Edifício Maia, 1.º andar, n. º24, Centro, Crato - Ceará. Depois dos trâmites da parte burocrática feita pela Secretaria do Colégio Diocesano, com secretária Celide, finalmente o coordenador me levou para a fila, o Prof. Boanerges; depois do hino, localizei minha sala; as cinco primeiras filas eram sempre de costume preenchidas pelas meninas; eu fiquei em pé; o professor chegou e disse: - Você vai ficar aí em pé para assistir as aulas? Respondi que sim, mas não tem lugar para você, retruquei: - Não tem problemas, eu assisto aula em pé mesmo; o professor: - Meninas, tem algum lugar para ele aqui na frente? As meninas, como num coro ensaiado, - não!!! Um sonoro não!!!! – Oh, professor, não seria melhor você ir lá para trás? –Eu, não, vou ficar aqui na frente; nisto uma colega minha de nome Beatriz falou: - Professor, se ele conseguir ficar aqui na frente, ele não demora mais que uma semana, pois é o tempo em que vou morar em Fortaleza; e não deu outra, em uma semana estava eu lá, na carteira de Beatriz. Minhas colegas de fila: Mônica, Alessandra, Ana Cristina, Ana Leokádia, Ceiça, Nevinha, Lucinha, Kaola, e no centro da fila, eu; ninguém falava comigo; eu me sentia sozinho no meio das colegas. Próximo à avaliação de Física, pelo Prof. César que, inclusive, residia na Escola, é que, eu escutava que as minhas colegas não iriam se dar bem; e elas não faziam questão de dizer isso abertamente; de posse desta informação valiosíssima para mim, estudava Física de forma integral; não deu outra, consegui a nota máxima e, o melhor, a atenção da meninas. Elas: - Domingos por que você é tão orgulho? Eu: - Como eu sou orgulhoso se vocês não falam comigo. - A gente não fala porque nós estávamos esperando você falar primeiro. - O que vocês querem? - Queremos aulas de Física na casa da Mônica, no bairro do Pimenta; pode ser? - Quantos dias? – Dois dias, quarta e sexta-feira. - Certo? - Certo nada, não confio em vocês; agora se vocês me pagarem logo, começo na sexta. - Quanto? - 10,00 reais por semana, cada uma, em valores atualizados. Ora cada uma tinha calça cocotinha; toda cratense usava calça cocotinha; tinha bolso para todos os lados e zíperes nem se fala; quando dei conta de mim, o dinheiro das sete já estava completinho em minhas mãos. Fui para a casa da Mônica, no Pimenta, como constava no endereço; Mônica disse após a aula: - Domingos, você está feliz em morar em frente ao Cemitério; eu respondi: - Não ela quis saber o por quê? Eu falei que a mensalidade era muito alta para mim. - Ela e seu pai podem conseguir uma bela morada para você; você aceita? - Com certeza, sim. Mônica era muito determinada e adorava ajudar os colegas carentes; dali mesmo, as sete partiram rumo à Rua Pedro II, em um Maverik cor vermelha dirigido por Ana Cristina; chegando lá, as minhas sete advogadas, alunas e colegas, convenceram o Prof. Edmundo Milfont a me aceitar como inquilino na sua própria residência; o bom velhinho contava com a idade de 75 anos, mas diante da algazarra das meninas, retrucou: - Eu só aceito o menino de Aurora, que virou um problema para vocês, após uma duríssima entrevista com ele, pois detesto emoção e vocês estão muito emotivas. As meninas: - Quando a entrevista, professor; pode ser agora!!! As meninas saíram às pressas no Maverik e me pegaram na Rua Nélson Alencar, e eu fui saber do fato na Praça da Sé, Catedral do Crato; a Monica dizia: - Capricha, Domingos, a vaga é sua, confie em nós; eu fiquei em frente ao professor Edmundo Milfont durante uma hora, numa entrevista dura e ríspida; ele tocou a campainha, as meninas chegaram em peso; - Aí, professor - perguntaram todas de uma só vez, ao que o bem velhinho respondeu: - Aprovado!!! Aprovado com nota máxima. As meninas vexadamente pegaram as minhas bagagens no Pensionato de D. Alice e levaram para a Rua Pedro II e, à noite, com a permissão do bom velhinho, fomos comemorar na Boite Aquarius, na linda cidade de Crato. Trabalho doado com exclusividade ao blog do Crato.

0 comentários:

Postar um comentário

Visite a página oficial do Blog do Crato - www.blogdocrato.com - Há 10 Anos, o Crato na Internet.


Edições Anteriores:

Setembro ( 2017 ):

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30