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08 junho 2015

Maior longevidade leva ao aumento de casos de câncer, diz professor da USP

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O total de casos novos de câncer atingiu 14,9 milhões no mundo, em 2013, com alta de 75,6% em comparação a 1990. Já a proporção de mortes por câncer evoluiu de 12%, em 1990, para 15%, em 2013, quando a doença vitimou 8,2 milhões de pessoas. Os dados constam do estudo Fardo Global do Câncer 2013, publicado por um grupo de pesquisadores no Journal of the American Medical Association, no fim de maio, com dados relativos ao período de 1990 a 2013. Foram pesquisados 28 tipos principais da doença em 188 países.

O estudo comprova o aumento do número de casos novos de câncer em todo o mundo e também no Brasil, bem como o número de óbitos. Em função do envelhecimento populacional, a maior incidência de tumores ocorre nas pessoas mais idosas. “Como as pessoas estão vivendo mais e as causas de óbitos anteriores, por doenças infecciosas, vêm caindo, devido a tratamentos mais efetivos e a campanhas de vacinação, o número de óbitos por câncer subiu bastante”, disse hoje (8) à Agência Brasil o professor da Escola de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Itamar Santos. Ele integrou o grupo de pesquisadores liderados pela Universidade de Washington, ao lado do também professor da USP Paulo Andrade Lotufo.

Em termos globais, o câncer é a doença que mais mata no mundo, depois das doenças coronarianas. Santos advertiu, entretanto, que como os tratamentos contra o câncer têm evoluído também, “é de se esperar que o número de óbitos não acompanhe o ritmo do número de casos diagnosticados”. Ele destacou que, além disso, existem métodos de diagnóstico muito sensíveis, que “a medicina ainda está aprendendo a usar”. Essa é uma razão também para que o número de casos novos aumente mais que o de mortes, indicou.

Somando homens e mulheres, o tipo de câncer que mais mata no mundo é o de pulmão. Em 2013, foram 1,64 milhão de vítimas. No Brasil, foram em torno de 29 mil mortes, contra 15,6 mil, em 1990. Entre as mulheres, o câncer de pulmão matou 485 mil pessoas no mundo, em 2013. Em seguida, veio o câncer de mama, com 464 mil mortes.

Entre os homens, o câncer de próstata foi o que mais vitimou no mundo, em 2013, com 292,7 mil mortes. No Brasil, foram 17,7 mil vítimas, aparecendo em segundo lugar, após 18,7 mil casos de óbitos por câncer de pulmão.

Itamar Santos disse que, no caso específico do câncer de próstata, há instituições internacionais de renome que não recomendam o rastreamento por indivíduo, a não ser que ele apresente sintomas da doença. “E populacionalmente, a evidência que existe é que não compensa fazer esse rastreamento, porque o benefício que se tem do tratamento não compensa os riscos”. O problema, sustentou, é fazer isso em pessoas assintomáticas, só baseado na idade. Ele reconheceu, por outro lado, que essa posição acarreta muita discussão em todo o mundo.

A incidência de câncer de próstata no Brasil cresceu 414% entre 1990 e 2013, enquanto a mortalidade por esse tipo de doença aumentou 177%. O pesquisador reiterou que o número de mortes quase triplicou porque “a idade média da população aumentou, e também pelo fato de se ter mais acesso a exames diagnósticos, que facilitam saber a causa de óbitos”. O número de casos novos multiplicou-se por cinco no período investigado.

Itamar Santos salientou que, quando se fala em câncer, está se abordando várias doenças diferentes, e para cada uma delas há uma estratégia de tratamento e, por isso, prefere não falar em prevenção. “Tem que ter uma base científica por trás”, disse ele. Quanto ao câncer de pulmão, o pesquisador lembrou que a estratégia é a cessação do tabagismo. “É um fator de risco tão forte que não há outra coisa para diminuir o número de casos”. Para o câncer de mama, existe um programa de rastreamento bem estabelecido, com mamografias para mulheres de 50 a 74 anos de idade.

A adoção de hábitos de vida saudáveis ajuda a reduzir o aparecimento de casos novos de câncer e a realização de exames e detecção precoce da doença diminuem sensivelmente a mortalidade, afirmou. Para ele, os governos poderiam contribuir com o estabelecimento de políticas públicas para cessação do tabagismo, para diminuir o número de fumantes, por exemplo, ou estimulando a adoção de hábitos de vida saudável e mesmo disponibilizando acesso “para as condições em que vale a pena fazer o rastreamento”.

Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

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