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22 junho 2015

Israel e Hamas acusados de crimes de guerra durante conflito em Gaza

 

Governo israelita e militantes palestinianos rejeitam as conclusões da investigação encomendada pela ONU. Destruição atingiu escala "sem precedentes".

937953Guerra em Gaza deixou destruição "sem precedentes" IBRAHEEM ABU MUSTAFA / REUTERS

Uma investigação das Nações Unidas concluiu que as forças israelitas e palestinianas podem ter cometido crimes de guerra durante o conflito em Gaza no Verão do ano passado. O relatório revelado esta segunda-feira refere níveis de destruição e sofrimento “sem precedentes”.

O painel de investigadores independentes – mandatados pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU – “conseguiu juntar informação substancial que aponta para violações graves do direito humanitário internacional e das leis internacionais sobre direitos humanos por Israel e pelos grupos armados palestinianos”. “Em alguns casos, estas violações podem consistir em crimes de guerra”, acrescentam.

No que respeita a Israel, os autores do relatório responsabilizam a cúpula militar pela estratégia ofensiva, dando o exemplo dos “ataques das Forças de Defesa Israelitas [IDF, na sigla inglesa] a edifícios residenciais, a utilização de artilharia e outras armas explosivas com efeitos de grande alcance em áreas altamente povoadas, a destruição de bairros inteiros em Gaza e o recurso regular a munições reais, sobretudo em situações de controlo de multidão na Cisjordânia”.

O Governo israelita questionou as conclusões da investigação, garantindo que as suas forças actuaram “de acordo com os padrões internacionais mais elevados” – para contrariar as acusações presentes no relatório da ONU, o Ministério dos Negócios Estrangeiros deu como exemplo um outro documento, de Março, publicado pelo Jewish Institute for National Security Affairs, um grupo de interesse norte-americano pró-Israel, que corrobora a versão de Telavive.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, qualificou o documento como “enviesado” e atirou acusações aos seus autores. “A equipa que o redigiu está sob uma comissão que faz tudo excepto proteger os direitos humanos.”

Israel recusou participar na comissão de investigação da ONU à intervenção militar em Gaza, acusando o painel de ter uma presunção de culpa à partida contra as IDF. O líder da missão, William Schabas, foi mesmo substituído depois de a sua isenção ter sido posta em causa pelo envolvimento anterior com a Organização de Libertação Palestiniana (OLP).

Sem nomear concretamente o Hamas (com referência apenas para “grupos armados palestinianos”), os autores do relatório dizem ter “graves preocupações em relação à natureza inerentemente indiscriminada da maioria dos projécteis dirigidos a Israel por estes grupos armados e ao disparo sobre civis”. Há ainda a revelação de “execuções extrajudiciais de alegados ‘colaboradores’”.

O dirigente do Hamas, Ghazi Hamad, rejeitou as conclusões do relatório, afirmando, segundo o The Guardian, que os bombardeamentos realizados pelo grupo foram dirigidos a objectivos militares e não civis. A Autoridade Palestiniana pretende utilizar as acusações presentes no documento para apresentar um caso contra Israel junto do Tribunal Penal Internacional, ainda esta semana, segundo a imprensa israelita.

Durante 50 dias, as IDF levaram a cabo operações terrestres em Gaza, em resposta aos bombardeamentos pelos militantes do Hamas – o grupo armado palestiniano que controla a Faixa de Gaza. A ONU estima que, do lado palestiniano, tenham morrido 2251 pessoas, das quais 1462 eram civis, enquanto Israel sofreu 67 baixas militares e seis civis.

As acusações de crimes de guerra no conflito israelo-palestiniano não são novas. Na sequência da ofensiva israelita em Gaza no final de 2008, a ONU publicou um relatório em que acusava os dois lados de violações da mesma magnitude.

A invasão israelita do último ano parece, contudo, ter tido proporções mais elevadas, pelo menos na leitura da chefe da comissão, a juíza norte-americana Mary McGowan Davis. “A extensão da devastação e do sofrimento humano em Gaza não teve precedentes e irá ter um impacto nas próximas gerações.”

publico.pt

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