13 abril 2015

Releituras - Por: Emerson Monteiro

 

Revolucao-Francesa

Houve um tempo quando o inesperado complicava o meio do campo da angústia, que instinto selvagem parecia querer jogar fora a canga e destruir de qualquer jeito os quebra-mares dos sistemas de defesa, comodidades vaidosas atiravam tudo para o ar, e acendia dentro de mim fome cruel de romper os grilhões da organização pessoal, no sabor dos caprichos que aparecessem. Com isso, deixava escorrer fácil fácil o ditame das regularidades, invadia outras praias, feria suscetibilidades, a começar pela saúde interna do respeito guardado meses a fio, na malha do esforço de sofrer.
Não queria aceitar que mesmo no calor dos testes necessários habitasse o mistério do drama secular das permanências e conquistas cotidianas visando um tempo feliz. Perdia, a bem dizer, o sentido de tanto melhor das partes, porque desistia de pagar o preço da poupança da paz, naqueles momentos de chegar aos limites e merecer resultados positivos, lições que a vida traz, livre da discriminação de raça, credo, cor, sexo, idade, partido, time, filosofia, indo, nesse prumo, justificar lá adiante o querer sem a comprovação da seriedade, azeite doce da hora de receber o que se ganha, virava espécie de anarquismo crônico. Desistência e revolta. Mas, graças a Deus, isso também passou.
Já hoje, talvez isso que denominam experiência, descubro que inexiste vitória sem a luta. Noites insones, dúvidas, opiniões, renúncia. Bajulação perde a força no que tange ao valor real das sementes verdadeiras. Ninguém, de sã consciência, que aguarde pacote pronto do destino, usufrui da mera credulidade indecorosa, insuficiente, que alimentou. Pode até, nas horas vagas, parecer que ganhou um lance, porém o custo da corre solto atrás dos presságios.
Apresentou-se o desafio, logo de saída, fruto daquela árvore imensa; cresceu, no lodo e no tempo, em perguntas da justiça do merecimento. A cada um conforme o mérito, porquanto a Natureza trabalha nas bases matemáticas, soberanas, longe de peixadas sociais dos mundos tortos.
Quase uma mensagem cifrada indicou, ou plantou ontem, ou haverá de plantar agora, caso pretenda resultados sonhados no futuro. Há normas proporcionais, independentes do que funcionou ao passo da individualidade luxenta, das próprias barrigas avantajadas.
Depois de muito forcejar barras da inconsequência, nenhum vento leve conduz segredos universais só por conta dos belos olhos.
Há sempre batalhas antes da vitória. Luzes das doutrinas humanas mostram claros os primeiros acordes do dia, residência fiel da balança.
O acaso dos dados atirados ao longe indicam os passos antigos dos peregrinos. E suportar espinhos permite a maciez da rosa mais perfeita.
Ilustração: A Liberdade guiando o Povo, de Eugène Delacroix.

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