19 abril 2015

Estudante desenvolve projeto inovador utilizando drone


Empreendimento visa explorar as paisagens e pontos turísticos cearenses por novas perspectivas

dronequixada

O entorno do açude Cedro foi uma das áreas escolhidas para a experiência
fotos: pegasus drone

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Embora a vista do equipamento ainda cause deslumbramento aos visitantes, estrutura física já apresenta diversos danos, provocados tanto pelo desgaste natural como pela ação de depredadores. Município aguarda repasse do Governo Federal
Quixadá. O serviço idealizado e realizado pelo estudante de Sistemas e Mídias Digitais da Universidade Federal do Ceará (UFC), Jessé Marques, de 25 anos, está despertando o interesse de internautas para uma nova perspectiva fotográfica das paisagens do Interior do Ceará. São imagens aéreas das principais atrações turísticas e das áreas urbanas das cidades. Trata-se do Projeto Pegasus Drone, um empreendimento, por meio do qual o estudante pretende fazer o mapeamento aéreo dos principais pontos geográficos dos municípios cearenses.
A ideia surgiu no fim do ano passado, quando Jessé retornou do Canadá, onde participou de intercâmbio intermediado pelo programa do Governo Federal "Ciência sem Fronteiras". Lá, o jovem conheceu uma nova realidade e novas tecnologias, entre elas o drone, veículo aéreo não tripulado, capaz de realizar manobras por meio de um controle remoto. Jessé trouxe um destes na bagagem. O equipamento já está se popularizando no Brasil, mas, ao utilizá-lo para a finalidade de exploração fotográfica e filmagens, o estudante está sendo um dos pioneiros no Ceará.
Negócio
O universitário pretende formar parcerias com as prefeituras e a iniciativa privada para poder circular por todo o Estado fazendo o registro aéreo das atrações turísticas. Na visão de Jessé, os serviços também são úteis para planejamentos urbanos, inspeção de mananciais e de propriedades rurais e, ainda, para os órgãos ambientais. Do alto é possível examinar com mais facilidade áreas desmatadas e rios obstruídos com barragens ilegais.
Equipamento
O drone, equipado com uma câmera com resolução de 14MP para fotos e até 1080p (Full HD) para vídeos, com ângulo de visão de 140 graus, pode atingir a altura de 500 metros. A autonomia de voo é de 15 a 20 minutos, com uma bateria.
O preço cobrado pelo serviço de fotografia e filmagem aérea, segundo Jessé Marques, varia conforme o tempo de voo. Caso o cliente opte por utilizar a carga de uma bateria, o custo é de R$ 600. Com duas baterias (que equivalem a cerca de 40 minutos), esse valor passa para R$ 900. Se o cliente preferir seis cargas, o preço total é de R$ 1.800, o equivalente a cerca de 90 minutos de voo, podendo fotografar e filmar o que quiser neste período.
Para demonstrar seu trabalho, Jessé Marques criou uma página no Facebook, a Pegasus Drone, onde publica fotos e vídeos de algumas cidades visitadas por ele e sua equipe. A primeira delas foi sua terra natal, o distrito de Itapebussu, no município de Maranguape. Depois, registrou imagens da cidade e, em seguida, foi à região do Maciço de Baturité.
Experiências
O jovem registrou imagens do Mosteiro dos Jesuítas, uma das principais atrações turísticas de Baturité, assim como da vegetação serrana e da Igreja Matriz de Guaramiranga.
"A experiência foi interessante. Quando eu estava realizando o voo sobre o Mosteiro, monitorando as imagens da câmera acoplada no drone através do meu telefone celular, o meu assistente alarmou: Jessé, as andorinhas estão atacando o drone. Fui obrigado a realizar uma manobra para afastar a aeronave das palmeiras imperiais. Concluímos o trabalho sem causar mais transtornos para as aves e nem avarias no equipamento", explicou o universitário.
Paramoti e Canindé também já entraram no roteiro do projeto. Em Paramoti, Jessé flagrou o Açude Porciano sangrando.
A mais recente expedição da Pegasus Drone foi realizada em Quixadá, no fim de semana passado. O Açude Cedro e seu entorno foi o ponto preferido para o mapeamento. Utilizando a câmera angular de alta definição, algumas perspectivas da parede e de sua passarela foram observados por uma nova ótica.
O estudante universitário pretendia, também, registrar outros ângulos da "Galinha Choca", um dos monólitos mais famosos do mundo. Ficará para outra oportunidade, como também do entorno do açude, incluindo as edificações em ruínas, as quais aguardam restauro.

Reforma na área do açude requer liberação de recursos

As recentes imagens do Açude Cedro, registradas com a utilização de um drone, deixaram muitas pessoas ainda mais maravilhadas com a beleza do conjunto arquitetônico cuja obra foi iniciada quando o Brasil ainda era governado por D. Pedro II. Apesar da primeira represa pública construída no País estar apenas com 2,14 % de água, continua encantando quem a vê.
Apesar do deslumbramento com a paisagem do parque histórico, muitos se queixam da falta de estrutura, das pichações e dos pilaretes quebrados, remendados com massa epóxi.
Para resolver esses problemas a administração municipal, responsável pela manutenção da estrutura arquitetônica do açude de seu entorno, afirma se esforçar para liberar os recursos de R$ 2 milhões e iniciar o restauro. Todavia, conforme o coordenador de Projetos e Convênios da Prefeitura de Quixadá, Francisco Sousa, um impasse se prolonga entre o Ministério do Turismo (MTur) e a Caixa Econômica Federal (CEF), impedindo até a retirara dos valores necessários à elaboração do projeto e contratação de restaurador.
Ainda conforme Francisco Sousa, o Núcleo de Projetos trabalha para viabilizar o início das obras. Além da recuperação dos armazéns das máquinas, onde deverá funcionar o museu "História Viva do Cedro", haverá lojas de artesanato, a área de estacionamento será urbanizada e ainda serão construídos banheiros e um anfiteatro com uma passarela de acesso ao parque histórico. A contrapartida da Prefeitura, R$ 100 mil, já está disponível. Resta ao MTur e à CEF definirem de quem é a responsabilidade de liberar a verba adquirida através de emenda parlamentar. Até o fechamento desta edição, a reportagem não havia conseguido contato com as duas instituições federais.
Quanto estiver revitalizado, o parque passará a receber eventos culturais com frequência. Os turistas poderão ter melhor receptividade e a economia local pode ser fortalecida.

Alex Pimentel
Colaborador
Diario do Nordeste - Regional


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