xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 23/11/2014 | Blog do Crato
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VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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23 novembro 2014

A cruz de cada um - Por: Emerson Monteiro

Diz a tradição popular que quando Jesus andava com os seus apóstolos a pregar nos diversos lugares da Terra, viajando nas cidades e vilas do Oriente, cada apóstolo transportava uma cruz às costas para dar exemplo do sacrifício que aos homens representam as coisas materiais. Provavam desse modo a renúncia dos prazeres físicos. Era aquela caravana de penitentes, a se deslocar sem tréguas pelos montes e vales.

Havia aceitação de todos para seguir o Mestre, firmes a cumprir o longo itinerário da plena felicidade do Reino.

Entre eles, no entanto, de vez em quando, surgia alguém desanimado com aquilo. Atravessavam suas provas e depois refaziam o gosto de prosseguir na peleja. Certa vez, Pedro defrontou-se com um desses períodos de maré baixa. O peso de sua cruz abateu-lhe as energias e pareceu extinguir sua imensa vontade de seguir na missão redentora da Humanidade.

A princípio, conseguiu neutralizou a grave crise. Resistiu calado o quanto pôde às fraquezas, o que se repetiu dias seguidos. O madeiro que nos ombros transportava por fim sujeitou seus sonhos de purificação. Viu-se na condição inapelável de buscar Jesus e lhe contar o drama que administrava no auge desespero.

- Mas Pedro, todos nós despendemos igual esforço, a cada dia, e só tu, meu primeiro apóstolo, me vens apresentar sinais de fraqueza?! – asseverou o Pastor Divino.

- Mestre, as minhas forças... elas não querem mais me atender – insistiu Pedro. – O Senhor, com certeza, pode encontrar alternativa nessa dificuldade, pois sabe que amo Deus e guardo no meu coração o melhor de mim para lhe oferecer. Pelo que observei na estrada, a cruz dos outros parece bem mais manera do que a minha. Se houvesse jeito de poder levar uma delas, creio resolveria o tal problema.

- Bom, pelo que dizes, eis a solução – concluiu Jesus, acrescentando: – Amanhã no raiar do dia, acorde antes dos outros e tens minha autorização de escolher a cruz do menor peso que achar entre todas, e com ela seguirás a jornada.

Desse jeito fez. Ainda com escuro, são Pedro saiu na direção do quarto em que guardaram as cruzes e se pôs a calcular o peso, de uma por uma, até encontrar aquela que achou mais leve, trazendo-a consigo.

Seguiram adiante. Passava das nove. O sol começava a sapecar as planícies monótonas da Palestina. Pedro, respirando desafogado graças o fardo suave que trazia às costas, resolveu examinar de perto a cruz que arrastava. Maior surpresa viveria jamais. A cruz que transportara toda a manhã era não outra, porém a mesma dos seus outros dias. Agora saiba, de todas as cruzes daquele grupo a sua era a de menor peso. E sorriu assustado pela fraqueza que demonstrara ao Mestre.              

Em VEJA desta semana: E-mails provam que Lula e Dilma poderiam ter interrompido o propinoduto

O doleiro Alberto Youssef disse à Justiça que Lula e Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobras. Agora, mensagens encontradas pela Polícia Federal  em computadores do Planalto mostram que eles poderiam ter interrompido o propinoduto, mas, por ação ou omissão, impediram a investigação sobre os desvios

Antes de se revelar o pivô do petrolão, o maior escândalo de corrupção da história contemporânea brasileira, o engenheiro Paulo Roberto Costa era conhecido por uma característica marcante. Ele era controlador e centralizador compulsivo. À frente da diretoria de Abastecimento e Refino da Petrobras, nenhum negócio prosperava sem seu aval e supervisão direta. Como diz o ditado popular, ele parecia ser o dono dos bois, tamanha a dedicação. De certa forma, era o dono — ou, mais exatamente, um dos donos —, pois já se comprometeu a devolver aos cofres públicos 23 milhões de dólares dos não se sabe quantos milhões que enfiou no próprio bolso como o operador da rede de crimes que está sendo desvendada pela Operação Lava-Jato. Foi com a atenção aguçada de quem cuida dos próprios interesses e dos seus sócios que, em 29 de setembro de 2009, Paulo Roberto Costa decidiu agir para impedir que secassem as principais fontes de dinheiro do esquema que ele comandava na Petrobras. Costa sentou-se diante de seu computador no 19º andar da sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, abriu o programa de e-mail e pôs-se a compor uma mensagem que começava assim:
“Senhora ministra Dilma Vana Rousseff...”.
O que se segue não teria nenhum significado mais profundo caso fosse rotina um diretor da Petrobras se reportar à ministra-chefe da Casa Civil sobre assuntos da empresa. Não é rotina. Foi uma atitude inusitada. Uma ousadia. Paulo Roberto Costa tomou a liberdade de passar por cima de toda a hierarquia da Petrobras para advertir o Palácio do Planalto que, por ter encontrado irregularidades pelo terceiro ano consecutivo, o Tribunal de Contas da União (TCU) havia recomendado ao Congresso a imediata paralisação de três grandes obras da estatal — a construção e a modernização das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Getúlio Vargas, no Paraná, e do terminal do Porto de Barra do Riacho, no Espírito Santo. Assim, como quem não quer nada, mas querendo, Paulo Roberto Costa, na mensagem à senhora ministra Dilma Vana Rousseff, lembra que no ano de 2007 houve solução política para contornar as decisões do TCU e da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional.
Também não haveria por que levantar suspeitas se o ousado diretor da Petrobras que mandou mensagem para a então ministra Dilma Rousseff fosse um daqueles barnabés convictos, um “caxias”, como se dizia antes nas escolas e no Exército de alguém disposto a arriscar a própria pele em benefício da pátria. Em absoluto, não foi o caso. Paulo Roberto Costa, conforme ele mesmo confessou à Justiça, foi colocado na Petrobras em 2004, portanto cinco anos antes de mandar a mensagem para Dilma, com o objetivo de montar um esquema de desvio de dinheiro para políticos dos partidos de sustentação do governo do PT. Ele estava ansioso e preo¬cupado com a possibilidade de o dinheiro sujo parar de jorrar. É crível imaginar que em 29 de setembro de 2009 Paulo Roberto Costa, em uma transformação kafkiana às avessas, acordou um servidor impecável disposto a impedir a paralisação de obras cruciais para o progresso da nação brasileira? É verdade que às vezes a vida imita a arte, mas também não estamos diante de um caso de conversão de um corrupto em um homem honesto da noite para o dia.

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