xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 02/06/2014 | Blog do Crato
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VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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02 junho 2014

Kariri, o reencontro de um povo


Especial para o Blog do Crato

Dentre os Kariris que habitavam a parte sul das terras do Siará, segundo Capistrano de Abreu, destacavam-se os Inhamuns, habitantes dos sertões de igual nome; os Cariús, localizados, sobretudo, na serra do Pereiro e nas terras compreendidas entre os rios Cariús e Bastões; os Crateús, que se localizavam na bacia superior do rio Poti, e os Kariris, propriamente ditos, que viviam no extremo sul do Ceará, notadamente na região que viria a ser conhecida como Cariri cearense.
O historiador Irineu Pinheiro apresenta os Kariris como povos migrantes e que se estabeleceram no interior do Nordeste em tempos remotos. Seriam provenientes de “um lago encantado”, que Capistrano de Abreu acha ser o rio Amazonas. Depois de “larga peregrinação”, margeando a costa norte do Brasil, entranharam-se no território expulsos que foram do litoral pelos Tupiniquins e Tupinambás. Nos sertões, habitaram as “matas da Borborema, dos Carirís Velhos e Novos” e “fixaram-se junto ao leito de alguns rios como o Jaguaribe, o Acaraú, o Assú, o Apodí, etc”, onde permaneceram até o início da colonização dessas regiões, nas últimas décadas do século XVII. Como se mostraram renitentes à empresa colonizadora, foram dominados e aldeados, mas sem que antes tivessem resistido bravamente.
            A resistência dos Kariris aconteceu a partir de uma confederação que durou trinta anos, envolvendo tribos localizadas notadamente no Ceará, mas também em Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba. Chamada pejorativamente de “Guerra dos Bárbaros” foi uma reação ao avanço de poderosos sesmeiros que se apossavam das terras ocupadas pelos indígenas, provocando violentos conflitos. Ao final, os Kariris foram vencidos, entre as décadas de 10 e 20 do século XVIII[2], por expedições militares que ficaram conhecidas como “jornadas do sertão”.
            Os processos de colonização e evangelização levados a cabo, respectivamente, pelo estado português no Brasil e pela Igreja Católica, foram tão violentos que os Kariris, já na segunda metade do século XIX, foram dados como extintos. No entanto, conforme atestou o historiador J. de Figueiredo Filho, no tocante aos elementos que são referências da identidade caririense, a contribuição dos Kariris é destacada, o que representa a força e continuidade de sua cultura no cotidiano e no imaginário do caririense.
No que tange à produção de artefatos, Figueiredo Filho chama a atenção para o tipo de habitação que ainda hoje é utilizada pelo homem do campo. Este tipo de moradia, conhecida como mocambo, apesar de ser uma expressão de origem africana, é copiada, em parte, dos indígenas. O autor cita também o artesanato utilitário doméstico, no qual se incluem potes, alguidares, cabaças, cuias, coités, pilão de socar, a arupemba, abano, esteira de palhas, cestas, caçuá, cachimbos e redes. Na produção de alimentos, uma das principais contribuições é o cultivo da mandioca, do qual provém a produção de farinha, de fécula, chamada localmente de goma, e de massa de puba, que são utilizadas na preparação de diversificados pratos que hoje fazem parte do tradicional cardápio de comidas típicas regionais, como a tapioca, o beiju, a paçoca, o mingau (carimã) e o bolo de puba. Da mesma forma, sobressaem-se as culturas do milho, do algodão e do amendoim e a introdução na alimentação do caririense de vários frutos da flora local, como a macaúba, o coco babaçu, o pequi, o araçá, a mangaba, o cambuí, o araticum etc. No vocabulário e na linguagem há também uma grande influência da cultura dos Kariris, a exemplo da toponímia, tanto de povoações como de paragens naturais. O mesmo pode-se se afirmar com respeito à manifestação artística popular, a exemplo da influência sofrida pelas bandas cabaçais, representantes de tradicional musicalidade da região caririense e de outras regiões nordestinas onde a etnia Kariri é presente[3].
Igualmente, a influência exercida sobre o imaginário da população ainda se dar de maneira muito forte. Só para citar um único exemplo, temos as lendas que povoam o inconsciente coletivo da população caririense, como o mito da Pedra da Batateira, que narra como os Kariris, aldeados na Missão do Miranda, guardaram codificados, na sua sensibilidade, intuição e memória, a evocação da “lagoa encantada” - lugar mítico das suas origens. Para eles, todo o Vale do Cariri era um mar subterrâneo, cujo imenso caudal era represado pela “Pedra da Batateira[4]”, ao sopé da chapada do Araripe. Segundo uma antiga profecia, a “Pedra da Batateira” iria rolar um dia e todo o vale do Cariri seria inundado, destruindo os invasores que tinham roubado a terra e escravizado os Kariris. Quando as águas baixassem, a terra voltaria a ser fértil e livre e os Kariris voltariam para repovoar o vale.

O DESPERTAR KARIRI - No que pese a fragilidade das ações afirmativas que venham como contraponto ao processo de silenciamento da identidade e supressão violenta da memória dos povos tradicionais, ainda é visível a presença destas etnias, seja nos traços físicos herdados pelos seus descendentes como na persistência de elementos culturais a influenciar o cotidiano e o imaginário da população. Ou seja, existe um mapa biológico e cultural que pode ser percorrido, mesmo estando com seus traços apagados ou esmaecidos pela ação deletéria da colonização e pela omissão de uma política de reconhecimento do legado indígena para a região.
No entanto, essa imensa dívida para com os nossos mais antigos ancestrais parece que começa a ser debitada na conta da história local. E, mesmo que no plano metafórico, a profecia contida na lenda da Pedra da Batateira começa a se confirmar, visto que está em curso um processo de recobramento e resgate da cultura dos Kariris, a partir de um despertar que se iniciou entre os moradores da comunidade de Poço Dantas, localizado na zona rural do Crato, distante cerca de 25 quilômetros da sede. Os Kariris que habitavam soberanamente o vale que se estende a partir dos sopés da Chapada do Araripe[5] estão voltando.
Este processo teve início no ano de 2008 quando a comunidade Poço Dantas foi procurada por uma descendente dos Kariris, chamada Rose Kariri, residente em São Paulo, mas nascida no município cearense de São Benedito e com origens familiares no Cariri cearense. Rose Kariri iniciou então um projeto com a comunidade com o intuito de reconstrução da identidade que se encontrava submergida, mas com algumas marcas visíveis na superfície do dia a dia daquela localidade. A metodologia inicial foi o de autorreconhecimento por parte dos descendentes.
Ainda naquele ano, os Kariris da comunidade de Poço Dantas participaram do III Encontro dos Índios Kariris, na Aldeia Carnaúba, em São Benedito, além de participarem e uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Ceará, em Fortaleza. Essas ações motivaram os moradores da comunidade a planejarem a criação de uma entidade que lhes representasse e fortalecesse suas reivindicações, bem como o encaminhamento do processo de reconhecimento deles junto à Fundação Nacional do Índio (FUNAI).
Essas questões, por sua vez, compuseram a pauta do I Encontro dos Índios Kariris, realizado em setembro de 2008. Naquela ocasião, o trabalho de assessoria pedagógica era prestado por meio da universidade. A Secretaria de Educação do Município era parceira da comunidade na manutenção da sala de aula indígena, com fornecimento de material e pagamento da professora. Os Kariri contaram ainda com apoio de várias entidades, a exemplo da Secretaria de Cultura, da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), da Casa Lilás, do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher Cratense, da Rede Educação Cidadã (Recid) e da Associação Cristã de Base (ACB).
Em 2009, a comunidade foi visitada por uma equipe de agentes culturais do Instituto da Memória do Povo Cearense (IMOPEC), que constatou algo significativo. Como assim noticiou uma reportagem do jornal Diário de Nordeste: “Naquela pacata localidade, as pessoas mais idosas garantem que uma parte de seus antecessores veio de Abaiara. Vale lembrar também que pelo menos duas anciãs contam que suas avós foram pegas a “dentes de cachorros” e criadas em uma fazenda próxima de onde vivem. Quanto aos traços fisionômicos que definem o biótipo indígena, eles estão presentes em vários moradores do lugar, sendo que os demais revelam os efeitos de uma miscigenação longa”.
Após contribuir com os primeiros e essenciais passos da caminhada, Rose Kariri se desligou do projeto, o que veio a dar uma arrefecida no movimento, notadamente com a desativação da sala de aula que dava suporte ao processo de reavivamento da memória identitária junto aos moradores da comunidade.

A RETOMADA DO RECONHECIMENTO - Recentemente, um novo projeto, sob a coordenação do professor Marcos Ramos, da Rede de Educação Básica do Ceará, que também se reconhece como Kariri, vem promovendo encontros na e com a comunidade, com a participação de outras pessoas, dentre professores universitários e alunos do ensino médio e do curso de História da URCA. Esses encontros promovem momentos de reflexão e de depoimento dos mais idosos, com objetivo de reconstrução da identidade étnica, além da discussão sobre a questão do associativismo que venha fortalecer a caminhada na busca por melhorias na sua estrutura organizacional e na infraestrutura comunitária, além de pleitear o reconhecimento da comunidade como povo indígena.
A comunidade, que conta com 45 famílias e cerca de 350 moradores, todos aparentados e, na sua maioria, descendentes dos Kariris, enfrenta problemas de várias ordens, sendo que a falta de água é um dos que persistem há bastante tempo, mesmo estando próxima do Açude Tomás Osterne (Umari), o maior da região. Tal problema se agrava sobremodo no período de estiagem, O único poço existente é particular e a vazão é insuficiente para abastecer toda a comunidade. Para a Sociedade de Água e Esgoto do Crato (SAEEC), o problema também está no gasto excessivo de água pelos moradores com a irrigação das plantações. O Distrito de Monte Alverne, onde se localiza a comunidade, é o maior produtor de amendoim do município. Assim, a retomada da consciência ancestral acontece em simultaneidade com a organização da comunidade, motivada pela necessidade de ampliar e melhorar as condições de vida daqueles moradores.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABREU, Capistrano. Caminhos Antigos e Povoamento do Brasil - Ed. Itatiaia.

COMUNIDADE sofre com falta d'água no Crato. Disponível em >. Acesso em: 2 jun 2014.

FIGUEIREDO FILHO, José de. História do Cariri. v.I. Coedição Secult/Edições URCA.- Fortaleza: Edições UFC, 2010.

PINHEIRO, Irineu. O Cariri: seu descobrimento, povoamento, costume. Coedição Secult/Edições URCA. Fortaleza: Edições UFC, 2010.

SANTOS, Elizângela. Índios Kariri lutam por reconhecimento da tribo. Disponível em . Acesso em: 2 jun 2014.

VICELMO, Antonio.
Entidades apóiam reorganização. Disponível em <http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/regional/entidades-apoiam-reorganizacao-1.40404>. Acesso em: 2 jun 2014.

Notas

[1] Professor de História do Cariri no Curso de História da Universidade Regional  do Cariri (URCA).
[2] Segundo texto publicado por J. B. Perdigão de Oliveira na Revista do Instituto do Ceará, ano IV, 1890, "a expedição de 1727, comandada pelo Coronel João de Barros Braga subiu pela Ribeira do Jaguaribe e foi até os limites do Piauí, afugentando os índios, matando-os e aprisionando muitos. De tal forma que a partir daquela expedição eles não mais apareceram para atacar as povoações e fazendas”.
[3] Sobre a musicalidade dos índios Kariris, estudos apontam que a banda cabaçal, por exemplo, é herança deste nação indígena, visto “o contato com os brancos forçaram esses índios a adotarem uma espécie de reconversão cultural para preservar a sua cultura em meio aos seus sucessores”. Ver ANGELIM, Genildo Moreira e BRAGA, Elinaldo Menezes. A música do começo do mundo. Disponível em <http://www.prac.ufpb.br/anais/Icbeu_anais/anais/cultura/caba%E7al.pdf>.
[4] Batateira ou batateiras, segundo Figueiredo Filho, é uma corruptela da palavra itaytera, que em língua indígena que dizer “água que corre, precipitando-se por entre pedras”, expressão utilizada para designar a mais volumosa das fontes da encosta da Chapada do Araripe, a nascente da do rio Itaytera.
[5] Termo da língua kariri que, segundo Paulino Nogueira, significa “lugar de araras”.

Coronel Adauto Bezerra será homenageado hoje com o título de cidadão Cratense



O evento acontecerá na Escola Profissionalizante Violeta Arraes às 19:00. Logo mais, cobertura completa aqui no Blog do Crato.




Uma presença ilustre na caravana do Educardo Campos ao Cariri - Companheiro Jadson Sarto, presidente do SINDIÁGUA


Desde sempre, temos um quadro no Blog do Crato chamado "Sociedade Cratense", em que registramos eventos, pessoas, acontecimentos importantes para o Crato e também para o Cariri. Embora tivemos ( E ainda estamos tendo ) uma agenda política movimentadíssima no nos últimos dias, em que figuraram as presenças de nomes considerados importantes na conjuntura atual do país, tais como Eduardo Campos, Guimarães, Eunício Oliveira, Cel. Adauto Bezerra, que hoje receberá o título de cidadão cratense, gostaria de deixar registrada a passagem pela região, de um companheiro ilustre que por seu brilhantismo à frente do SINDIÁGUA tem se destacado por muitos anos:  Trata-se de Jadson Sarto, que desponta como uma das grandes lideranças no Estado, e tem carregado a bandeira em defesa dos trabalhadores através do sindicato dos trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado do Ceará. 

E aqui já aproveitando o ensejo, para fazemos uma cobrança ao Jadson, para que fique atento às manobras, aos descasos, à falta de humanismo que é diuturnamente denunciada por funcionários da SAAEC, para que mantenha os olhos abertos, a vigilância, e sobretudo não se deixe induzir pela aparência das coisas quando vistas de longe, em que tudo parece lindo e maravilhoso. Com a sua grande inteligência, Jadson Sarto saberá separar o joio do trigo, pois tem feito uma excelente administração à frente do Sindiágua.

Um abraço ao grande amigo Jadson Sarto,

Dihelson Mendonça


Acidente em barbalha deixa 8 mortos


Na noite de ontem ( Domingo, 01 ), aprox. às 23:00, ocorreu um acidente na cidade de Barbalha, uma colisão entre dois veículos, deixando 5 mortos em um veículo e 3 morreram carbonizados em outro veículo.

Com informações de  Yathagan Anastácio ( Já corrigida )


Crato - Água da Vilalta é cada vez mais uma "LAMA PRETA" que aborrece os moradores


Nota do Editor: Gostaríamos de fazer também uma reclamação à SAAEC: De 2 meses para cá, a Vilalta vem sofrendo ainda mais com o problema da chamada "LAMA PRETA" que entope os canos. Só no ano de 2013, eu tive que mandar desentupir toda a residência, pagando do meu bolso 3 vezes a uma empresa particular devido à má qualidade da água da Vilalta, e nos últimos 2 meses, a situação piorou, É raro ir tomar banho, abrir o chuveiro e não vir primeiro uma lama preta, que alguns chamam de xisto betuminoso, mas alguns dizem que é ferro. O certo é que a situação está piorando, e é preciso uma solução para este grave problema. Ou vamos agora ter que tomar BANHO DE LAMA porque a SAAEC é incompetente para resolver isto de umavez para sempre ?

A propósito, vendo no perfil do amigo Davi Araripe Cariri, a reclamação geral no Crato postada no Diário do Nordeste edição do dia 31 de maio de 2014 sobre outros descasos:






Transporte coletivo está precário em Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha



Além de ônibus e vans lotadas, esses não contam com extintores e trafegam em vias públicas precárias
  
Juazeiro do Norte. A precariedade no sistema de transporte urbano coletivo no Cariri tem sido motivo de reclamação dos usuários e até estudos para viabilidade de novas propostas de melhorias. Os ônibus circulam com concessão pública e possuem uma média de tempo de mais de 13 anos. Atualmente, há um ônibus para mais de 4 mil pessoas, somente em Juazeiro do Norte, cidade com população de quase 250 mil habitantes. Essa realidade não se torna tão diferente em cidades como Crato e Barbalha, onde há dificuldades para os moradores de bairros mais distantes. Nas manifestações registradas no ano passado, em todo Brasil, Juazeiro do Norte não ficou de fora no quesito mobilidade urbana.

Na Câmara Municipal, foram exigidas condições de gratuidade para estudantes e também melhoria da frota e ampliação dos terminais. Até mesmo o Ministério Público interferiu no processo, e hoje a cidade, que possui apenas três empresas atuando, estão impossibilitadas de receber novas linhas, pois mal atendem as que existem. E os usuários reclamam muito do tempo excessivo de espera nos terminais, que se tornou um item bastante questionado, principalmente pela falta de segurança na cidade, com a grande quantidade de assaltos. Até mesmo um projeto de lei foi recentemente apresentado no Legislativo, no intuito de possibilitar a parada livre nos últimos horários do dia de funcionamento das linhas regulares.

Fiscalização

Além da precariedade, os usuários reclamam da falta de fiscalização suficiente para conter os abusos, principalmente em transportes complementares, com profissionais pouco habilitados. Linhas como a do bairro João Cabral/Aeroporto, e também na área onde estão os novos conglomerados urbanos da cidade juazeirense, a exemplo do condomínio onde foi construído o "Minha Casa, Minha Vida", estão entre os mais reclamados. São poucos ônibus para as linhas e os moradores se sentem sufocados e reivindicam que sejam colocados mais transporte nas linhas. É um impasse que poderá ser solucionado apenas de forma futura, porque as empresas terão mais 10 anos para atuar com a concessão dada pela Prefeitura de Juazeiro do Norte. Segundo o gerente de Transporte do Departamento Municipal de Trânsito (Demutran), Josivaldo Pereira, apenas a abertura de um processo de licitação futura deverá dar condições de outras empresas concorrerem por novo espaço nessas linhas e ele diz que, dificilmente, as que existem terão a possibilidade de continuar, com as novas proponentes, pela precariedade atual.

Enquanto isso, as linhas desassistidas por ônibus de linha estão com os transportes precários, a exemplo das Vans, que viraram outro quesito de reclamação constante. O horário funciona na prática, na maioria delas, por lotação. O tempo é de encher o ônibus e sair. No Crato, o problema se estende, principalmente para as linhas relacionadas aos sítios e distritos. Em sua grande maioria, o principal meio de transporte das comunidades depende das camionetas desconfortáveis, com bancos de madeira, superlotadas e no item segurança deixam a desejar, sendo motivo de reclamação constante da população.

Boa parte dos transportes que atua como alternativos possui uma associação, mas os motoristas reclamam da atuação dos clandestinos, que acabam prejudicando o serviço. Essa é uma das justificativas para os usuários não terem praticamente hora certa para pegar o coletivo e estarem muitas vezes em risco iminente, já que muitos deles estão sujeitos a circular nas camionetes D-20 com a carroceria aberta, como apoio para aqueles que vão em pé, se agarrando no veículo. A perspectiva é que, em setembro deste ano, os proprietários desses transportes estejam reunidos em Crato, no Demutran, para debater propostas de melhorias e adequação para poderem circular na cidade. A ideia é criar um projeto de lei que regulamente o transporte coletivo.

Para o assessor do Departamento, Edilson Gonçalves, problemas como o de não cumprimento dos horários, demora dos passageiros em pontos de ônibus, dentre outras reclamações são constantes. Quanto às lotações, principalmente nas estradas para sítios e distritos, não acontece de forma permanente pela própria falta de pessoal suficiente para cumprir essa ação de forma mais rigorosa. A usuária Maria do Socorro Pessoa, da Associação da Palmeirinha, no Crato, disse que tem sido muito difícil depender dos transportes alternativos e os usuários reclamam muito. Segundo ela, os motoristas da Associação dos Permissionários de Transporte Alternativo dos Distrito de Santa Fé já foram chamados para um diálogo, mas não compareceram. E novamente a reunião deverá ser marcada, para pedir melhorias no atendimento e cumprimento dos horários da linha de forma regular.

As topiques também funcionam sem critérios de paradas e nem de lotação. Entre as cidades de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha circula número maior desses veículos, incluindo microônibus. O município de Barbalha sofre com a mesma precariedade das linhas para bairros da cidade, como Malvinas, Cirolândia, Alto da Alegria, Bela Vista e o Sítio Estrela. Idosos também têm reclamado dos serviços e da quantidade de vagas disponíveis, como o aposentado Lucimar Rodrigues, o Mazim. Cedo saiu de casa, e ao tentar pegar o ônibus de volta do Centro para o bairro Seminário, em Crato, após mais de meia hora de espera, se deparou com o "não" do motorista. Mas há casos em que alguns reclamam que o ônibus sequer tem parado para os idosos.

Em Juazeiro, há a luta de segmentos da sociedade pela gratuidade no transporte. Um deles é dos portadores de HIV positivo. Recentemente foi apresentada proposta na Câmara de Vereadores com essa finalidade, mas o projeto foi rejeitado. Algumas empresas reclamam que tem sido grande o número de pessoas com essa condição e não tem sido fácil poder dar manutenção à frota, com a margem de lucro atual. O gerente do setor de Transportes de Juazeiro, Josivaldo Pereira, admite que a precariedade é evidente. Por isso está sendo realizado um levantamento pelas empresas Bom Jesus do Horto, São Francisco e Lobo, para verificar as condições de funcionamento de cada uma das três que atua em Juazeiro.

Segundo informou Josilvado, já foram constatados problemas que ele considera graves em relação à manutenção e até coletivos, que andam super lotados de passageiros, já foram vistos circulando sem extintor, um risco para a segurança dos usuários.

ENQUETE

Como o serviço lhe afeta?

"Nós sofremos muito por conta do transporte coletivo precário, que é servido na nossa região. As pessoas não tem muito o compromisso com os passageiros de um modo geral, além do que chega a ser inseguro"
Maria do Socorro Pessoa
Dona de casa

"Infelizmente contamos ainda com um sistema de transporte atrasado e sucateado para a população. Os ônibus demoram muito e não atendem bem todas as localidades da cidade, principalmente a periferia"
Cláudio Robervan
Vendedor ambulante

Mais informações:
Departamento de Trânsitos:
Demutran- Juazeiro do Norte
Telefone: 883587-5822
Demutran- Crato
Telefone(88) 3523.5232

Elizângela Santos
Repórter do Jornal Diário do Nordeste
Colaboradora oficial do Blog do Crato



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