24 outubro 2014

“O maior dos brasileiros” – por Armando Lopes Rafael (*)

“O Brasil não merece os políticos que tem” (frase dita pelo General João Figueiredo, Presidente da República entre 1979 a 1984).


Parece até maldição. Entra Presidente, sai Presidente e nenhum é alvo – não diria de orgulho, pois é querer demais para tempos tão caóticos – mas, pelo menos, de respeito por parte do sofrido e decepcionado povo brasileiro. A atual Chefe da Nação, Dilma Rousseff, assumiu há quatro anos endeusada pela mídia. Emissoras de televisão e de rádio, além dos jornais, vendiam novas esperanças alegando "sua condição de ser a primeira Chefe de Estado do Brasil" (sic). Na verdade a primeira Chefe de Estado do Brasil foi a Princesa Isabel, pois esta assumiu o trono – na ausência do seu pai, o Imperador Pedro II, que viajava no exterior – em três períodos, os quais, somados, perfazem quase quatro anos de governo. A princesa Isabel foi também a primeira senadora do Brasil, cargo a que tinha direito como herdeira do trono a partir dos 25 anos de idade conforme a Constituição de 1824, primeira carta constitucional do Brasil e a que mais durou (67 anos) até que fosse rasgada pelos golpistas republicanos de 1889.
Mas, em 2010, ano da eleição de Dilma, alardeavam os áulicos do Poder, que a República agora iria dar certo. Deu no que deu... 
125 anos depois de imposta a nossa pátria, através de um golpe militar, a República ainda não teve um presidente com as qualidades do nosso último imperador, Dom Pedro II.

Quem foi este homem, que 124 anos depois da morte, ainda é considerado “O maior dos brasileiros”? O simples espaço de um artigo é insuficiente para falar em todas as razões que levam os brasileiros a não esquecer Dom Pedro II. Chefe de Estado por quase 50 anos, ele foi também uma das figuras mais admiradas e respeitadas do século XIX, em todo o mundo. Seria repetitivo citar os frutos materiais do seu reinado, quando nossa pátria teve uma moeda estável e forte – o mil réis – que correspondia a 0,9 (nove décimos) de grama de ouro e equivalia ao dólar e à libra esterlina. Desnecessário lembrar que no 2º Império, o Brasil possuía a segunda Marinha de Guerra do mundo; que implantou os primeiros Correios e Telégrafos do continente americano. e que durante os 67 anos da Monarquia a inflação média anual foi de apenas 1,5%. Isso mesmo: um e meio por cento de inflação ao ano!

O Parlamento do Império era comparado ao da Inglaterra. A diplomacia do Brasil era uma das primeiras do mundo. No reinado de Dom Pedro II não havia presos políticos, nem censura à imprensa. A liberdade era tanto que circulava até um jornal pregando a derrubada da Monarquia.

Mas minha intenção é ressaltar as qualidades e virtudes pessoais do nosso último Imperador. Dom Pedro II era um intelectual, sempre encontrado com um livro numa mão e um lápis na outra, fazendo anotações. Parte do seu ordenado era destinada ao financiamento dos estudos de muitos brasileiros. Alguns dos que receberam ajuda do Imperador chegaram a se destacar na música e na pintura, a exemplo de Carlos Gomes e Victor Meireles. Fundou, o magnânimo Pedro II, bibliotecas, museus e observatórios astronômicos e meteorológicos.
Dom Pedro II era também poliglota. Lia Homero e Horácio no original. Falava corretamente o francês, o italiano, o alemão, o espanhol e traduzia o holandês e sueco. Discursava em grego e latim, e ainda entendia a língua dos nossos índios (o tupi-guarani) e o provençal. Seus biógrafos afirmam que ele também estudou o hebraico e o árabe. Os conhecimentos do nosso último Imperador eram algo de incomum: discorria sobre matemática, biologia, química, fisiologia, medicina, economia, política, história, egiptologia, arqueologia, arte, helenismo, cosmografia e astronomia. Vale o registro: No Brasil, o patrono da Astronomia é Dom Pedro II.

Como governante gozou ele de grande popularidade junto ao povo. Quando do seu regresso ao Brasil, após sua última viagem à Europa, a poucos meses do golpe militar que o derrubaria do Trono, a recepção de que foi alvo foi assim descrita pelo historiador cearense Capistrano de Abreu: “O povo entupia as ruas, cobria os morros, desrespeitava os telhados”. Tudo para saudar Dom Pedro II...

Daubrée, discursando no Instituto da França quando do falecimento do nosso Imperador disse: “No entanto, quaisquer que fossem a extensão e força dessa bela inteligência, o que mais devemos admirar nessa personalidade que nos foi arrebatada é a suprema bondade, essa benevolente simplicidade, essa resignação serena no meio dos revezes inesperados e imerecidos da fortuna, essa generosidade constante, diante das ingratidões e traições, em uma palavra, essa grandeza de alma que nunca melhor resplandeceu que nas dores do exílio”.
Eis uma pequena amostra daquele que ainda hoje é considerado “O maior dos brasileiros”. Quanta diferença com os atuais estadistas desta decadente e dividida república, os quais, em meio a mentiras, calúnias, injúrias, difamações e outras baixarias -- dignas de campanhas políticas dos grotões da miséria e do atraso do Nordeste -- ainda tentam dividir a população brasileira entre "nós e eles"...Triste! Terrivelmente triste...
(*) Historiador. Membro Correspondente da Academia de Letras e Artes “Mater Salvatoris”, de Salvador (BA).

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