18 setembro 2014

O deus de duas faces - Por: Emerson Monteiro

Falar de Jano, ou Janus, em latim, reverte à memória de um deus romano cujo nome batizaria o primeiro mês do calendário (janeiro), o começo do ano. Ele se vincula às portas, ao entrar e sair, também às transições nos acontecimentos. Enquanto isso, sua face dupla significa passado e futuro nas espirais do tempo. Era o deus dos inícios e chegava sempre no instante das decisões e das escolhas.

As representações artísticas lhe mostram, de comum, na tradição, qual figura feminina e masculina, em única forma. Nalgumas vezes, num dos lados, imberbe. No outro, barbado. As características da imagem o indicavam a olhar cada face em direções opostas.

Aspecto que diz respeito a Jano o relaciona às guerras, conquanto  anunciava seus começos e términos. Enquanto durassem os conflitos, os templos a ele dedicados permaneciam abertos, já ficando fechados durante os períodos de paz, tradição que perduraria até o século IV d.C., comportamento que, segundo Tito Lívio, só aconteceu duas vezes em oito séculos.

A correlação entre as mitologias grega e romana quase sempre conduzem a deuses de iguais parecenças, o que, no entanto, deixou de ocorre quanto a Jano, sem similar entre os gregos.

O poeta romano Ovídio, na obra Fastos, consigna o deus sob as seguintes palavras: Os Antigos chamavam Caos a esta divindade que, originalmente, não tinha sequer forma. Quando da criação dos elementos que hoje temos, esta bola de massa transformou-se então no corpo de um deus. E ainda acrescentou: Tal como as portas têm dois lados, e um porteiro fica por fora, também este deus era então o porteiro da corte divina, e com as suas duas faces podia então olhar para lugares opostos, tal como Hécate (com suas três faces) podia vigiar atentamente as intersecções das estradas.

Na concepção de Ovídio, as razões de as portas dos templos a Jano permanecerem abertas no decorrer das guerras seria o fito de que os guerreiros pudessem reencontrar o caminho de regresso à Pátria. E fechadas nos tempos de harmonia, a fim de impedir de a paz fugir pelas portas, se estas permanecessem abertas.

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