16 agosto 2014

Alguns divulgadores do folclore cratense – por Pedro Esmeraldo



         Sempre fomos grandes admiradores do folclore, o qual, na prática é o  estudo da arte, dos costumes, e  das demais atividades de um povo. Observamos que Crato é um centro importante do folclore do Cariri. Nesta cidade teve início diversas  atividades folclóricas, surgidas dos primeiros ensaios e dos estudos desta arte popular, na área compreendida como o centro do Nordeste brasileiro.
            Ontem, Dia de Reis, 06 de janeiro de 2009, casualmente, passando pela Praça da Sé, deparamo-nos com os reisados, homenageando os Reis Magos. Essas manifestações vêm de há muito, e notabilizaram-se tradicionalmente, perdurando até agora e devem ser preservadas pelos tempos futuros.
            A encenação desta tradição popular foi feita, principalmente, pelas filhas do mestre Dedé de Luna e outros brincantes. Eles souberam divulgar com galhardia as proezas do seu pai, o mestre Dedé, grande folclorista desta cidade, falecido há pouco tempo.
            Conhecemos muito bem essa figura histórica, o seu Dedé. Por meio de seus esforços, foi figura extensiva na arte folclórica da cidade do Crato. Lembramos do seu valor inestimável, do seu amor pelo Crato, do seu entusiasmo inebriante, deixando toda a população alegre e satisfeita pelo movimento febril de suas danças populares. Infelizmente, o mestre Dedé já se foi. Uma insidiosa doença o levou, deixando uma lacuna no meio das tradições populares desta cidade. Continuando com a arte do pai, suas filhas mantêm essa tradição feminina, coisa admirável, já que sente o desequilíbrio masculino,  visto que os homens, por negligencia ou por preconceito, pouco participam das brincadeiras folclóricas nos dias atuais.
            Além do mestre Dedé, há outras pessoas notáveis preservando a nossa cultura popular. E isso deveria ser apoiado pelas autoridades desta cidade,  incentivando os brincantes folcloristas na preservação dessa tradição. Lembramos também do grande divulgador do nosso folclore que foi J. de Figueiredo Filho. Este, um guia intelectual das artes populares do Crato. Homenageamos, nesta oportunidade, também o artista Correinha, um baluarte na defesa do nosso folclore.
            Homenageamos, ainda, outras figuras dignas de elogios, dentre os quais o mestre Elói Teles de Morais, que foi dos maiores interessados pela preservação do nossos folguedos populares, bem como o grande mestre Valderedo Gonçalves. Este último, um mestre e divulgador da xilogravura.  Outro grande artista cratense, o repetinsta  Cego Aderaldo, (A. Ferreira de Araújo) foi um dos maiores do Nordeste nessa arte. Nascido aqui em Crato, no ano de 1882, faleceu em Recife, em 1967. Foi trovador popular, aprendeu a tocas viola depois que perdeu a visão.  Não podemos esquecer a figura esplêndida de José de Matos, poeta, repentista, crítico... irreverente, respondia tudo através das poesias mordazes deixando alguns  insatisfeitos com suas palavras picantes. Não temos muito conhecimento deste poeta. Mas sabemos que ele deixou muitos versos, conservados oralmente  e até hoje  recitados pela massa popular, sendo admirado por toda população do Crato.  
   

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