19 julho 2014

A crônica do domingo (por Armando Lopes Rafael)

A psicologia coletiva do cratense 
     Uma cidade não se resume a mera aglomeração de indivíduos. Uma cidade, ou melhor, qualquer sociedade, se constitui numa comunidade de comunidades, pois dotada do espírito de coletividade e certa unidade social. É o que se poderia denominar de “psicologia coletiva”.
     O Crato são muitos! poderíamos afirmar, parodiando Carlos Drummond de Andrade.
     E no entanto, existem vínculos coletivos nesta Mui Nobre e Heráldica Cidade de Frei Carlos Maria de Ferrara que unificam; Que obtém alto percentual de consenso; Que se integram ao imaginário popular e à memória coletiva desta urbe.
    Isto posto, poderíamos afirmar que na psicologia coletiva cratense há um lugar de destaque para a ufania, para um bairrismo – às vezes exagerado – por esta cidade aristocraticamente crismada por Princesa do Cariri.
   Tudo que acontece de perda ou prejuízo para esta cidade é culpa “dos políticos”. Fica esta impressão: o habitante de Crato desconhece os limites de um deputado. Este apenas legisla, não tem poder de executar obras. Mas, triste de quem se eleger deputado com votos do Crato, pois o povo atribui ao legislador poderes maiores do que os do  presidente da república.
   Ser cratense é ser religioso e devoto da Virgem Maria! Deu para perceber isso, recentemente, na coroação e inauguração do monumento de Nossa Senhora de Fátima. Uma sensação de orgulho, de vaidade mesmo, percorreu – naqueles dias – todas as camadas sociais desta terra. Já perceberam que o habitante desta cidade finge respeito por quem se autoproclama ateu? Pura falsidade! No íntimo, passa a desconfiar do descrente. E pelas costas do coitado (Ah! a velha falsidade!) quando alguém fala do ímpio, o interlocutor dá a clássica rabissaca seguida da frase: “Fulano? Tenho lá minhas dúvidas. Não deve ser boa bisca”.
   Agora o que o cratense gosta mesmo é das atividades culturais. Está no sangue desta gente. Tem participante de anônimo jogral dos anos 60 que hoje se ufana: “Fui uma das vítimas da ditadura! Uma vez fomos recitar nossas poesias no grêmio do ginásio e agentes do Dops e SNI baixaram na hora. Felizmente fugimos pegando o rumo do Rabo da Gata, até sair no Cafundó e escapamos”...
    Uma verdade: o cratense é super-hospitaleiro. Quando chega, por estas bandas,  gente de fora, o visitante vira logo celebridade. Nos primeiros dias o adventício é lisonjeado de todas as maneiras. Passado algum tempo cai na rotina. Perde o status, a ponto de quando um amigo encontra outro vai avisando: “Evite passar na Siqueira Campos que o “beócio do fulano” está lá, julgando-se o Rei da Cocada Preta. Vôte!”
     Afora isso, o cratense é uma homem cordial, solidário, gosta de um bom papo, de contar a última piada, de frequentar a ExpoCrato... O jornalista Antônio Vicelmo cunhou até esta expressão: Ser cratense é um estado de espírito.
       São muitas as características que plasmaram a psicologia do cratense. Ainda voltaremos ao assunto.
Missa do Divino Pai Eterno, celebrada no Mirandão, em Crato,  para cerca de 50 mil pessoas. O evento foi televisionado para todo o Brasil

(*)Armando Lopes Rafael, historiador.

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