25 março 2014

Oitenta anos bem vividos - Pedro Esmeraldo


Completei oitenta anos. Foi luta de evidencia pacífica entre mim, familiares e amigos. Procurei manter qualidade de caráter. Para mim a luta foi difícil e cansativa. Enfrentei com destemor no correr dos anos. Nasci aqui no S. José, meu torrão, onde convivi com pessoas humildes. Minha mãe tinha cuidado de mostrar o caminho digno para seguir com altivez. As complicações sociais da época quase não existiam, eram completamente diferentes das de hoje. Não havia transporte e, quando havia, era de caráter rudimentar. As vezes era mais vantajoso andar a pé ou em lombo de animais que esperar duas horas pelo ônibus. O alvo que pretendia seguir era muito barulhento, tudo era confuso. O progresso andava engatinhando, ou melhor, quase não existia. Por isso era difícil de conseguir trabalho técnico, tudo era rudimentar, complicado, devido a desorganização da máquina estatal. A falta de escola era gritante. Aparecia uma escola improvisada mas as professoras não tinham habilidade técnica para ensinar com perfeição às crianças. Nessa época, as escolas que surgiam eram rudimentares. Considerávamos as professoras uma heroína, visto que não tinham recurso de capacitação escolar e o ensino não se aperfeiçoava. Por esse motivo, cheguei tarde à escola, mas me contive com o pouco que me sobrou. Comecei a estudar com sete anos. Fui alfabetizado por minha tia, irmã de minha mãe.
Minha mãe orientava para dedicar a leitura. Aconselhava ler todos os artigos de revista o Cruzeiro de Raquel de Queiroz a David Nasser. Tempos depois meu pai alugou uma casa no Crato e passei a estudar no grupo escolar na praça da Sé. Mais tarde, matriculei-me no colégio Diocesano, o colégio privilegiado do Cariri. Daí por diante, procurei aperfeiçoar o intelecto, dedicando-me com severidade nos estudos. Criei força espiritual relevante e avancei com firmeza em minhas pretensões, apaixonei-me pela leitura clássica. Meu pai era um senhor lutador, apaixonado pelo trabalho e pelo Crato. Espelhei-me nele o amor que tenho ao meu torrão. Não sei porque dizer, mas tinha um comportamento obsessivo, tornando-me difícil de conviver com as pessoas que faziam parte do meu convívio social. Por isso, depois de muitas lutas, soube desvencilhar-me dos percalços adquiridos, mas conseguia alcançar o ponto de convergência com a permanência do bem-estar. Agora depois de atingir o pico da montanha tenebrosa, sobressaí com relevância e acerto.
Desejo de antemão dar os sinceros agradecimentos a todos as pessoas que me cativaram com seu clamor diante da cúpula mais alta da empresa.

Primeiramente agradeço a Deus, pois foi Ele que me deu força espiritual e coragem para enfrentar a luta e destinado para afetar com palavras, mas porque queriam que me afastassem do trabalho de qualquer maneira. Agradeço com homenagem especial aos meus pais porque foram eles que me encaminharam para conquistar a orbita de um corpo que gravitava em torno do desejo de subir nas escadas da plenitude de sabor democrático. Agradeço a professora Sarah Cabral – in memorian, pois serviu-me de elo em suas conversações entre mim e o mundo contemporâneo. Aos professores J. Figueiredo Filho e Lourdinha Esmeraldo, dois que me conduziram a vida intelectual. Enfim para tomar em palavras agradeço a todas as pessoas que me rodeiam com palavras amigas. Também aqueles que aqui me embalaram com espírito altruística de humildade em sua mente a fim de conservar uma amizade segura e duradoura. Agradeço ao convívio dos amigos, todos os irmãos e irmãs, tios e tias, primos e primas e ao mesmo tempo peço à Deus que lhes dê graças permanentes e compreensão mútuas. Agradeço aos amigos que na hora de meu trabalho, complicações irônicas, cheia de maldade que surgiam críticas à minha pessoa, tentando fazer jogo sujo diante de difícil tarefa. Defendiam com sinceridade, as vezes recebendo gotas amargas mas falavam a verdade. São eles Jose Zito de Oliveira e o funcionário aposentado Tarcisio Bezerra Lima. Defendiam-me acima das inconveniências perpetradas por armadilhas imundas com o propósito de dilacerar-me o bom comportamento ético.

Agradeço com muita especialidade aos irmãos Dr. Heládio e Marciano Teles Duarte, pois foram eles que me influenciaram no processo de aposentadoria especial, tornaram-me mais tranquilo após a tempestade que caiu em cima de mim nos tempos da bonança do século passado. Agradeço aos parentes e amigos Dr Jose Luciano de B. Gonçalves e Jose Esmeraldo Gonçalves que me presentearam com o livro intitulado Contra o vento que me levaram ao horizonte da esperança encorajadora. Por fim, com o dever de gratidão, agradeço a minha esposa e filha: Ana Zuleide e Cristina que planejaram essa singela homenagem, granjeando boas perspectivas que em tempos passados ajudaram a sair do cálice da amargura lutando ao meu lado para sair desse impasse, defendendo das injustiças provenientes das pessoas más que fizeram atormentar a minha luta. Tornaram-se para mim a peça chave do caminho da igualdade e da solidariedade.
Muito obrigado!

07 de Março de 2014

Por: Pedro Esmeraldo


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Visite a página oficial do Blog do Crato - www.blogdocrato.com - Há 10 Anos, o Crato na Internet.