03 março 2014

Museu Histórico do Crato deverá ser reinaugurado ainda este ano


Tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), há cerca de três meses, o prédio do Museu Histórico do Crato, um dos mais representativos da história arquitetônica da cidade, deverá ser uma das novidades para a festa de comemoração dos 250 anos do Município, com a requalificação do espaço e a sua reabertura, após mais de seis anos fechado. A previsão é que este ano seja reinaugurado, com a liberação pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) de R$ 426 mil, recurso aprovado por meio de projeto encaminhado pela Secretaria de Cultura da cidade. O investimento foi assegurado pelo presidente do Ibram, Ângelo Osvaldo, durante reunião na última terça-feira, com a secretária de Cultura do Crato, Dane de Jade. Ele chegou a afirmar que a verba é uma das primeiras a serem liberadas, dos editais aprovados, tendo em vista o valor histórico do local, para a cidade e o Estado, e o aniversário de emancipação, em 21 de junho. "Por conta disso, ficou muito sensibilizado" afirma a secretária.

A acessibilidade e a adequação do prédio à história em todos os seus aspectos, devolvendo elementos originais que foram sendo descaracterizado ao longo de décadas, estão inseridas no projeto aprovado. O local, nos últimos meses, chegou a receber a visita de vários especialistas e estudantes do curso de Design da Universidade Federal do Cariri (UFCA).

A museóloga e historiadora, Cristina Holanda, coordenadora do Sistema Estadual de Museus do Ceará e diretora do Museu do Ceará, foi uma das avaliadoras das condições do espaço. Para a secretária, esses foram os cuidados iniciais para a elaboração do projeto, diante do estado avançado de sucateamento encontrado no local, no início da gestão atual. "Nossas atenções foram focadas no sentido de trazer uma visita técnica para avaliação da situação e levantamento das necessidades e encaminhamentos", disse a secretária. Durante o ano passado, Dane afirma que foi realizado um laudo técnico, além de levantamento e catalogação das telas do Museu de Artes Vicente Leite, que funcionava no primeiro andar do prédio, por meio de uma parceria entre a direção do museu, com apoio dos alunos do curso de Design da UFCA. Foi um período de organização das obras. Ela afirma que todas estão guardadas em excelente estado de conservação. Brevemente, esse material estará disponível em revista digital on line.

Para este ano, além da recuperação do espaço, será iniciado o restauro das esculturas e a catalogação e recuperação das obras do Museu Histórico. No projeto, o item segurança é um dos pontos fundamentais para evitar roubos, com a instalação de câmeras e expositores fechados. Ano passado, houve o furto de alguns equipamentos do local, a exemplo de armas antigas, como espadas, mas o material foi recuperado. Por conta do tombamento, a secretária afirma que a reforma e requalificação do museu deve seguir as normas técnicas estabelecidas. Um elevador e a instalação das rampas estão previstas no projeto de acessibilidade. Uma nova escadaria está sendo estudada. Algumas correções também serão feitas, a exemplo da instalação elétrica, realizada em espaços inapropriados. O telhado do local necessita ser trocado, além da recolocação do piso de madeira, retirado na última reforma, sem a devida reposição.

Ano passado, foram realizadas atividades no museu, que fica numa área estratégica, no Centro, e chegou a ser a cadeia pública da cidade. Os recursos para a reforma foram aprovados em 2013. Segundo Dane de Jade, uma das ações aconteceu com o artista plástico Bruno Pedroza, um dos fundadores do Museu de Artes Vicente Leite, além de trabalhos com estudantes universitários. Dane esclarece que há muitas especulações sobre o equipamento, com os anos de fechamento, inclusive sobre o desaparecimento de algumas obras. No museu há objetos que pertenceram, por exemplo, a heroína, Bárbara de Alencar, e a outras personalidades da cidade. Na área das artes plásticas, há trabalhos da artista plástica Sinhá D'Amora, além do próprio Bruno Pedroza. Mas, a secretária afirma que, após análise do material, se constatou que peças de roupas como de Zé Maia, antigo carnavalesco da cidade, e alguns objetos que pertenceram a Tandor, como uma fotografia, a sua carteira de identidade, além de um pequeno vidro com uma poção caseira, que ele chamava de 'mijo de moça', e um cinto, estão guardados.

As roupas do carnavalesco Zé Maia foram recentemente expostas no baile da saudade, no Crato Tênis Clube, e também integrarão uma exposição no Sesc, sobre o Carnaval. "No que diz respeito aos danos e desaparecimentos de peças do acervo, o que podemos dizer é que isso pode ter ocorrido em função da total ausência de política de conservação, restauro e salvaguarda dessas obras", avalia. (ES)

Fonte: Diário do Nordeste
Foto ilustrativa: Pachelly Jamacaru


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