xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 30/08/2013 | Blog do Crato
.

VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



Comunidade Cratense no Facebook - Mais de 24.000 seguidores. Clique em Curtir e adicione a sua Foto !

30 agosto 2013

Ah! as “coisas desta República” – Fatos deste fim de semana – por Armando Rafael


Brasil tem primeiro presidiário deputado do mundo 

O publicitário Mário Galvão em seu Twitter resumiu bem a situação diante da absolvição (pela Câmara de Deputados do Brasil) do deputado Natan Donadon, de Rondônia, que foi condenado a 13 anos de prisão em regime fechado por peculato e formação de quadrilha: "O país tem oficialmente o primeiro presidiário deputado do mundo". Donadon já havia entrado para a história como sendo o primeiro deputado a ser preso por corrupção, no cumprimento do mandato, desde a Constituição de 88.
(cfe. “O Globo”, na coluna de Ancelmo Góis)

Senador boliviano cogita pedir asilo a outro país

O advogado do senador boliviano Roger Pinto Molina em Brasília, Fernando Tibúrcio, reuniu-se ontem com um embaixador de um "terceiro país" para sondar a possibilidade de protocolar, se necessário, pedido de asilo diplomático para o senador. Segundo o advogado, o embaixador respondeu que o asilo é tecnicamente "possível", mas antes precisava consultar seu chanceler. Segundo o advogado, Molina buscará asilo nesse outro país caso haja "politização" na análise de seu pedido de refúgio no Brasil.
(transcrito de “Folha de S.Paulo”, 30-08-2013)

Médico da ilha-prisão já sabia da vinda dos cubanos há pelo menos seis meses

Professores brasileiros viajaram para diversas regiões de Cuba para ensinar português e passar informações sobre o SUS aos médicos
Médicos cubanos recrutados para trabalhar no Brasil recebem aulas de português e informações sobre o Sistema Único de Saúde há pelo menos seis meses. Mesmo sem a formalização de um acordo, professores brasileiros, usando material didático do Mais Médicos, viajaram para diversas localidades de Cuba para iniciar a formação dos profissionais, em uma sinalização de que o governo há tempos trabalha com a meta de trazê-los para o País. "Agora é só revisão. Boa parte do conteúdo aprendemos lá", assegurou o médico Alfredo Rousseaux, que desembarcou semana passada em Brasília para um estágio de três semanas. "Um dos professores daqui conheço de vista, já deu curso lá em Cuba", completou.
(transcrito de “Estado de S.Paulo”, 30-08-2013)

Abaixo, duas “Cartas de Leitores”, publicadas no “Estadão” desta 6ª feira, 30

Risco de desobediência civil no Brasil

A opinião foi publicada no Estadão desta 6ª feira. A conferir. “A Câmara dos Deputados não cassou o mandato do parlamentar que está preso em regime fechado. E ele tampouco perderá o mandato por um terço de faltas a sessões ordinárias porque o suplente tomou posse até que o deputado condenado possa voltar ao mandato ao passar para o regime semiaberto. A decisão política de não cumprir uma decisão judicial pode estimular a desobediência civil no País”. – Luiz Roberto da Costa Jr – e-mail: rcostajr@uol.com.br – Campinas (SP)

Ações da  ministra e senadora “socialista” Marta Suplicy (PT-SP)

Nossa ministra da Cultura, Marta Suplicy, pretende conceder R$ 7 milhões da Lei Rouanet para que os estilistas Pedro Lourenço, Alexandre Herchovitch e Ronaldo Fraga possam participar da belezura de uma semana de moda a ser realizada em Paris em março de 2014. Ela explicou que esses desfiles vão ajudar a promover a imagem do País no exterior. Tem toda razão, num país onde existem mais de 50 milhões de miseráveis, vai chamar a atenção essa afronta de gastar uma fortuna em profissionais que labutam na alta sociedade do País, onde se torram fortunas em roupas e futilidades. Achamos que o Brasil tem a ministra que merece, sua visão social é limitadíssima. O povo que relaxe e goze com as migalhas de seus brioches. Ela bem que poderia seguir o caminho do ex-ministro Patriota”...
João Henrique Rieder – e-mail: rieder@uol.com.br – São Paulo (SP)

O progresso da ignorância.

Escrito por Olavo de Carvalho



Estamos tão habituados a ouvir falar de "progresso do conhecimento", que não nos damos conta de que essa expressão não é um conceito descritivo, a tradução verbal de uma realidade, mas uma figura de linguagem, uma metonímia, por trás da qual não há senão uma impressão confusa e até  enganosa. A realidade a que essa expressão alude vagamente é, com efeito, apenas o aumento das informações disponíveis sob a forma de livros, arquivos, índices, microfilmes, etc., isto é, o crescimento do número de registros, bem como da quantidade de pessoas e instituições ocupadas em produzi-las. 

É certo que esse crescimento implica um acréscimo de precisão e diferenciação. Mas dizer que isso é  "conhecimento" é o mesmo que imaginar que um estudante de biologia, tão logo entra na faculdade, já conhece toda a biologia pelo fato de estar cercado de bibliotecas, arquivos e toda sorte de registros concernentes à ciência biológica. Tudo isso é conhecimento potencial, não é conhecimento ainda.

A diferença torna-se ainda mais visível quando nos lembramos de que, afinal de contas, a própria natureza em torno, o universo inteiro dos seres vivos, é um depósito de conhecimentos biológicos em potência, aguardando que o ser humano os apreenda e registre. Tão logo as informações contidas nesse depósito sejam convertidas em registros humanos, dizemos que "aumentou  nosso conhecimento", mas o que ocorre quando o número de registros cresceu a  ponto de nenhum ser humano poder abarcá-lo ou ter ideia clara do seu princípio organizador? 

Por exemplo, quanto dos registros acumulados espelha a realidade objetiva dos seres vivos, e quanto só reflete  os códigos e convenções da cultura sob cuja ótica  foram enfocados? E quem nos garante que os registros acumulados descrevem fielmente a evolução dos conhecimentos adquiridos e não os saltos, lapsos e deformações que, de uma época a outra, o advento de novas convenções impõe à compreensão dos conhecimentos anteriormente adquiridos? O que acontece, para continuar no exemplo da biologia, é que uma primeira camada de objetos a decifrar – o "mundo" dos seres vivos – foi substituída por uma segunda camada de objetos, os registros de conhecimentos biológicos, cuja decifração é igualmente difícil, não raro impossível. Isso, hoje, é o que se passa em todas as ciências.

O otimista incurável alegará que o crescimento do volume de registros é compensado pelo progresso dos métodos de indexação, sobretudo desde o advento dos computadores. Isso é uma ilusão. A conversão de registros impressos em registros eletrônicos é ainda a substituição de uma coleção de objetos por outra coleção de objetos, talvez mais fácil de manipular fisicamente mas nem por isso mais fácil de assimilar intelectualmente.

Qualquer cientista hoje em dia reconhece que ninguém domina o campo inteiro da sua ciência, quanto mais o das ciências todas, mas raramente algum deles tira daí a conclusão incontornável de que o "progresso do conhecimento", mesmo na sua área restrita, é apenas o crescimento do número de registros que vai se tornando cada vez mais indecifrável, a substituição de uma rede impenetrável de objetos naturais por uma rede impenetrável de objetos culturais.

Estes, em princípio, "significam" aqueles, mas, se o acesso aos objetos naturais passa pela aquisição do domínio sobre os objetos culturais correspondentes, resta o fato de que nas ciências culturais reina ainda mais confusão e nebulosidade do que nas ciências naturais.O domínio precário dos registros não pode deixar de afetar a compreensão dos objetos naturais que  "significam".

 "Conhecimento", a rigor, só existe na mente de quem conhece, no instante e no grau em que conhece. Um ser humano pode conhecer muitas coisas, pode dominar, num relance, uma área imensa de conhecimentos, e pode ignorar totalmente outras  áreas das quais depende a compreensão daquela que ele conscientemente abarca. 

Quando leio, por exemplo, um livro de Richard Dawkins, delineia-se claramente ante  meus olhos a fronteira entre o campo dos objetos que ele conhece e o daqueles que ele desconhece, mas à luz dos quais ele interpreta os primeiros. Isto é o mesmo que dizer que ele não compreende muito bem nem mesmo aquilo que ele conhece.

Jean Piaget estabelecia uma diferença rígida entre as ciências, que segundo ele nos dão "conhecimentos", e a filosofia, que nos dá apenas um "senso de orientação". Mas em que medida o homem desorientado no meio de uma massa de informações tem real "conhecimento" dela? Pode-se, é claro, conhecer um enigma sem conhecer a sua solução. Mas o que acontece quando não entendemos claramente nem mesmo a formulação do enigma? A desorientação, nesse caso, resvala na pura ignorância. 

O "progresso do conhecimento", nesse sentido, implica  o concomitante o aumento da ignorância. E, quando a ignorância e o conhecimento se mesclam de maneira inseparável, é a ignorância que predomina, pois é ela que determina a forma do conjunto.

Não é preciso dizer que, levada ao seu extremo, a impossibilidade de discernir conhecimento e ignorância põe em risco não só a segurança da civilização, mas a própria integridade da inteligência humana. A tarefa da filosofia é intensificar aquele discernimento e tentar preservar a integridade da inteligência no meio do crescimento simultâneo dos conhecimentos e enganos.

Olavo de Carvalho é ensaísta, jornalista e professor de Filosofia


Edições Anteriores:

Abril ( 2017 ):

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30