xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 14/06/2013 | Blog do Crato
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VÍDEO - Em breve, estaremos de volta com as novas transmissões da TV Chapada do Araripe ( E agora, alguns programas ao vivo ). O modelo será mais ou menos como no vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos em que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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14 junho 2013

DIÁCLASE SOCIAL. Por: Antonio Sávio


Já se passaram dois mil e quatrocentos anos desde que Platão escreveu "A República" onde relata o chamado mito da caverna. É (ou deveria ser) de conhecimento de (quase) todos, que o mito em questão, expresso por meio de uma parábola, relata a condição de pessoas que ignoram a realidade do mundo, e são manipuladas através da crença em sombras que supostamente representariam essa realidade. 
Uma obra de tal importância que expressa por meio de um símbolo, uma situação tão importante da humanidade que é a necessidade de perceber a realidade, trazendo em seu bojo uma série de implicações que desenvolvem o ser humano em círculos concêntricos gradativos, e que tendem a ampliar-se, não poderia de modo algum deixar de ser à base de toda e qualquer educação. Esta, bem como uma série de outras que formam o cânon ocidental, guiaram a educação do Ocidente por mais de dois mil anos, e formaram as melhores mentes, os melhores artistas, filósofos e cientistas. A chamada educação clássica ou liberal é o resultado de séculos de estudos e pesquisas diversas acumuladas e doadas a quem quiser se debruçar sobre tal conhecimento. 
É importante dizer que adquirir tal conhecimento que se desenvolve nas mais diversas áreas indo, segundo o roteiro do grande educador Mortimer Adler, da poesia (onde a imaginação é mais fluida) a filosofia (onde o pensamento é mais rigoroso), nunca foi, não é e nem será tarefa fácil. A educação verdadeira nunca foi um produto de “inclusão social” ou, como queiram “inclusão sócio-econômica”. Se a princípio, quando supostamente educado o indivíduo tenha acesso a setores da sociedade que antes eram-lhe fechados, caso progrida em seus estudos de modo que, sua educação não tenha por princípio apenas o ensino, para que este sirva-o de trampolim social, ele, certamente será o primeiro que quererá sair dos círculos sociais que uma vez almejou, não suportando mais as picuinhas, os comentários baixos, os erros de análise sobre a realidade, bem como uma série de outros que estão fadados a quem não foi devidamente educado. Ao emancipar-se, o individuo dá um passo a frente, e, como sabemos há séculos, não se pode estar ao mesmo tempo em dois lugares.
No Brasil, a ideia de educação clássica nunca foi devidamente inserida estruturalmente. Isso significa dizer que, embora sempre houvesse indivíduos que a adquiriram, seus esforços são méritos unicamente seus, uma vez que o governo brasileiro de algum modo, se não rejeitou, não foi capaz de desenvolvê-lo em uma política educacional competente. Algumas gerações atrás, estes indivíduos isoladamente forjaram o cenário intelectual brasileiro, tapando por si, as arestas que uma educação governamental ou privada seria incapaz de fornecê-los. Pode-se dizer que ainda assim, as pessoas de boa educação poderiam ser suportadas frente à massa. De uns tempos para cá, o país vem numa decaída monumental da educação. A doutrinação ideológica, o descaso estrutural com a educação, ou melhor, com o próprio sentido moral do brasileiro foi corrompido.
Vale destacar aqui, é que em todos os lugares sempre existiram pessoas que não tiveram acesso aos mais valiosos bens culturais, mas que porém, por isso mesmo, essas pessoas estavam um tanto deslocadas das reflexões mais críticas e em geral do poder político e social. É claro que um leitor mais atento poderá dizer que em toda história da humanidade também é possível comprovar que as pessoas mais desprovidas de inteligência ou talento já ocuparam altos cargos e exerceram forte influência política. E de fato isso ocorre até hoje. A questão é que a política não é feita apenas de uma esgrima intelectual, mas, sobretudo de uma esgrima de influências e poderes econômicos, troca de favores, rabo preso, segredos ignóbeis, etc. Isso por si só poderia explicar como tanta gente incompetente pode permanecer no poder. Mas o que tratamos aqui é justamente isso. Em como ainda pensamos em mudar alguma coisa fazendo uso da fabula do beija-flor, onde o mesmo faz sua parte e assim dorme tranquilamente mesmo depois de ver a floresta em cinzas, embora isso não seja comentado na fábula tradicional. 
Em algum momento as pessoas deste país que em seus desejos mais profundos queiram ver alguma mudança para melhor e não o seguimento doutrinário através de chavões sociopatas, digo, socialistas, terão que entender que fazer sua parte sem um apoio político não há como fazer muita coisa. É claro que, as ações de diversas entidades civis tem sido “o sal da terra” deste país, sendo uma espécie de sobreviventes de uma sociedade que um dia foi civilizada. Mas, é isso e nada mais. Há uma diferença entre sobreviver e ter poder sobre a conjuntura, ter poder de decisões, e ter influência política. 
Atualmente o país inteiro vive uma onda de diversos protestos onde impera o caos nas áreas de transporte público, educação, saúdo, habitação, cultura, etc. Há quem por acostumar-se a ver ações políticas imediatas como o supra-sumo da existência humana, possa achar que o país após a eleição do Lula tenha entrado na era das inclusões, onde programas sociais tenham atenuado as divisões sociais mais graves, incluindo assim milhões de pobres na agora nova classe média. Que isso seja verdade ninguém questiona, a economia neste ponto é rigorosa e demonstra efetivamente este fenômeno, porém, nem só de economia vive um país. A prova disso é que, ao questionar por que os índices de violência que sempre foram altos e eram gerados segundo os candidatos petistas pelas diferenças sociais não diminuíram já que, segundo consta, estes eram causadores daqueles? 
Algumas questões sociológicas fundamentais estão plenamente esquecias ou enterradas pelas análises feitas em jornais, universidades e escolas em todo país. Nenhuma sociedade desenvolve-se tão somente por uma perspectiva econômica. A religião, a moral, a imprensa, os valores como liberdade, educação, livre comércio, são fermento para o desenvolvimento social em qualquer parte do mundo. Quando vemos propagandas do governo cheia de sorrisos dizendo que subimos nosso índice de avaliação básica de 4.0 para 4.2 depois de dez anos de governo só podemos estar fazendo chacota da inteligência alheia. Quando dizemos que a culpa da violência do país é por conta das diferenças sociais e dez anos depois dizemos que incluímos mais de quarenta milhões de brasileiros na classe média e magicamente também aumentamos o índice de assassinatos para cinqüenta mil mortes por ano, só podemos estar tripudiando da população. Quando falamos de democracia e um ex-presidente aconselha a uma quadrilha como as FARC, a principal fornecedora de drogas da América Latina a se transformar em um partido político, ou, quando a presidenta eleita recebe desta mesma facção uma carta de felicitações quando eleita chamando-a de “companheira”... É por que a consciência mínima esperada de uma sociedade já foi para as cucuias. Ao olhar para o cartão do Bolsa Família, que de fato é uma necessidade de milhões, o brasileiro já então cego e inconsciente olha para a foto da nova trindade (Lula, Dilma e José Dirceu) levantando o cartão como hóstia fala orgulhoso: “Tudo posso naquele que me fortalece”! E quem ousa dizer que não?

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