xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 21/02/2013 | Blog do Crato
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VÍDEO - Em breve, estaremos de volta com as novas transmissões da TV Chapada do Araripe ( E agora, alguns programas ao vivo ). O modelo será mais ou menos como no vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos em que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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21 fevereiro 2013

A lebre desprendida - Por: Emerson Monteiro


No registro das lendas que contam vidas passadas do Buda existe a que conta sobre lebre jovem que habitava as encostas de afastada montanha, tendo por amigos uma lontra, um macaco e um chacal.
Ela se alimentava de ervas, folhas e frutos e tomava como prática viver sem prejudicar quem quer que fosse. Entre os outros animais, ministrava ensinamentos de como distinguir o mal do bem, passando suas aulas através de lições as quais transmitia com prazer.

No transcorrer do tempo, aproximou-se o dia da festa maior do lugar, época de receber visitantes que peregrinavam pelas matas. De acordo com os costumes, preparariam oferendas a esses destinadas, recolhidas nos encantos da natureza.

Enquanto outros bichos dispunham dos meios de elaborar brindes valiosos, a lebre, contudo, defrontava pobreza extrema, a dispor, na ocasião, de ervas e coisas de somenos importância a oferecer aos que visitassem a mata.

Indagada pelos companheiros do jeito que demonstraria sua gratidão e respeito, não mediu palavras e disse:
- Caso alguém me procure, não oferecerei ervas comuns, de fácil localização. Quero possuir dote precioso. Nisso, a mim mesma, meu corpo, valor único que possuo, darei de oferenda, pois ninguém retornará sem a devida atenção de minha parte.

Chegado o grande dia, pessoas vindas dos mais afastados lugares adentraram as matas para conhecer de perto seus moradores, um desses peregrinos sendo o próprio Sakka, a personalidade suprema do Poder, que vê os pensamentos que fervilham as consciências. Veio investido na figura de um simples brâmane e de pronto se dirigiu à toca da lebre.

Ao vê-lo, esta, ágil e prestativa, depressa falou ao visitante:

- Fizeste o melhor vindo à minha morada, pois quem me visitasse neste dia receberá o que de mais precioso possuo, e é isto te ofereço na linda festa de todos nós.

Olhos atentos, o brâmane observava os raros e pobres trastes que existiam na casa simples, interrogando a que a lebre se referia nas suas palavras acolhedoras. Daí, ouviu o que ainda acrescentava:

- O dom de que falo, e que pretendo oferecer do íntimo coração, sou eu mesma, meu corpo vivo que aqui vês, e que mereces inteiro, pela nobreza de tua dedicação ao Bem nas tuas ações puras e austeras. Por isso, junta gravetos para acender o fogo e preparar o teu repasto.

Mediante oferta tão decidida, o brâmane se movimentou, fazendo crepitar uma fogueira cujas chamas iluminaram o escuro da folhagem.

Em seguida, num gesto impávido, ligeiro, a lebre lançou-se no meio das labaredas crepitantes, como quem se atira no seio de águas profundas, atendendo a todos os anseios e dores da existência que vivera até então. O brâmane nem teve oportunidade para impedir a intenção contundente da sincera devota.  

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