xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 10/02/2013 | Blog do Crato
.

VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



Comunidade Cratense no Facebook - Mais de 24.000 seguidores. Clique em Curtir e adicione a sua Foto !

10 fevereiro 2013

Um burrinho à venda - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

A vida é bela e o mundo não é somente dos vivos, mas também dos mais espertos. Há alguns anos, quando eu ainda trabalhava em Juazeiro, ouvi entre as muitas histórias atribuídas ao popular Lunga do Juazeiro, esta que segue. 
Nas eleições municipais de 1988, seu Lunga se candidatou a vereador daquela cidade. Gastou as pequenas economias que sua sucata lhe proporcionara na compra de milhares de pares de sandálias para convencer os eleitores. Ficou apenas com um velho burro de puxar carroça e uma rural presa na garagem de sua casa, pois a prefeitura do Juazeiro construiu um calçadão na rua onde seu Lunga morava. Seu Lunga se recusou a tirar o carro da garagem, alegando ao então prefeito, Manuel Salviano, que na sua casa o prefeito não mandava. Quando realizaram a apuração da eleição, os votos esperados por seu Lunga sumiram, e ele perdeu feio. 
Então, foi vender o único bem que lhe restava: o pequeno burro. Levou-o à feira dos animais, existente ainda hoje em todas as cidades nordestinas. Logo que seu Lunga chegou à feira com o burrinho, não demorou a aparecer interessado na compra do animal: “Quanto custa este burro, seu Lunga?” Perguntou um pretenso comprador. “Trezentos mil.” Respondeu seu Lunga, com aquela secura que lhe era habitual. “Dou duzentos no pau.” Replicou o comprador, utilizando uma gíria ainda muito em voga na região, que significa uma compra à vista. “Só vendo o burro inteiro.” Respondeu seu Lunga, com aquela sua polidez de trator de esteira, pondo fim, dessa forma, àquela inútil discussão.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Nos passos do pai (matéria publicada no "Estado de S.Paulo" deste domingo)




Bem que o povo ensina: quem sai aos seus não degenera. O deputado federal Renan Filho, 33 anos, o mais votado dos candidatos alagoanos em 2010, depois de ter sido, como o avô e um de seus sete tios, prefeito de Murici, reduto do clã Calheiros, teve com quem aprender, e soube aprender depressa, que o nosso é apenas nosso, e que o dos outros é nosso também - a regra de ouro do patrimonialismo. Mal o seu pai se elegeu pela segunda vez presidente do Senado, sob denúncia do Ministério Público Federal por peculato, falsidade ideológica e utilização de documentos falsos, Filho ingressou no noticiário político pela via escusa e geralmente desimpedida da apropriação de bens públicos. No caso, as chamadas verbas indenizatórias com que o Congresso banca os gastos de seus membros com itens vinculados ao exercício de seus mandatos, como passagens aéreas, comunicações e aluguel de escritórios políticos - o que já de si é uma exorbitância.

Ontem, enquanto ainda ecoavam os gritos de "ladrão", "safado" e "sem-vergonha" que na véspera acompanharam Renan pai na subida da rampa do Congresso, este jornal revelou que o seu primogênito usou pelo menos R$ 190 mil daqueles recursos para pagar honorários de advogados de ambos, em causas privadas nas esferas cível e trabalhista. Não é de hoje: a lambança vem do início de 2011. Desde maio desse ano, R$ 10 mil pingam mensalmente nas contas do escritório Omena Barreto Advogados Associados, com sede em Maceió. A fonte pagadora, indiretamente, é a Câmara dos Deputados - o contribuinte, portanto. E há o clássico "pequeno detalhe". Conforme os registros da Receita Federal, o escritório foi fundado no mesmo mês em que começou a receber a mesada, apurou o repórter Fábio Fabrini.

Um de seus sócios, Rousseau Omena Domingos, tem procuração de Renan Filho para representá-lo no processo em que o deputado cobra indenização por danos morais e materiais do consórcio do qual adquiriu um veículo que não consegue vender porque a firma não levantou as restrições ao negócio - um caso pessoal e trivial. Rousseau, o advogado, não tem procuração para defender o político em nenhuma ação judicial que eventualmente envolva a sua atividade parlamentar. O deputado nega ter usado a verba indenizatória para custear os honorários do patrono. Alega que a utilizou, mas para remunerar o escritório por "serviços de consultoria e assessoria parlamentar na elaboração de projetos e relatórios", publicados no site da Câmara.

As respectivas notas fiscais foram apresentadas. (Em 2007, Renan pai apresentou notas fiscais de supostas vendas de gado a fim de provar que tinha recursos próprios para arcar com o pagamento de pensão à ex-namorada com quem tem uma filha, não necessitando dos préstimos do lobista de uma empreiteira para aquele fim. As notas são frias, sustenta o procurador-geral da República, Roberto Gurgel.) Também no início de 2011, outro advogado de Maceió, José Marcelo Araújo, recebeu do gabinete de Renan Filho R$ 20 mil. No ano anterior, ele defendera no Tribunal Regional do Trabalho do Estado uma empresa de agropecuária da qual o seu pai é sócio. Na ação, uma trabalhadora rural alegou que prestara serviços à fazenda dos Calheiros com vínculo empregatício. A firma ganhou a causa.

Filho se recusa a dar explicações sobre a atuação do advogado no caso. "Ele trabalhou para outra pessoa", desconversa, aludindo ao pai. "Imagine se, quando você contrata (um advogado), tem de checar se prestou serviços para alguém", como se isso tivesse alguma relação com a procedência do dinheiro destinado aos seus honorários. Com a sua pouca idade, o deputado segue a senda do senador em quem se inspira na prática da embromação. No seu site, se lê que ele "já manifestava sua vontade de melhorar a vida das pessoas" quando se elegeu duas vezes presidente do centro acadêmico da faculdade de economia da UnB, onde se formou. Como prefeito de Murici, também eleito duas vezes, preocupou-se "com o bom uso dos recursos públicos". Parece o pai, ao reassumir a presidência do Senado, dizendo que "a ética é meio, não é fim" e "obrigação de todos nós".

Diversões do Crato nos anos sessenta. – Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Quem já ouviu falar das tertúlias que ocorriam em Crato nos anos sessenta? Qual o adolescente ou jovem da época, que não freqüentou uma tertúlia? Nesse tempo o divertimento dos jovens do Crato era animado, além de econômico.

 Quem viveu nessa época sabe como essa diversão era saudável, não havia bebida alcoólica, nem outras drogas. O objetivo era dançar, se divertir, flertar ou namorar. Quem tivesse uma casa com sala ampla chamava os jovens que estavam na Praça Siqueira Campos, para participarem de uma tertúlia. Ninguém sabe como, mas de repente, todo mundo sabia onde haveria tertúlia naquele dia. Depois dos jovens reunidos, a radiola era ligada com os discos mais tocados na época: Roberto Carlos, os Beatles, e todas as músicas da jovem guarda. Lembro-me bem que participei de muitas tertúlias na casa dos meus primos Jefferson Albuquerque Júnior e irmãos. Como a casa era da tia Letícia, mamãe permitia que eu fosse. Entretanto, muitas vezes tinha que fugir, pois ela me proibia de ir, dizendo que não queria que eu fosse “um piolho de festas”. Lembram desse termo? Acho bastante engraçado! Embora eu tivesse certeza que meus dois irmãos mais velhos estariam lá e, eles contariam a mamãe da minha presença na tertúlia; mesmo sabendo que ia receber uma reprimenda, valia a pena participar de tão agradável diversão. A idade de treze anos faz os pais se preocuparem com os filhos. Entretanto, nessa época esse tipo de festa, não tinha perigo nenhum. Uma vez fui a uma tertúlia na casa de seu Pierre. Dancei com Carlos e hoje ainda lembramos que não imaginávamos naquela época, que um dia, seríamos marido e mulher. Ele afirma que já simpatizava comigo. Mas ainda não era o momento de iniciarmos o namoro devido à minha pouca idade.

Outra grande diversão eram as matinais do domingo no Crato Tênis Clube. Ali também se reunia a mocidade. Essa eu podia participar, uma vez que papai e mamãe gostavam de ir, levando toda a família.
 
Havia também as grandes festas do Crato Tênis Clube à noite, tocadas pelos conjuntos: “Hildegardo e Seu Conjunto”, “Ases do Ritmo” de Hugo Linard e do seu pai, seu Irineu, “Ivanildo e seu Conjunto”, os “Águias” e outros. Muitas pessoas mesmo sem gostar de dançar iam às festas para apreciar os pares que dançavam muito bem. Quem não se lembra de Salete Libório, dançando com Seu Libório, Paulo Leonardo e Vanda, Mariquinha Feitosa e seu esposo, todos eles casais “Pés de Valsa” do Crato daquela época.

No carnaval havia festas no Crato Tênis Clube que eram bastante conhecidas. Muitos foliões vinham de fora para passar o carnaval em Crato. Durante os festejos carnavalescos, além das matinais do domingo e da terça-feira, à noite o clube ficava iluminado para mais um baile de carnaval. Na quarta-feira de cinzas, todos que estavam na festa saiam acompanhando a orquestra para o encerramento do carnaval na Praça Siqueira Campos. A Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB) promovia também muitas festas e carnavais. No carnaval de rua, havia o corso. Eram vários carros desfilando com todos bem fantasiados.

Lembramos também dos cinemas que eram muito freqüentados, o Moderno, o Cassino e a Educadora.

Outra coisa que ficava lotada era a Quadra Bicentenária para as partidas do futebol de salão.

A Praça Siqueira Campos enchia-se de jovens nos fins de semana. Era de lá que os jovens marcavam encontro para irem aos cinemas, às tertúlias ou outros programas como serestas e luaradas.

A Praça da Sé era um local para os casais namorarem nos bancos, à sombra dos oitizeiros e outras árvores. Era mais sossegada do que a Praça Siqueira Campos. Em setembro, durante a Festa da Padroeira, a praça ficava toda iluminada, repleta de barracas de cachorro quente, pipoqueiros, vendedores de filhós, charutos, roletes de cana, bombons, enfim comida para todos os gostos. Uma multidão de cratenses enchia a praça, para assistir a novena e participar das atrações.

Outro evento conhecido no Crato e que já era muito animado nos anos sessentas, era a Exposição Agropecuária. A casa dos meus pais ficava localizada na Rua Leandro Bezerra, subida para a Exposição. Eu e minhas amigas sentávamos em uma pequena mureta que acompanhava o jardim da nossa casa. Ficava impressionada com a quantidade de pessoas que passava em direção a Exposição. Hoje o fluxo de pessoas é bem maior.

Falar do Crato dos anos sessenta, não é tirar o mérito do Crato de hoje. É só para lembrar que os jovens ou adolescentes daquela época, que hoje estão chegando aos sessenta anos, que aquele era um tempo feliz. Podemos contar para os filhos e netos que no futuro também irão relembrar os momentos felizes da juventude deles, pois “recordar é viver”.

A infância, a adolescência e a juventude, são fases da nossa vida que servem para alicerçar a vida adulta. São essas experiências vividas na infância e juventude, que nos fizeram amadurecer para nos tornamos adultos equilibrados e felizes.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Outros nomes da vaidade - Por: Emerson Monteiro


Mágoas, ou melindres, as denominações que representam a clássica vaidade – expressões do mesmo tipo de sentimento negativo que só atrasa a evolução. Chegam cobertos de falsas razões, cercam os modos de comportamento e firmam pés na alma, quais protagonistas de dramas suburbanos, peças de preguiça moral que constrangem e machucam tantos.

A psicologia prática funciona assim quando mal utilizada, encharca de motivos inúteis o terreno da compreensão, observando a ação dos outros da humanidade, espécie de radar para fugir da raia das atitudes coerentes. Coleta aqueles pretextos de egoísmo e corre os corredores da existência, na intenção de fugir da evolução, querendo demorar no samba do erro. Com isso, atrasa a possibilidade do crescimento espiritual. Fica ali rondando cada passo no ponteiro das horas, séculos cobertos de argumentos esfarrapados para permanecer nos vícios.

As mágoas expelem o tóxico do orgulho, bucho inchado das lamas acumulados no medo de avançar os mistérios da perfeição. Operador da máquina individual, o ator permanece vítima de si próprio, guardando trunfos de ácidos corrosivos nos depósitos que serviriam ao desenvolvimento da personalidade, fossem melhor preenchidos.

Já os melindres expressam o instinto de conservação do que significa a importância criada na força do desejo de dominar. Ferido na autovalorização que produziu, o cidadão evita os acontecimentos, a real dimensão de si, atolado nos conceitos de imagens elaboradas longe da Verdade. Padece da enfermidade que inventou nas noites escuras do isolamento, qual rei sem coroa. Constrói a cama da solidão e nela deita, feito soberano de mundos imaginários, porém conquistados na alienação.

Ah, quanta valia jogada nas latas do lixo, tempos preciosos largados longe da construção essencial da Felicidade. Pobres melindrosos, magoados nas arestas da ilusão, vítimas do comodismo, presas da estagnação...

Todos possuem o peso certo de perfeição, sim, pois mais tarde ou mais cedo podem chegar na transformação principal, no entanto longe das balanças dos egos ambulantes que repassam tais respostas erradas, mágoas e melindres. Há descobertas justas aos desafios, sem esses enganchos. Só levantar os olhos da consciência e obter ganhos de luz que clareiam no horizonte o Infinito.       

Edições Anteriores:

Abril ( 2017 ):

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30