08 novembro 2013

Guarani Araripe - Por: Emerson Monteiro

Há poucos dias, esteve no Cariri, a lançar seu livro Anotações da Adolescência, o escritor Guarani Valença de Araripe, arquiteto, memorialista e poeta baiano de Ilhéus que possui raízes pessoais nas terras cearenses. Com o Instituto Cultural do Cariri em noite de gala aos 60 anos de existência, obtivemos oportunidade conhecer, na pessoa distinta do escritor visitante, um exímio conversador, dotado da alma alencarina e amigo de amigos meus nas plagas baianas.

O trabalho objeto desse autógrafo na noite festiva compõe poemas produzidos aos primeiros impulsos literários do autor, Nos idos / vividos, / sentindo / lamentos / tormentos / dos tempos / em flor, qual ele diz na poesia Lampejos, constante do livro.

Versos sinceros, organizados com esmero e qualidade, transmitem a verdade do jovem no auge dos amores primeiros, primeiras descobertas dos sentimentos vorazes da existência. Cada página reflete vontade do dizer cheio de paixão e ansiedade. Versos? / Sofridos / Nos anos diversos.
Explicita nos detalhes apaixonados o tempo rico de sonhos que exercita no leitor viver de emoções semelhantes, frutos eternos da verve humana de fase tão nobre das idades.

Contudo Guarani traz consigo também outros momentos da escrita, desde quanto tomou a punho o dever de perpetuar a história dos pais, João e Maria, ambos originários do clã dos Alencar das imediações de Crato, no Sul cearense, tronco da heroína Bárbara e seus filhos, no qual tem origem.

No livro Café Central (o romance da João e Maria), edição de Casa de José de Alencar (UFC), Fortaleza, 1997, Guarani Araripe narra com particularidades a trajetória de vida do tio avô João Freire Napoleão, um rico acervo de referências histórias do Ceará entre os séculos 19 e 20.

Já na obra Histórias de Seo Alencar, meu pai, edição particular, Salvador, 1989,
outra das suas produções literárias que nos dedicou, Guarani centraliza as peripécias do genitor pela narração dos passos de quando se transferiria de Fortaleza a outros lugares, até fixar residência definitiva nas terras baianas do cacau, em Ilhéus.

Apreciador contumaz que sou das páginas interioranas da literatura, nesse escritor apreciei instantes próprios dos que mantêm acesa a chama viva das memórias familiares, a base real da sociedade e dos valores da cultura.

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