11 setembro 2013

Agora é fácil dizer: “Imortal”, FHC fala em reinventar democracia no Brasil


(excertos da reportagem d’O Estado de S.Paulo)

Marcos de Paula/Estadão
 Fernando Henrique afirmou que a situação do País ainda "é tensa" por causa dos protestos

Ao tomar posse na Academia Brasileira de Letras, ex-presidente faz autocrítica, lamenta a falta de 'alma democrática' no País e chama corporativismo de 'cupim'

RIO - Em discurso de posse na Academia Brasileira de Letras (ABL), na noite desta terça-feira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso apontou uma crise nas instituições, criticou o corporativismo e os partidos políticos e fez uma autocrítica ao citar os vícios da relação entre os poderes Executivo e Legislativo.

"Os partidos desdenham da relação direta com a comunidade. Abdicam da função fiscalizadora do Executivo, abrem espaço a ações do tipo rolo compressor do Executivo. Quantas vezes eu fiz isso", afirmou o ex-presidente para uma plateia que incluía companheiros tucanos como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o ex-governador José Serra e o senador e provável candidato à Presidência Aécio Neves (MG).

Eleito em junho, com 34 dos 39 votos possíveis, para o lugar de João Scantinburgo, Fernando Henrique criticou a "falta de alma democrática", o excesso de burocracia e os interesses fragmentados de sindicatos e outras instituições. "O corporativismo que renasce e passa do plano político ao social é o cupim da nossa democracia. Se somarmos impulsos populistas, temos um sistema político enfermo", discursou. Ele chamou atenção para as ondas de protesto que tomam conta do País e do mundo e para a incerteza de seus efeitos. "A agenda pública se encolhe e as ruas sequer são ouvidas (...). Ou reinventamos a democracia contemporânea ou poderá haver a manipulação por formas de autoritarismo".
  

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