11 julho 2013

Costumes bárbaros - Por: Emerson Monteiro


As lideranças se mobilizam através de sucessivas manifestações públicas. Passeatas. Assembleias. Faixas. Entrevistas. Discursos. Audiências. Uma delegacia da mulher criada para o Crato. Outra para o Juazeiro.

Essa brutalidade reedita as fases negras da história das sociedades humanas, quando o valor da vida chegava às raias da gratuidade, pessoas vendidas nas praças quais coisas e animais. A infeliz repetição das maldades pede atitudes firmes. Nessas horas, a liderança deverá cumprir suas reais funções. O que fazer? Como agir em resposta à periculosidade dos autores dos crimes? A quais instituições cabem as providências? Somos uma sociedade organizada para fazer frente a esse desafio da força bruta? Perguntas insistem na busca da solução do enigma.

As causas desse estado de coisas merecem avaliação. Vive-se um tempo de contradições sociais nunca resolvidas. A pobreza material sai da busca da sobrevivência para as ruas. A falta de alimento físico chegou à falta de educação formal e moral. A ganância dos corruptos comeu a alma do povo. O tecido comunitário desatinou. Os jovens não enxergam mais o bom exemplo nas gerações antecedentes. Isso tudo somado à ideologia do lucro que predomina entre os meios de comunicação de massa. A grande imprensa brada aos quatro ventos o crime em suas variadas espécies, e acrescenta a impunidade que lhe acompanha. Os poderes da república recebem sucessivas derrotas dos marginais melhor organizados do que a grande sociedade. Aquilo que resolveram denominar de banalização da violência são as piores arbitrariedades praticadas e que recebem foro de normalidade. Desde a guerra brutal das superpotências, a dizimaram povos mais fracos, até regras leoninas de mercado e produção de bens visando tão só a multiplicação do capital, em mundo acostumado com as facilidades e os padrões estabelecidos quais leis definitivas.

O ser humano rende-se alienado à grande estrutura. Virou bicho. Coisa.

No entanto, no que pesem tais aspectos, existem perspectivas de retorno à esperança, ao otimismo, sim, por intermédio da formação de um consciência histórica comprometida com o reparo desse quadro torto. Só assim chegar-se-á na porta de saída do erro. As dificuldades determinam o quanto investir na unidade do grupo social e na sua mobilização coletiva. Ao trabalho quem aspira melhores dias. O trabalho dignifica o ser humano. 


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