31 maio 2013

Telma Brilhante - Por: Emerson Monteiro

Telma de Figueiredo Brilhante é uma escritora cearense que mora em Recife, onde exercita sua capacidade criativa por meio das várias produções que traz a público. Contos chão. Aflição de pássaro. Magia do instante. Crepúsculo das coisas. O pequeno pescador. De família de intelectuais e militantes políticos, nos livros, ela desenvolve a consciência da escrita em forma de contos, poemas, ensaios:

- Uma infância feliz me levou a recontar histórias para os filhos e depois transformá-las em livros – disse Telma numa entrevista recente (O charme da palavra) à revista Poesia & Cia. (n.º 3 / mulheres), da capital pernambucana.

Todos os lugares possuem a literatura que os caracterizam, alguns na voz arrastadas dos contadores nas varadas enluaradas; outros, através da prensagem das edições sucessivas, repassadas a público em mercadorias industrializadas. Contudo permanecem a fustigar modalidades novas de seres humanos nas legendas de gerações que a si sucedem.  

Os escritores existem por conta e risco pessoais. Quando resolvem preencher esse vazio social histórico o fazem porque não aguentariam mais silêncio pelos cantos das comunidades, nesse mundo cheio das utilidades mil de objetos inanimados. Ainda que tal aconteça, seguem só as trilhas subterrâneas dos meandros cardíacos, por vezes lá distantes dos mortais comuns, no entanto dotados da coragem extrema de sobreviver a custos individuais enormes, preço de solidão, angústias e saudades.

Li nalgum lugar, ocasião de guardar detalhes se não viram sucatas da memória, a propósito de um poeta russo perseguido nas reviravoltas do poder daquela gente. No momento que o fichavam para prisão, lhe indagaram que profissão exercitava. – Poeta - respondeu. Os guardas quiseram saber detalhes técnicos daquele ofício perigoso: - Formado em qual escola? - O autor apenas acrescentou: - Na escola da vida, pois poeta é cria da própria existência. Nenhuma escola forma poetas – sendo esse o valor da liberdade que o autor ali perdia por mera desocupação, na era melancólica dos stalinistas.


Enquanto que vivências saltam de pessoas a pessoas, o afã imaginário dos livros persiste a qualquer custo nas dobras dos séculos. E Telma Brilhante significa bem isso de resistir a voragem do esquecimento cultural das tradições no decorrer de todo tempo. Gosto de receber as suas notícias de novas edições, pois tal preserva o instinto valente dos produtores de sonhos, sina fiel dos escritores.  

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