07 março 2013

A linhagem de Honório - Por: Emerson Monteiro

Dentre os filhos de Fideralina, Honório Correia Lima sofreria consequências danosas em face da iniciativa de fazer oposição aos caprichos políticos de sua mãe, sendo destituído da Intendência de Lavras a 26 de novembro de 1907. Chegara a deputado estadual. E, em Fortaleza, por graça da aproximação com o Presidente da Província, seria nomeado ao cargo máximo de Lavras, já este ocupado por Manuel José de Barros, de confiança da genitora.


Magoada, Fideralina Augusto quis demover Honório da pretensão, no que desmereceu atendimento. Os dois, com isso, mantiveram diálogos inflamados e sem alternativas positivas. Contam até que Honório miraria rifle na direção da matriarca num momento acirrado.

Isto tudo geraria, da parte da mãe mobilização dos jagunços para tomar no pulso a municipalidade de que o filho se investira, conforme narra a crônica. Determinaria, na ocasião, que os cabras, no entanto, não o molestassem, sob pena da própria morte de quem assim o fizesse.

Das escaramuças, que envolveram a influência também de outros coronéis da região do Cariri, à frente do mando de Lavras restou o meu bisavô, Gustavo Augusto Lima, que também viria a ser deputado estadual, e adiante, no ano de 1911, pereceria vítima de atentado em Fortaleza, no pleno exercício do mandato.

Passada a destituição de Honório, este demoraria algum tempo em Fortaleza, mas retornaria à Região, quando, desde o município de Caririaçu, planejaria nova batalha pelo poder em Lavras, no episódio da invasão da cidade pelo caudilho Quinco Vasques, sem, entretanto, obter êxito.

O andamento dos acontecimentos levaria de volta a família de Honório a Fortaleza, longe dos vínculos troncos originais. A sede do feudo, o Sítio Tatu, onde, inclusive, Fideralina vivera e terminara seus dias em 1919, caberia na partilha dos bens ao filho Gustavo Lima e, posteriormente, aos meus avós, ambos descendentes direto da família.

Hoje, algumas versões que circularam a propósito das atitudes de Fideralina Augusto demonstram as marcas dessa querela a evidenciar o tanto das desavenças internas do clã, no passado. Existem libelos viperinos e maldosos que pintam de terríveis crueldades gratuitas à imagem da lendária cidadã, pondo-a no rol dos títeres mais sanguinários, com acusações à posteridade dos descendentes, impedidos de defesa dados os elementos insuficientes desfeitos na poeira dos tempos. Textos e livros escritos lá fora, alguns no Sudeste, descrevem os incidentes de Lavras da Mangabeira e a participação dos Augustos assacados de modo impiedoso, lançando doses de terror sobre os atos D. Fideralina a ponto de lhe assimilar as práticas individuais à dos piores facínoras.  

Contudo, persiste dúvida quanto à veracidade das tais narrações históricas e do que as ocasionou, sem o testemunho da fidelidade ou frutos, tão só, da inclemência dessas lutas de poder, a considerar quanto carecem de elementos consistentes aos documentos distantes, nas ocorrências antigas. À impessoalidade dos séculos, portanto, igualmente caberá a palavra conclusiva da verdadeira justiça.    

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