30 janeiro 2013

Racismo ou preconceito? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo


Conceitos são idéias formuladas sobre determinados assuntos, objetos e entes reais ou imaginário. Geralmente os conceitos podem ser definidos por meio de palavras ou outros conceitos já devidamente conhecidos. Nas ciências que se orientam pelo raciocínio lógico, existem alguns conceitos que não possuem definição, tidos então por conceitos primitivos. Já o preconceito é um juízo preconcebido e arraigado no íntimo das pessoas, de forma discriminatória contra grupos de pessoas julgadas como inferiores, ou contra seus costumes, regiões ou países.

Quando o preconceito se verifica de forma generalizado, com determinados grupos de pessoas se julgando melhores e mais importantes do que outros, temos uma das formas de racismo.

Acredito que o racismo no Brasil é como fogo de monturo, muito disfarçado, que queima internamente. Avistamos apenas sua fumaça. Mas ele nos atinge quando o pisamos descalços. É difícil de ser apagado, a não ser quando chove torrencialmente, coisa não muito comum por essas épocas de muita seca no coração humano. É claro que não possuímos um racismo de segregação como anteriormente ocorrido na Europa, nos Estados Unidos e África do Sul. Mas alguns exemplos nos dão conta da existência de muitos preconceitos contra grupos de pessoas e lugares.

Há poucos dias tivemos noticias pela imprensa de um casal da alta sociedade carioca, branco, que foi a uma concessionária de automóveis BMW com um filho adotivo de sete anos, negro. Enquanto conversava com o gerente da loja, o menino ficou assistindo televisão na sala dos clientes. Quando então, um dos vendedores expulsou a criança da sala, enxotando-o para a rua. Seus pais ficaram indignados, mas resolveram não formular queixa na polícia em atenção ao gerente, e lançou seu protesto através dos meios de comunicação social.

Outro exemplo com cheiro racista, foi notificado timidamente pela imprensa na última semana. Um capitão da policia de uma cidade do interior paulista orientou sua tropa a revistar todos os negros e pardos que encontrassem pelas ruas, como se pessoas com essas características fossem todas marginais.

No inicio dos anos da década de 1960, um grupo de moças de um colégio do interior cearense excursionou a Salvador. Extasiadas com a beleza da cidade e a quantidade de lojas com riquezas de produtos não encontrados na terra natal, entraram para compras em um grande magazine, como se denominava naquela época. Um dos vendedores negro, muito simpático, encantado com a brejeirice das adolescentes, ao saber que elas eram cearenses, resolveu brincar de forma discriminatória. Foi até a uma seção nos fundos da loja e voltou trazendo uma bacia, uma peneira e uma caneca cheia d'água. Despejou a água sobre a peneira e perguntou às garotas:
- Vocês conhecem o que é isso?  Isso aqui é chuva!
E recebeu o devido troco de uma das excursionistas bastante atrevida, com resposta de conteúdo mais preconceituoso ainda:   
- Chuva a gente já conhece, mas negro lá não existe, estamos conhecendo agora.

Não resta nenhuma duvida que temos alguma forma de preconceito racial, herdado desde os tempos da escravatura e que é um cancro difícil de ser extirpado, mesmo com a legislação punitiva que se tem atualmente. O remédio para tais males, contudo não se encontra nas leis. Está no coração do homem. Somente com educação poderemos ter um povo consciente de que todos somos iguais, sem distinção de cor, raça, religião, sexo ou preferências políticas e sociais. O problema maior é que para educar um povo como o brasileiro é uma tarefa árdua, cujos frutos provavelmente serão colhidas daqui a cinqüenta anos. Nos últimos anos temos alguns avanços, embora tímidos, mas muito tempo já foi perdido, desde quando Dom Pedro II deu o grito do Ipiranga.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo 

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