xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 24/06/2012 | Blog do Crato
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VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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24 junho 2012

BLOG DO CRATO - Edição Especial - TÚNEL DO TEMPO


Bom dia, Crato!


Ao revirar aqui as páginas do Blog do Crato, me deparei com um acervo magnífico, um verdadeiro tesouro sobre a nossa cidade, que agora pode ser facilmente acessado através dos botões azuis na parte superior do Blog. Na verdade, o Blog do Crato passa a ser um site integrante de algo maior, que é o Portal Chapada do Araripe, e todo o acervo de mais de 22.000 artigos foram incorporados e catalogados ( pelo menos já temos uns 60% de trabalho realizado ). De tanta coisa linda que vi, trago algumas postagens que considero primorosas à alma eo jeito do Cratense, escritas por vários dos nossos melhores escritores. Deliciem-se!

Abraços,
Bom Domingo,
Dihelson Mendonça

Programa Música Inesquecível - Edição 01



Aos que gostam de música de qualidade, aqui está o meu programa MÚSICA INESQUECÍVEL, que apresento todas as segunds-feiras pela Rádio Educadora do Cariri:

Programa Música Inesquecível ( Número 1 )







O Crato nos Anos 50 - Conversas ao Telefone - Por: Carlos Eduardo Esmeraldo



No Crato dos anos cinqüenta e início dos anos sessenta, existia um sistema telefônico muito primitivo, como os antigos PBX, manual, da empresa STIL – Serviço Telefônico Interior Ltda. Os aparelhos telefônicos pretos eram acionados por uma manivela que dava o sinal a uma telefonista que atendia na central. Esta funcionava numa salinha apertada na esquina da praça Juarez Távora com Senador Pompeu. Lembro-me de que eu passava horas olhando, da janela dessa precária central, a telefonista a trabalhar. Não me cansava de admirar uma espécie de tampinha desgrudar de um painel vertical, existente sobre uma mesa, defronte da qual estava a telefonista, permanentemente com o fone nos dois ouvidos. Alguém, após ficar com o braço dolorido de tanto rodar a manivela do aparelho de sua casa, fazia deslocar, por impulsos eletromagnéticos, essa dita tampinha e dizia à telefonista do centro, com quem desejava falar e, então, esta completava a ligação. O sistema telefônico tinha ultrapassado a sua vida útil e estava a ponto de se exaurir.

A coisa estava tão insuportável que o popular Ramiro, lá do Alto do Seminário, ao atender a uma ligação da madre superiora do convento das freiras para o reitor, monsenhor Pedro Rocha, assim satirizava:

– Alô, é do Seminário. Quem fala é Ramiro.
– Ramiro, é a madre Tereza. Por favor, fale mais alto!

Ramiro subiu numa cadeira e respondeu:

– Pode falar irmã, já estou um pouco mais alto.
– Ramiro, fale mais alto, por favor! – gritava a superiora.

Ramiro viu como única opção, subir em uma mesa. E, então, disse:

– Pode falar, irmã! Já estou mais alto ainda.
– Ramiro, mais alto. Não estou ouvindo nada.

Ramiro, então, tomou a cadeira e colocou-a sobre a mesa. Depois de subir nela, voltou a insistir:

– Pronto, irmã. Pode falar agora.
– Ramiro, vê se você consegue falar mais alto. Desse jeito não tem quem ouça.
– Irmã, não posso falar mais alto do que isto. Já estou no Alto do Seminário, em cima de uma cadeira, que está em cima de uma mesa. Mais alto ainda só se eu for pro céu!

Finalmente, o velho Sistema Telefônico da STIL emudeceu de vez, deixando a cidade do Crato sem esse moderno meio de comunicação. Cansados de esperar pelo poder público, um grupo de empresários cratenses se reuniu e criou uma empresa telefônica, a Sertesa – Serviços Telefônicos do Crato S.A. Constituída a empresa, logo trataram de adquirir uma pequena central automática com mil unidades de telefones. Foi uma festa a inauguração do novo telefone, em 1965. As pessoas ligavam de uma para a outra, sem a menor necessidade, somente para testar a novidade. Todos estavam admirados com a maravilha da tecnologia. Minha sobrinha Rosineide, na época uma adolescente, ao sair à calçada de sua casa e avistar sua vizinha e amiga Ana Maria, que morava na casa defronte, assim dizia:

– Mulher, vai pra tua casa, que eu vou te telefonar. Tenho uma novidade para te contar.


Daí para os trotes, foi uma questão de tempo. E a molecagem do Crato se esmerou na arte de passar trotes.

– Alô. Boa-tarde. Aqui é da Sertesa, estamos testando o telefone – dizia a voz misteriosa, que se fazia passar por funcionário da Sertesa.

– Pois não. A ligação está boa – respondia a vítima.
– A senhora, por favor, estique bem o fio do seu aparelho. – insistia o moleque.
– Pois não. – falava novamente a vítima.
– Está bem esticado?
– Está, sim.
– Pois, então, enfie no… – completava o despudorado.

Seu Chiquinho, o dono da fábrica de gelo, também foi vítima dos trotes:

– Alô, é da fábrica de gelo?
– É, sim, senhor.
– Quem está falando?
– É o Chiquinho.
– Seu Chiquinho, aí tem gelo?
– Tem sim – respondia o comerciante.
– Tem uma barra bem grande?
– Sim, temos barra de gelo de um metro.
– Pois seu Chiquinho, sente em cima dela, que daqui a pouco eu passo aí pra conhecer um velho fresco.

O nível dos trotes ia andando por aí, e a situação piorava cada vez mais. A ousadia de quem se prestava a essa vil brincadeira não conhecia limites. Tiveram até a petulância de ligar para o convento das freiras:

– Alô, de onde fala?
– Do Convento das Filhas de Santa Tereza de Jesus.
– Desejo falar com a irmã Virgem – dizia a voz misteriosa.
– Aqui não há nenhuma irmã Virgem – respondia a santa e ingênua irmãzinha.
– Eu bem que desconfiava. Era isso mesmo que queria saber…

Transcrito do livro: “Histórias Que Vi, Ouvi e Contei (do mesmo autor)

Por: Carlos Eduardo Esmeraldo
Autor do Livro: "Estórias que Vi, Ouvi e Contei
www.blogdocrato.com - 2012 - Há 7 Anos, o Crato na Internet

Eu vou Pro Crato, vou Matar minha Saudade - Por: Dihelson Mendonça


Do Rei do Baião ao Baião de Dois do Crato...

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Assim começa uma das mais conhecidas músicas do grande Rei do Baião, Luiz Gonzaga. Letra de José Jataí ( segundo informa o Carlos Eduardo Esmeraldo ). Na verdade, quem vem ao Crato se encanta pela beleza do lugar. Localizada no sopé da Chapada do Araripe, Crato é uma cidade cuja população média de 120.000 habitantes é muito agradável e hospitaleira. No coração do Vale do Cariri, um verdadeiro Oásis em meio ao sertão nordestino, Crato se destaca por suas belezas naturais, sua água farta que brota de inúmeras fontes, a verdura da Chapada do Araripe, que traça no horizonte uma espécie de cobertor verde, que protege os seus filhos. Mas não é apenas isso. Crato se destaca também no cenário nacional pela sua história, pelos movimentos revolucionários de Bárbara de Alencar, Tristão Gonçalves e José Martiniano de Alencar.

Sim. Crato tem disso tudo. Mas tem coisas que "só no Crato mesmo," e existe gente DE Crato e gente DO Crato. Portanto, se você já é Cratense, sabe muito bem do que estou falando. E se você ainda não veio ao Crato, não sabe do que está perdendo! E quando vier, não se esqueça de tomar "banho na nascente", "tomar um trago de aguardente na subida do Lameiro", e saborear um delicioso "Baião de dois com Pequi", um dos pratos preferidos dos Cratenses. Mas vamos deixar de lorota, e mostrar logo pra você ficar literalmente "com água na boca"... Eis o baião de dois, e logo depois, o "Vou pro Crato" de Luiz Gonzaga e José Jataí, "Os Reis do Baião"...




Eu vou pro Crato

Vou matar minha saudade
Ver minha morena
Reviver nossa amizade

Eu vou pro Crato
Tomar banho na nascente
Na subida do Lameiro
Tomo um trago de aguardente

Eu vou pro Crato
Comer arroz com pequi
Feijão com rapadura
Farinha do Cariri

Eu vou pro Crato
Vou matar minha saudade
Ver minha morena
Reviver nossa amizade

Eu vou pro Crato
Pois a coisa melhorou
A luz de Paulo Afonso
O Cariri valorizou

Eu vou pro Crato
Já não fico mais aqui
Cratinho de açucar
Coração do Cariri

Eu vou pro Crato
Vou matar minha saudade
Ver minha morena
Reviver nossa amizade

Eu vou pro Crato
Vou pra casa de seu Pedro
Seu Felício é velho macho
Tô com Pedro, tô sem medo

Eu vou pro Crato
Vou viver no Cariri
Cratinho de açucar
Tijolo de buriti

Texto: Dihelson Mendonça
Fotos: Dihelson Mendonça e Pachelly Jamacaru

CRATO - Histórias e Estórias do Crato de Antigamente - Por: Ivens Mourão



NE - O Blog do Crato tem o enorme prazer de publicar as famosas "estórias e histórias" do Crato de Antigamente. Na verdade, esse título é nosso, já que o título original é do Livro "Só no Crato" de Ivens Mourão.

O CACHORRO E O BOLO

Certo dia, de movimento fraco, o Luís resolveu fechar a Sorveteria Glória mais cedo. Preferiu participar de uma roda de conversa em um bar em frente, na própria Praça Siqueira Campos. O proprietário era o Edson Donizetti, sobralense que casara com uma cratense, a Sarita, irmã do Dr. Quixadá Felício, bastante conhecido na cidade. Este, por sua vez, quando ficou viúvo casou com uma irmã do Edson. Na calçada do bar, que era de esquina, estavam várias freqüentadores sentados em torno de uma mesa. O Luís sentou-se numa cadeira de costas para a rua e de frente para o bar. Ao lado dele, na mesma situação, estava o Melito. Todos os demais, inclusive o proprietário, estavam acomodados de frente para a rua e de costas para o bar.

O Edson estava explicando o motivo da grande quantidade de pessoas da família Frota em Sobral, bem como a origem do nome. No bar existia um “fiteiro” que é uma espécie de balcão onde eram guardados os bolos e outras guloseimas. Na parte da frente tinha vidro, para que todos pudessem ver os produtos expostos. Fechando o fiteiro, na parte de trás, existiam portas de correr. Naquele dia todas estavam abertas.

O bar, local da “farra” do cachorro ficava na esquina, à direita.

Nesse momento entra no bar, pelo outro lado da esquina, um “freguês” nada desejável: um cachorro vira-lata, hoje chamado “street dog”. Dirige-se para a parte de trás do fiteiro e vai direto num bolo “Bem Casado”. Trata-se de um bolo amanteigado e mole. Imaginando o que poderia acontecer, o Luís faz menção de avisar ao Edson e é interrompido bruscamente pelo Melito que o segura pelo braço e o encara firmemente, dizendo:

- Luís, deixa o Edson contar a história dele! Por favor, não atrapalha!

O Luís “captou a mensagem” e, percebendo a verdadeira intenção do Melito, ficou quieto. E os dois ficaram observando o cachorro e ouvindo “de longe” a história de uma Maria da Frota, de Camocim. O cachorro, a cada mordida que dava no bolo, espirrava “Bem Casado” pelas laterais da boca. Ele dava nova mordida e mais bolo era espirrado. Por fim, enjoou desse bolo e foi para o vizinho, conhecido como “Sousa Leão”. Estava partido em diversas fatias. Por ser um bolo de boa consistência o cachorro pode abocanhar várias fatias e sair com elas para comer tranqüilamente na rua. Quando terminou, lambeu o paralelepípedo em busca das últimas migalhas do bolo. Sentou-se nas patas traseiras e ficou lambendo os dentes e a boca. Percebendo que o cachorro estava satisfeito, o Melito resolveu comunicar o fato ao proprietário e disse:

- Oh Edson, vai dar um copo d’água a este cachorro!
- Por quê?
- Ele comeu todos os bolos do teu fiteiro e o bichinho agora está com sede!...

O que se viu, em seguida, foi o proprietário aos chutes e aos maiores impropérios enxotar o vira-lata. Mas, na sua desabalada carreira, ele ia, graças ao Melito, saciado, embora com sede...

A PROFISSÃO

No tempo em que o Luís morou no Rio, sempre ia passar as férias no Crato. Enfrentava, galhardamente, um DC-3. Só o trecho Rio a Vitória da Conquista eram três horas de vôo. Em uma dessas viagens notou uma passageira, de meia idade, que lhe lembrava alguém. Logo ela veio falar com ele e perguntou:

- “Sr. Luís, não está se lembrando de mim, não?”
- “Ou você é a Maria das Neves ou a Maria Lívia”
- “Sou a Maria das Neves!”
- “O que você tem feito, lá no Rio?”
- “Sou prostituta e ganho muito dinheiro com ‘contrabanda’!”
- “Contrabando?!?!”
- “Sim, Sr. Luís, ‘contrabanda’ dá muito dinheiro”

A Maria das Neves fora garçonete na Sorveteria Glória. Era a mais eficiente e também muito simpática. Tinha um dente de ouro na frente e que, agora, não tinha mais. Ela fazia parte do grupo de garçonetes que passava pela Praça Siqueira Campos, insultando os velhinhos, após o trabalho. Estava o Luís na Praça, atualizando as novidades, quando chegou o Melito:

- “Luís, sabe quem eu encontrei? A Maria das Neves!”
- “Sei. Ela veio comigo, do Rio, no mesmo vôo”

Na época em que os velhinhos “caçavam” garçonetes, a Maria das Neves fora uma das suas caças. Muitos já tinham “deslizado naquelas neves!” Contou que ela tinha trazido um monte de rádio portátil da marca Speaker, para distribuir com todos os parentes. Distribuiu rádio “Spica”, como pronunciava, com toda a parentela. O pai, contou o Melito, desconfiou da “riqueza” da filha, com tão boa aparência e com tantos presentes. E perguntou:

- “Filha, o que é que você faz mesmo, lá no Rio?”
- “Meu pai, eu sou prostituta”
- “Pois então pode pegar de volta estes seus presentes. Não quero nada que venha de dinheiro sujo”
- “Mas meu pai, eu estava até querendo comprar uma casinha pra vocês saírem desta casa de taipa...”
- “Como é?”
- “É, sim. Estou querendo dar um pouco mais de conforto pra vocês...”
- “Filha, qual é mesmo o seu trabalho?”
- “Prostituta!”
- “Ah, bom! Ainda bem! Eu pensei que fosse PROTESTANTE!”


NÃO EMPLACA

Dr. Otacílio Macedo, irmão do Brigadeiro e do Melito, era médico. Muito competente, inteligente, falava muito bem, mas tinha uma grande fraqueza: era viciado em jogo de cartas, no Crato Tênis Clube. E a dinheiro!. E o pior é que era um contumaz perdedor. Vez ou outra estava encrencado com dívidas de jogo. Socorria-se do irmão Brigadeiro, para que ele comprasse uma parte das suas terras. E o Brigadeiro dizia:

- “Compro. Toda vez que você precisar vender terra para pagar dívida de jogo, venha aqui que eu compro! Eu quero lhe ver é sem nada, para deixar de ser besta!”.

E de fato, no final da vida, já sem poder clinicar, perdeu tudo no jogo. Tinha um emprego na Prefeitura, como Tesoureiro. Não ligava muito para certas convenções. Quando jogava, ficava com o cigarro aceso na boca, sem tirar. A cinza ia caindo pela camisa e ele nem se importava. O certo é que, de longe se sentia o cheiro forte de cigarro. Um dia, no meio do ano, ia passando pela Praça Siqueira Campos, devagarzinho, arrastando os pés, em direção ao mercado, chupar manga. Saía de lá com a camisa toda melada! Sentado num banco, a certa distância, estava o Júlio Saraiva que gritou:

- “Ei, Otacílio, arrastando os pés desse jeito você não emplaca o ano novo!!!O Dr. Otacílio parou. Virou-se, com uma certa dificuldade, para a direção em que estava o Júlio e respondeu, agitando o braço:
- “Quem não emplaca o ano novo é você, seu velho ‘fela’ da puta (era comum essa ‘gentileza’ entre eles). Esta coceira que você tem aí não é curuba não! É um verme que vai lhe matar primeiro do que eu! Você vai ver, seu velho safado, como eu emplaco o ano novo!”
Aproximando-se o fim do ano, a situação de saúde do Dr. Otacílio piorou bastante. Ele tinha um câncer no estômago. Decidiram levá-lo para Recife, mas preferiu Fortaleza, onde tinha parentes. Mas, e o dinheiro? Então o Brigadeiro foi taxativo:

- “Não, ele pode morrer sem nada, mas não à míngua. Eu pago todas as despesas com o tratamento. Podem preparar tudo e me apresentem as despesas. Afinal de contas, comprei todas as terras dele por um preço muito abaixo do verdadeiro valor!”.

Em Fortaleza, depois de seguidos exames, os médicos decidiram operá-lo no dia 27 de dezembro
(o Luís lembra bem da data, por ser o dia do seu aniversário). Os médicos foram comunicar-lhe a decisão. Ele ponderou que sabia o que tinha e, como médico, tinha consciência da grande possibilidade de morrer durante a operação. Os médicos confirmaram. Então, ele disse o seguinte:


- “Vamos deixar para fazer esta operação só depois da virada do ano! Mais dias menos dias, pouco importa. A operação é uma última tentativa de eu ter mais um tempo de vida. Dia primeiro é feriado, dia dois vocês estão de ressaca. Assim, deixem para me operar a partir do dia três. Sabem por que? Existe lá no Crato um velho ‘fela’ da puta, um tal de Júlio Saraiva, que disse que eu não emplacava o ano novo! Eu quero provar para aquele safado que eu cumpri o que eu disse: que ia emplacar o ano novo!”.

Assim foi feito. O Dr. Otacílio morreu no dia 5 de janeiro de 1966, na mesa de operação, antes da intervenção No rosto feliz, um riso de satisfação... Afinal, ganhara a última partida!...

SONO

O Crato Tênis Clube era o local onde havia, às noites, o jogo de baralho a dinheiro. O Dr. Otacílio era um freqüentador assíduo. O delegado da cidade, Major Bento, também participava. O jogo era proibido, mas a presença da autoridade o oficializava. Existia o organizador dos jogos. Era aquele que providenciava os parceiros, os baralhos, as bebidas, os lanches etc. A este conjunto de serviços tinha o direito de cobrar “o barato”, ou seja, a comissão a que tinha direito, pelos serviços prestados. Esta despesa era rateada entre os jogadores. Acontece que o delegado Bento já estava devendo uma boa quantia ao organizador. E ele, com muita diplomacia fez a cobrança:

- “Major amigo, já dormem mais de uns trezentinhos na sua mão!”
E o delegado, olhando para as cartas e não dando a mínima importância para aquela cobrança:
- “Dormem... e é um sono grande!!!

Crato Tênis Clube em foto da década de 50. Foi fundado em 1932 e funcionou nos altos do Cine Cassino. A sede do Pimenta foi inaugurada em 27 de maio de 1950 (um sábado).

Foto atual, mostrando em primeiro plano, na parte superior, o local onde havia o carteado freqüentado pelo Dr. Otacílio.

Interior do Crato Tênis Clube, mostrando o salão de festa e o local onde eram colocadas as mesas. Está preservado, como nos anos 50, inclusive o piso, mosaico e madeira corrida, no salão.

Fonte: Livro "Só no Crato" de Ivens Mourão - Direitos de Publicação concedidos ao Blog do Crato pelo autor - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

Lembranças de Chico Soares - Antonio Morais


No Crato tivemos campanhas politicas memoráveis. Grandes personalidades, Deputado Federal, Deputado Estadual, vice-governador, presidente da Assembléia Legislativa, Senador da Republica e por ai vai. Tudo isso o Crato já ofereceu ao Ceará. Temos muitas proezas contadas das nossas eleições e muitos exemplos de homens publicos. Numa delas, em décadas do século passado, Zé Tinino era candidato a Deputado Estadual. Num discurso emocionado, em cima de um palanque completo de grandes lideranças, Zé Tinino afirmava para uma platéia atenta e curiosa que: “Eu estou a poucos metros da Assembléia Legislativa do Ceará”. Chico Soares, observando o movimento a certa distancia arrematou com um grito retumbante: “A 600 KMs mermo”!

Por: Antonio Morais ( Postagem dedicada ao amigo do Blog – Carlos Eduardo Esmeraldo )
www.blogdocrato.com

Uma ode para os cratenses! – Por Carlos Eduardo Esmeraldo


Hoje eu acordei com versos fervilhando em minha cabeça. Um poema que o russo Vladimir Maiakovski bem poderia ter escrito especialmente para nós cratenses. Mas em muita boa hora, Eduardo Alves Costa, um poeta fluminense radicado em São Paulo foi o autor dos versos que muitos erroneamente atribuem a Maiakovski, mas que provavelmente foram escritos diretamente para nós, simples mortais cratenses. Um povo escondido nessa mais que perdida cidadezinha envolvida pelas fraldas da bela Chapada do Araripe, único bem que nos resta e que talvez os donos do poder não poderão jamais nos subtrair.

“Na primeira noite eles se aproximam.
Roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
Pisam as flores, matam nosso cão,
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles
Entra sozinho em nossa casa,
Rouba-nos a luz,
E conhecendo o nosso medo
Arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada!
Já não poderemos dizer mais nada!”

Todas as flores dos nossos jardins foram despetaladas ao longo dos anos em que nossas lideranças foram sepultadas pelo voto que destinamos a candidatos de outras terras. De que adiantou aos cratense ajudar a eleger tantos deputados sem nenhuma preocupação com o Crato? Somente sabemos choramingar quando perdemos melhorias ou entidades que poderiam vir para o Crato. Mas precisamos reconhecer que existe em cada um de nós cratenses, um comodismo sem igual. Ou uma alienação geral. Como que, esperamos que os benefícios caiam do céu como a chuva que molha toda uma região, indistintamente. Se nada vem para o Crato, nada também pleiteamos porque não escolhemos pessoas comprometidas com a terra, que nos representem e lutem pelo Crato junto aos governos federal e estadual.
 
Choramos porque os benefícios vão para o Juazeiro. Mas lá não há acomodação, o povo trabalha. Há mais de dez anos que ouvíamos notícias de que os deputados federais daquela terra lutavam para conseguirem uma Universidade Federal. Quando prestei meus serviços ao governo estadual, fui testemunha de um fato que poderia servir de exemplo aos cratenses. Vi uma comitiva de lideranças juazeirenses: todos os deputados federais e estaduais daquela terra, lideres comerciais e representantes da sociedade nas pessoas dos dirigentes de clubes de serviços, todos juntos saindo do gabinete do Secretário de Estado para reverterem para cidade do Juazeiro a sede regional do DETRAN que estava prometida ao Crato. Se não houver uma conscientização do eleitor cratense, principalmente daqueles que trocam seu voto por favores, continuaremos sendo fim de linha. Dentro de breve tempo, nem quem tem negócios a fazer com o Crato, porá os pés nessa cidade, pois os retornos já se encontram fechados.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

TÚNEL DO TEMPO - CRATO - Novamente, a Capital da Cultura Caririense !



Uma cidade que cada vez mais, respira Arte, Cultura e é reconhecida no Brasil


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Acreditar em nossos valores, investir na cultura popular e nas tradições:

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Uma cidade que até pouco tempo, vivia de memórias, e hoje vê grandes realizações

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Festas Populares...

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Intercâmbios culturais...

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Valorizando os Artistas Regionais

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Dando-lhes Espaços e Prêmios! - Assim se valorizam os Artistas...

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Apoiando iniciativas...

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Nas tradições, na história do nosso povo...

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Nas tendências artísticas dos nossos jovens...

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Apoiando eventos que ressaltam as datas comemorativas do município



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O Nosso quartel-General da Cultura, O Centro Cultural do Araripe:

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Biblioteca Municipal...

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Através do muito que se tem feito em prol das artes e da cultura nos últimos tempos, a cidade de Crato, no Ceará, volta a ocupar o espaço que antes possuía, e se consolidar definitivamente como a capital da cultura regional. Os grandes investimentos dos últimos anos direcionados em resgatar eventos que já haviam desaparecidos do mapa, e apenas lembrados pela memória coletiva, como os festivais de Música, o Salão de Outubro, o nosso tradicional Carnaval de Rua, as datas festivas, além da valorização dos nossos artistas, seja pela abertura de inúmeros espaços culturais, seja pelo incentivo direto, comprovam este fato.

A considerar-se primeiramente que até o ano de 2003, final da gestão do prefeito anterior, Crato não dispunha mais sequer de uma secretaria de Cultura, num total processo de decadência e falência dos aparelhos culturais, não possuindo um único teatro no município, a não ser o "Rachel de Queiroz", que era da iniciativa privada, e hoje, pelo contrário, dispõe de inúmeros mecanismos criados ou concluídos na atual gestão, como o Espaço Cultural do Araripe, que reúne em suas dependências: Anfiteatro, Pinacoteca, Biblioteca, amplos espaços de manifestações culturais para a população, além do excelente Teatro Municipal Salviano Saraiva, onde toda semana acontecem eventos importantes para o município, é que cremos que finalmente, o Crato está no rumo certo das grandes cidades do país que buscam uma melhor integração ao mundo moderno, sobretudo quando se sabe que valorizar as artes e a cultura de um povo, é investir no ser humano.

Quando vemos hoje nossos jovens felizes, apresentando seus primeiros trabalhos no Festival da Canção Estudantil, e sendo estimulados e reconhecidos com premiações importantes aos vencedores; Quando assistimos ao Festival Cariri da Canção Nacional - Elogiadíssimo pelos participantes de vários estados da federação que aqui vêm desfrutar do congraçamento de culturas, da troca de conhecimentos, além do justo reconhecimento em artigos publicados em diveros sites e Jornais do País; Quando vemos a criação de uma Mostra de Música Instrumental, que tende a se transformar num Festival de Jazz do Crato, evento impensável em anos anteriores; Quando vemos o retorno dos Salões de Outubro, marcantes nos anos 70 e 80; Quando vemos o apoio dado pela secretaria de cultura do município a diversos eventos culturais da cidade, e as parcerias feitas com mecanismos tradicionais de Arte e Cultura, como o Centro Cultural Banco do Nordeste, SESC, SEBRAE, SECULT, MINC; Quando vemos a nossa Secretária de Cultura Danielle Esmeraldo em Brasília, lutando por recursos junto aos ministérios para conseguir realizar todos os eventos, é que chegamos à conclusão que nunca se fez tanto pelas Artes e pela Cultura do Crato quanto nos últimos 4 anos. É verídico dizer que os eventos acontecidos nos últimos 4 anos, seja em volume e em qualidade, superam os 20 anos anteriores.

De modo que nós, enquanto artistas Cratenses, nos sentimos muito felizes em ver nossa cidade se desenvolvendo. Em vermos no dia-a-dia, no corpo-a-corpo, que temos uma secretaria de Cultura que realmente funciona e que faz jus à Crato - Capital da Cultura. Uma secretaria que hoje é elogiadíssima nos 4 cantos desse país pelos artistas que aqui vem se apresentar cada vez mais, trazendo um pouco do Brasil para o Crato, e levando um pouco do Crato para o resto do Brasil.

Há muito o que se investir ainda em Arte e Cultura, decerto, mas vendo sob uma retrospectiva, muito avançamos nos últimos tempos. Quem mora no Crato e acompanha como nós a luta incansável das pessoas ligadas às artes, em tentar cumprir a meta de um calendário cultural anual que já se dispõe no município, há de reconhecer esse trabalho. E é por uma questão até de justiça que devemos louvar e ressaltar aqui, o reconhecimento que a Secretaria Danielle Esmeraldo vem obtendo, por dedicar-se a uma causa tanto nobre quanto difícil, que é realizar em 4 anos aquilo que não se fez em 20 anos anteriores, e sobretudo, garantir que os princípios que norteiam o Crato rumo a um futuro de desenvolvimento regional seja consolidado para as gerações futuras. As centenas de artistas envolvidos em todos os projetos, e os milhares de Cratenses e Caririenses que prestigiam os eventos realizados, com certeza, estão muito satisfeitos em ver uma cidade renascer das cinzas de um passado distante e glorioso, uma cidade que até pouco tempo, vivia de memórias, e aqueles que a promovem hoje, pelo empenho e a dedicação, deixarão o nome gravado em alto relêvo nos hall dos que constróem um Crato, celeiro de artistas e de criatividade, nos céus da Arte e da Cultura brasileiras.

Parabéns à Secretária de Cultura Danielle Esmeraldo, pelo muito que se tem feito em Arte e Cultura. Parabéns também ao Prefeito Samuel Araripe, que apesar das poucas verbas do município, da imensa queda de repasses federais e estaduais, nunca deixou de acreditar que investir em Cultura, é garantir um futuro digno para a população do Crato.

Parabéns à Secretária de Cultura do Crato, Danielle Esmeraldo, pelo muito que tem feito, pelo tempo integral de dedicação a realizar em apenas 4 anos, o que não se fez em décadas anteriores.

Danielle Esmeraldo - Por Dihelson Mendonça - original

Texto: Dihelson Mendonça
Fotos: Dihelson mendonça, Wilson Bernardo, Cacá Araújo

Professor à moda antiga – Por Carlos Eduardo Esmeraldo


Vida de professor, hoje em dia, não é nada fácil! Já vai longe o tempo em que o professor era respeitado pelos seus alunos, com o mesmo nível de consideração e devoção reservado aos próprios pais. Época em que alunos eram verdadeiros discípulos e o professor, antes de tudo um mestre a dividir o saber com seus pupilos. Hoje não; o pobre do professor além dos baixos salários, carga horária estafante, ainda enfrenta um bando de jovens desinteressados, alunos de cara feia, mal-educados desde o berço, alguns deles drogados, quando não armados até os dentes.

Às vezes, eu imagino o que seria dos pequenos estudantes do Século XXI, se porventura voltassem as normas disciplinares que existiam na época em que a minha mãe estudava nas escolas primárias do Crato. Aí pelos idos de 1910, há um século, portanto, todo dia de sábado havia a sabatina. Nada mais era do que uma argüição oral que o professor, de palmatória em punho, fazia aos alunos sobre todo o conteúdo ministrado durante a semana. Aquele que não soubesse responder, outro aluno era solicitado a passar um quinau, isto é fazer a correção daquilo que o colega não soubera. Se por ventura acertasse a resposta, era autorizado pelo mestre a aplicar certo número de “bolos” na palma da mão do coleguinha relapso. Se errasse, os dois recebiam do próprio professor a merecida sova.

Mas tal sistema disciplinar não era nem de longe, comparado ao que existia na Alemanha de 1785. Famosa pela rigidez de comportamento de seu povo, àquela época, o professor alemão ministrava suas aulas com um comprido e espesso cipó encostado a um canto da parede. Se algum aluno não soubesse a lição ou se comportasse de maneira inadequada era solicitado a retirar a camisa, ajoelhar-se e receber algumas lapadas nas costas.

Certo dia, um professor da cidade de Brunswick, não desejando surrar seus alunos de apenas oito anos, impôs a eles um terrível castigo, em troca de umas boas e merecidas cipoadas. Eles somente seriam liberados da sala de aula, após somarem os cem primeiros números naturais, isto é: um mais dois, mais três, mais quatro, até chegar a cem. Seria uma operação demorada para qualquer adulto, imagine para crianças já sentindo as agruras da fome a lhe roer o diminuto estômago. Menos de cinco minutos depois dessa ordem, um garotinho franzino, levantou-se e disse ao professor: “o resultado é 5050”. “Como você descobriu isso, meu filho?” Aquela criança lhe mostrou uma pequena fórmula que havia descoberto, antes de muitos matemáticos famosos daquela época: a soma dos termos de uma Progressão Aritmética.

Reza a lenda que o professor tirou a camisa, pegou o vergalhão, entregou àquele pequeno aluno, ajoelhou-se e disse para a classe: “Hoje eu estou diante de um gênio! Meu filho tome esta vara e bata nas minhas costas! Bata quantas vezes você quiser!” Não há registro histórico se aquele aluno surrou seu professor, para alegria dos seus coleguinhas. Mas ganhou do diretor da escola, uma bolsa de estudos que lhe possibilitou doutorar-se em Matemática, anos mais tarde.

Ah sim, antes que eu me esqueça! Qual era o nome daquele pequeno gênio? João Frederico Carl Gauss, um dos maiores matemáticos de todos os tempos. Responsável entre tantos feitos, pelo desenvolvimento da “Teoria dos Números”, da demonstração do “Teorema Fundamental da Álgebra”, e da famosa “Curva de Gauss”, para correções de dados estatísticos.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Rádio Araripe, a pioneira no interior cearense chega aos 60 – Por: Chico José – Repórter do jornal Correio da Paraíba


O Blog do Crato possui mais de 22.000 artigos. Uma verdadeira enciclopédia sobre a nossa cidade. No dia de hoje está instalado um sistema de fácil localização de artigos por autor, ou folhear por temas, por exemplo, crônicas. Quem quiser pode ler centenas de crônicas, ou notícias que já publicamos nos últimos 7 anos. Na entrada do Blog estão pequenos botões azuis que apontam para temas específicos. Basta clicar e acompanhar. Cumprindo nossa programação dedicada ao Crato, por ocasião da semana do município, mais um excelente texto:

O dia 28 de agosto de 2011 assinalou o transcurso do sexagésimo aniversário de instalação da Rádio Araripe do Crato, cujas transmissões começaram no dia 28 de agosto de 1951. Era mais um empreendimento de Assis Chateaubriand, magnata das comunicações e fundador dos Diários e Emissoras Associados do Brasil, à época o maior império jornalístico do país. Pioneira na radiodifusão no interior cearense, a Rádio Araripe entrou no ar um ano depois que Chateaubriand inaugurou em São Paulo a TV Tupi, primeira emissora de televisão da América Latina.

Empresário vitorioso no eixo Rio – São Paulo, quando o Rio de Janeiro era a capital federal, Chateaubriand não circunscreveu seus empreendimentos (jornais, revistas, rádios e tvs) às capitais. Seu grupo empresarial abrangeu as cidades mais importantes do país na primeira metade do Século XX. Com a cidade do Crato não foi diferente. O “velho capitão” natural do município paraibano de Umbuzeiro (na divisa da Paraíba com Pernambuco), também contemplou seu estado natal. Em Campina Grande ele implantou a Rádio, a TV Borborema e o jornal Diário da Borborema. Trabalhei também na rádio e no jornal do grupo Associado, na década de 1980.

A Rádio Araripe foi meu primeiro emprego na área da comunicação. Foi onde aprendi o beabá do radiojornalismo sob a batuta de Elói Teles de Morais, no já distante maio de 1974. Foram seis anos de grande aprendizado e inesquecíveis lições de vida. Era o tempo em que se produzia notícia mesmo. Tinha-se que correr atrás dela e transmiti-la aos milhares de ouvintes.

Não tive a felicidade de assistir à inauguração da velha Rádio Araripe, nome escolhido por Chateaubriand, como forma de homenagear nosso principal acidente geográfico – a Chapada do Araripe. Mas quem esteve presente a tão importante acontecimento, relata que o fundador dos “Associados” promoveu uma verdadeira festa de arromba, trazendo ao Crato importantes personalidades dos círculos políticos e empresariais do país. Integrando a comitiva, nada menos que o vice-presidente da República João Café Filho; o industrial paulista Olavo Fontoura, dono do laboratório de mesmo nome e produtor do tradicional biotônico; a Miss Brasil Teresinha Morango, que anos mais tarde se casaria com Armando Pitigliani, diretor da gravadora Odeon; e até uma representante da nobreza italiana.

O rádio dos anos 50 era completo. Parte da programação era ao vivo, inclusive as rádionovelas. Por isso, além dos estúdios, localizados de início à Rua Nelson Alencar, no coração da cidade, havia também auditório, dando para a Rua Bárbara de Alencar. Tinha inclusive cinema. Eram os anos dourados do rádio de saudosa memória.

Quando ingressei na Pioneira, em primeiro de maio de 1974, os estúdios, a administração e os transmissores já estavam na Rua São Francisco, esquina com Monsenhor Esmeraldo, no Bairro Pinto Madeira. Pela Araripe passaram grandes profissionais da radiofonia. Naquela primeira metade de 1974, a Araripe tinha apenas um radiojornal de longa duração – Correspondente Araripe, veiculado sempre às 13h00, redigido por Francisco José e Lindemberg de Aquino, uma das inteligências prodigiosas do jornalismo da época. Tive a oportunidade de editar na emissora associada um jornal matutino, intitulado “Jornal da Manhã”, que passou mais de 20 anos no ar.

Do meu tempo, além de Elói Teles, que era o gerente; recordo-me de Robledo Pontes (e seu vozeirão), como diretor-artístico; Lucimar Rodrigues Leite (Mazinho), programador musical, locutor e operador de áudio; Carlos Alberto Miranda, que depois se mudaria para o Recife; Gilberto Pinheiro, Aderbal Carvalho, Rui Lemos, Eli Aguiar e Roberto Silva, apresentadores; e os operadores de áudio José Borges Favela, Francisco Agostinho e Juscelino Leal. Éramos uma verdadeira família e dessa forma perseguíamos com obstinação o primeiro lugar na audiência. Tempos bons aqueles. A gente era feliz e não sabia.

Francisco José
( Colaborador do Blog do Crato )

(*) Natural do Crato e atualmente repórter do jornal Correio da Paraíba em Campina Grande.

Futebol - Com Amilton Silva


A sexta rodada do Brasileirão da Série A, foi iniciada ontem, com tres partidas e algumas surpresas. No Estádio São Januário , Rio de Janeiro, O Vasco recebeu o Cruzeiro , e perdeu a liderança e invencibilidade no campeonato. O Cruzeiro derrotou a equipe cruzmaltina por 3 X 1, com grande exibição do argentino Montillo. Já O São Paulo que na última quinta feira foi eliminado das semi-finais da copa do Brasil, pelo Coritiba, voltou a decepcionar sua torcida e perdeu de 1 X 0 Para Portuguesa. Na Outra partida relaizada às 21:00h , O Atlético mineiro , goleou o Náutico por 5 X 1. O Cruzeiro, com a vitória sobre o Vasco , assumiu a liderança do campeonato com 14 pontos ganhos, seguido do também mineiro Atlético com 13 pontos ganhos. Hoje , domingo, sete partidas fecham a rodada:

CORITIBA X PALMEIRAS
GRÊMIO X FLAMENGO
FIGUEIRENSE X BAHIA
BOTAFOGO X PONTE PRETA
SANTOS X CORITIBA
SPORT X INTERNACIONAL
ATLÉTICO GO X FLUMINENSE

Por: Amilton Silva - Editor de Esportes do Blog do Crato

O Blog do Crato é muito Invejado e Imitado...


Como tudo que é sucesso...

Pois é, nesta terra descoberta por Cabral acontece de tudo mesmo, hein ? Talvez a pior qualidade do ser humano e uma das mais comuns seja a inveja. Imagine vocês, amigos, que existe aqui no Crato um "cabeça de porco" que por não ter inteligência e criatividade, vive a imitar em tudo por tudo o Blog do Crato e ao mesmo tempo nos atacando, chegando ao ponto de enquanto estávamos implantando no último dia 21 de junho o novo sistema de comentários, essa pessoa durante a mesma madrugada, nos seguia por todos os sites, colhendo as migalhas das informações necessárias para o sistema, chegando inclusive cometer os mesmos erros que cometemos e posteriores acertos, lançando como se fosse novidade. Pera lá, né? Que absurdo! Algumas pessoas deveriam se mancar. Algumas delas já são amplamente conhecidas no Crato pela sua desonestidade, pelos trabalhos por onde passaram, e algumas nem sequer pagam suas dívidas ao comércio local, e se metem a fazer um jornalismo marrom, de picuinhas, tentando denegrir a imagem e as pessoas da nossa cidade.

Existe um ditado que diz que "imitar, é antes de tudo, admirar". Esses podem até se meter a imitar o formato do Blog do Crato, mas certamente que não poderão com o pêso da expressão, com a nossa história de mais de 22.000 artigos publicados, e a imensa CREDIBILIDADE do Blog do crato, de quem faz a coisa da forma correta como nós fazemos, tudo dentro da lei e da órdem. 

Tem muito "doidinho" por aí semetendo a fazer site de brincadeira. Muitos roubam as notícias dos sites e escondem, mostrando como se fossem suas. Nós, entretanto, tratamos da informação verídica, com bases, com fontes e com geração de notícia. Muitos desses sitezinhos por aí é somente "Control C"  e "Control V" ( Copiar e Colar ) dos sites famosos que tem credibilidade, como o Nosso, o site Miséria e do Diário do Nordeste. Copiar desses grandes é fácil. Difícil é ser original, é redigir corretamente, é tratar o povo com honestidade, com respeito e com decência, fornecendo a informação correta, AS FONTES, coisa que só quem pode fazer é quem tem também a vida pautada naquilo que é correto. Aos invejosos, a nossa risada de desprezo, pois o invejoso é um ser digno de lástima, de pena. A inveja é o maior atestado de incompetência.

Por: Dihelson Mendonça

Juazeiro do Norte-CE: Dois homicídios registrados num espaço de duas horas no bairro Pio XII.


A polícia de Juazeiro do Norte-CE registrou neste sábado (23) dois crimes de morte. O primeiro ocorreu por volta das  09h50min, no cruzamento das ruas Teodomiro Rocha, Bairro Pio XII, tendo como vítima Jeovane Batista dos Santos, 33 anos, morto com 03 (três) disparos de arma de fogo, 02 (dois) na face, próximo a boca e 01 (um) no tórax. Ele ainda foi socorrido para o HTJ-Hospital Regional do Cariri onde morreu por volta do meio-dia e meia. Populares disseram a polícia que dois homens não identificados ocupantes de uma moto Honda Fan de cor e placa não anotada, um trajando blusa de cor cinza e meio gordo, foram os autores do homicidio, os quais logo em seguida fugiram sem deixa pistas. Durante a ação marginal duas pessoas que trafegavam no local foram lesionadas com balas perdidas. As vítimas foram identificada como Antonio Pedro da Silva, 67 anos, atingido com 01 (um) disparo de raspão nas costas e a adolescente C T S, 17 anos,  lesionada de raspão na pena direita. Já por volta das 17h40min, no cruzamento das ruas Coronel Nery com 7 de setembro, Bairro Pio XII, dois homens características não repassadas, em uma moto Bros de cor preta, onde efetuaram vários disparos de arma de fogo, José Ailton Dias Avelino, 28 anos, que foi alvejado com 01 (um) disparo no antebraço direito, 01 (um) na cabeça e outro nas costa, vindo a óbito no local. A polícia diz que a vítima respondia por crime de ameaças art. 147 e um crime contra a administração pública. Nos dois casos a polícia  militar realizou diligencias no intuito de idade e prender os criminosos, mas sem êxito.
AGRESSÃO FISICA MEDIANTE PAULADA
Por volta das 14h40minhs, na Rua Ministro Colombo de Souza, Bairro Pedrinhas em Juazeiro Antonio Sarafim do Nascimento, idade não repassada, foi agredido com uma paulada na cabeça sendo socorrido por populares desacordado para um dos hospitais locais. Testemunhas disseram a polícia que o crime teve como motivação uma discussão banal entre a vítima um adolescente de 17 anos de iniciais L F L, que se evadiu tomando rumo ignorado.

Fonte: Jota Lopes - Radialista
( Colaborador do Blog do Crato e Portal Chapada do Araripe )

"Meu garoto!" -- (postado por Armando Rafael)

Paulo Maluf afaga Fernando Hadad, o candidato dele (e  de Lula) à Prefeitura de São Paulo


   O Datafolha realizará uma nova pesquisa para avaliar a intenção de votos para a prefeitura de São Paulo. O foco principal será o impacto do apoio que o prefeito Paulo Maluf (PPB) deu ao pré-candidato petista Fernando Haddad e que motivou a desistência da deputada federal Luíza Erundina (PSB) de concorrer como vice-prefeita ao seu lado.

    Nada menos que 11 questões que os pesquisadores levarão às ruas estão ligadas ao fato. A pesquisa vai medir a influência no voto que os apoios do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Erundina e Maluf podem exercer. A pergunta 5 é explícita nesse sentido: "o apoio de (um dos três citados) a um candidato a prefeito nas eleições deste ano poderia levar você a escolher esse candidato ou seria indiferente para você?", diz o questionário. Na sequência, os pesquisadores vão procurar saber o grau de conhecimento sobre qual candidato Lula, Erundina e Maluf (nessa ordem) estão apoiando.

    Como diz certo adágio popular: "Nas voltas que o mundo dá, um dia urubu vira sabiá"...

Coluna Armando Rafael


Edição de  21 de junho de 2012

Foto: Dihelson Mendonça

248 anos do Crato

No dia 21 de junho de 1764, o Ouvidor-Geral e Corregedor da Comarca, Dr. Vitorino Soares Barbosa, dava por instalada a recém-criada   Vila Real do  Crato. Quatro anos depois, este mesmo Ouvidor-Geral foi acusado –  pelo Capitão-Mor do Ceará, Antônio José Vitoriano –  de “irregularidades e roubos”.  Em 18 de março de 1771, o Ouvidor-Geral foi inocentado dessas acusações, mas, desgostoso, embarcou para Lisboa e nunca mais retornou ao Brasil. Ficou, desde então, uma tradição em Crato: a de sua população  colocar a culpa de todos os problemas da cidade nas administrações municipais ou nos deputados aqui votados.  Costume que perdura hoje e, ao que tudo indica, ainda terá vida longa.

O uso do cachimbo faz a boca torta

Nos dias atuais, alguns – mais açodados –  vivem a comparar o crescimento de Crato com o de  Juazeiro do Norte. Comparação indevida. Até porque desenvolvimento não significa crescimento desordenado. O progresso de uma cidade deve ser  medido  pela qualidade de vida dos seus habitantes. Mas, na ânsia de encontrar um bode expiatório, esses açodados culpam nossos políticos pelo menor ritmo de crescimento do Crato, quando comparado com o de Juazeiro. Ora, no atual estágio da nossa  sociedade cerca de 80% do progresso vem da iniciativa privada. Na prática, a ação governamental apenas soma seus esforços, às iniciativas particulares, para gerar o progresso. A bem dizer,  no Brasil atual o governo não é a  solução. É o problema.

No mais

Tomar Juazeiro do Norte como parâmetro não faz mais sentido, pois o progresso da Terra do Padre Cícero é um caso raro e atípico. Esse crescimento só encontra similar – no Nordeste – nas cidades de Imperatriz (MA) e na conurbação Petrolina (PE)/Juazeiro (BA). Esta última, com meio milhão de habitantes – a maior população urbana do centro nordestino –  tornou-se o eldorado dos investimentos privados no comércio, indústria e agricultura irrigada...

Otimismo com o futuro

É satisfatório o progresso de Crato considerando o porte da cidade. Nunca se construiu tanto em Crato como agora. O comércio também cresceu. Ademais, esta cidade dispõe de alguns trunfos que outros municípios não possuem. Como o potencial do ecoturismo – praticamente inexplorado –  do  seu entorno, oriundo do  supedâneo e reserva florestal da Chapada do Araripe. Os espaços urbanos de Crato ainda podem ser  preenchidos priorizando o homem e sem ocasionar a  degradação urbana.  Pode-se planejar seu  desenvolvimento autossustentável sem esgotar os recursos do futuro, ou seja, suprindo as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender às necessidades das futuras gerações.  Pode-se, também, evitar a “inchação” desordenada da cidade. O trânsito ainda tem condições de ser disciplinado, pois existem áreas para abertura de vias para escoamento dos veículos.


Brejo Santo ganhará nova igreja




Dentro da programação comemorativa ao centenário de criação da Diocese de Crato, a ocorrer em 20 de outubro de 2014, consta a construção de 100 novas capelas, espalhadas nos 32 municípios que compõe a circunscrição diocesana. Pois bem, a população católica da cidade de Brejo Santo está construindo não apenas uma capela, e sim um santuário de grandes proporções –   dedicado à Mãe Rainha, Vencedora e Admirável -- veja foto acima das escavações dos alicerdes -- para assinalar o centenário da diocese . E o pároco de Brejo Santo, monsenhor Dermival Gondim (foto ao lado, à direita),  ainda esnoba: “De quebra ainda vamos construir algumas capelas na zona rural do município”...

Desagravo cearense

Com o título acima, Cláudio Humberto publicou ontem em sua coluna: “A confraria dos cearenses em Brasília reúne-se no dia de São Pedro, 29 (sexta-feira), para homenagear em almoço o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, alvo de criticas do PT e aliados”. Pouca gente sabe: o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, é primo do bispo emérito de Crato, dom Newton Holanda Gurgel.


Melhoramentos em Santana do Cariri

O Governo do Ceará iniciará em agosto as obras de urbanização da rua de entrada de Santana do Cariri (foto ao lado),  a Avenida Patativa do Assaré. Os serviços incluem ainda a construção de duas praças ao longo da rua, novas calçadas, paisagismo e sinalização turística daquela  via da Terra de Benigna Cardoso.



Faltou senso do ridículo (1)

Às vezes, os vereadores de Crato esquecem o senso do ridículo. Existe entre a Rua Ratisbona e a Rua Nelson Alencar, um beco estreito – tem largura de cerca de 2 metros –  sujo, escuro e mal cheiroso, popularmente conhecido como o “beco da mijada”. Pois bem, a esse trecho insignificante, que sequer é uma viela, a Câmara Municipal de Crato denominou, anos atrás, de Rua Padre Francisco Pita. Quem foi o autor dessa infeliz ideia? O ilustre sacerdote e renomado professor não merecia uma desfeita dessas...

Faltou senso do ridículo (2)

O padre Francisco Pita estudou no Seminário São José e foi ordenado sacerdote em Crato em 27 de fevereiro de 1921. Oriundo de importante e rica família desta região, era possuidor de vasta cultura. Foi o fundador do ginásio do Crato – atual Colégio Diocesano – onde ensinou Química, Física, História Natural, Álgebra, Geometria e Aritmética. Em 1935, submeteu-se a concurso para professor do Colégio Militar do Ceará e foi aprovado. A partir daí  fixou residência em Fortaleza. Na capital cearense foi também vigário  e lá recebeu o título de Monsenhor, concedido pelo Papa. Um dos alunos de padre Pita, o empresário Aderson Tavares Bezerra, relembra que o sacerdote era um homem inteligente, sério, justo e  dotado de exemplar conduta moral. Que se tire, pois,  a placa com o nome do Padre Francisco Pita do deprimente "beco da mijada".

Torpedos

1 – Expulsos da Praça da Sé – graças à interminável reforma daquele logradouro – os vendedores de bombons com suas carroças improvisadas e feias estão se apossando da larga calçada  que fica em frente à Coletoria Estadual. E, zombando das autoridades,  um deles anunciou: “logo, logo estaremos de volta à praça”.

2 – Em solenidade a ser realizada na Catedral de Nossa Senhora da Penha, no próximo dia 4 de agosto, a Diocese de Crato ganhará 7 novos sacerdotes.

3 – A Creche N. Sra. Aparecida, mantida pela Associação dos Moradores do Conjunto Novo Crato/Paróquia Sagrado Coração de Jesus – que cuida de cerca de 80 crianças carentes –  recebeu uma doação de R$ 34 mil do Fundo de Misericórdia, dos Arautos do Evangelho. A entrega foi feita durante missa celebrada na quadra, ao lado da igreja- matriz, no último 9 de junho. 

4 – Já está em processo de licenciamento ambiental na Semace o futuro Aterro Regional do Cariri. Localizado entre Caririaçu e Juazeiro do Norte é um investimento da ordem de R$ 20 milhões. O Aterro beneficiará os 10 municípios da Região Metropolitana do Cariri: Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Altaneira, Caririaçu, Farias Brito, Jardim, Missão velha, Nova Olinda e Santana do Cariri.

5 – Tudo bem. Gosto não se discute. Mas assistindo aos jogos de futebol pela televisão e vendo a quantidade de tatuagens usadas pelos jogadores, lembrei-me do que se dizia antigamente dessas “feiuras”: "isso é coisa de marginal".

6 – A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) anunciou que as economias dos países que formam o chamado G-20 cresceram – no primeiro trimestre deste ano ¬–  em média 0,8%. A única exceção foi o Brasil, que  cresceu  0,2%, algo próximo do zero. Ora, se o “tsunami” atingiu a todos os vintes países, qual a desculpa para o Brasil ter ficado como lanterninha?

7 – Outra reflexão: A produção industrial brasileira – no primeiro quadrimestre – apresentou queda de 2,8%. Por outro lado, a campanha irresponsável do governo para a população aumentar o consumo, fez com que a as vendas de automóveis e de combustíveis crescesse em abril 1,3%%, provocando maior endividamento familiar no Brasil, que já é altíssimo, comprometendo a renda e elevando ainda mais a inadimplência. Nos EUA a bolha foi a venda de imóveis. No Brasil será a venda de automóveis financiados. Quem sobreviver verá? Sobreviva.

8 – O torpedo da semana. E por falar na bolha que se avizinha, o torpedo da semana foi escrito por Lya Luft, na sua crônica semanal publicada na revista “Veja”: “(a população brasileira) compra a prestação no supermercado e compra no cartão de crédito sem ter mais crédito. Cobre o buraco com o cheque especial. Dali passa a qualquer outro recurso. Nem se lembra de calcular os juros. Nem lembra de que dez compras baratinhas em várias prestações acabarão em grandes dívidas crescentes durante muitos anos”.

O patrimônio artístico e histórico da Catedral de Crato – III

A Capela Batismal




   Na entrada da Catedral, à esquerda,  fica a Capela Batismal, ali construída após a ereção da torre do lado sul, entre 1852 e 1863. Essa capela é muito visitada por fiéis e admiradores do Padre Cícero Romão Batista, uma vez que este foi batizado – em 8 de abril de 1844 – naquele templo. Mas, provavelmente, o Padre Cícero não foi batizado na atual pia batismal, (foto ao lado) pois essa só teria sido adquirida depois de 1852, quando foi construída a primeira torre da atual catedral.

Mesmo assim, foi afixado – na Capela Batismal – um quadro contendo a fotocópia da Certidão de Batismo do Padre Cícero. O documento foi fotografado da folha 61, do Livro de Batizados de 1843 a 1845 da Matriz de Crato, onde consta: “Cícero, filho legítimo de Joaquim Romão Batista Meraíba, e de sua mulher Joaquina Ferreira Castão. Nasceu em 23 de março de 1844 e foi batizado pelo pároco solenemente com santos óleos nesta cidade do Crato em 8 de abril do mesmo ano. Foram seus padrinhos seu avô paterno Romão José Batista e Antônia Maria de Jesus, do que para constar mandei fazer este assento em que me assino. Manuel Joaquim Aires do Nascimento”.

CRATO - O Julgamento de Pinto Madeira - Por: Armando Rafael

NOTA DO EDITOR - Dando continuidade ao nosso compromisso com a semana do município de Crato, em que prometemos aos nossos leitores, uma série de textos relevantes escritos por cronistas famosos do Crato, trazemos hoje um excelente texto do professor e historiador Armando Rafael ( por: Dihelson Mendonça ). - (capítulo do livro -- inédito -- "Pinto Madeira, o Caudilho do Cariri", de Armando Lopes Rafael) - Na foto abaixo, o que resta da antiga Casa do Senado da Câmara da Vila Real do Crato, onde houve o julgamento de Pinto Madeira, a maior farsa de um júri já realizada no Ceará


Recordemos que tanto o agora presidente da Província do Ceará, José Martiniano de Alencar, como o general Labatut deixaram oficialmente registrado que a Comarca de Crato não possuía juízes preparados e imparciais para julgarem os réus. Naquela época, era comum também o fato de os juízes serem ligados aos  partidos políticos que disputavam o poder. Alencar, em 1º de março de 1832, escreveu uma representação ao Ministro dos Negócios do Império, na qual constou esta frase:  “Além disso, conviria despachar quanto antes um Ouvidor para a Comarca do Crato, pois não havendo ali um só Juiz letrado, nem haverá quem faça processo aos réus, caso sejam presos”. Já o general Labatut, em ofício escrito ao Ministro da Guerra do Brasil, em 14 de outubro de 1832, escreveu:   “Como, pois, poderão ser julgados os réus por juízes inçados da mesma opinião dos partidos que assolam a província? Por isso rogo a V.Excia. se digne de atender ao meu último oficio do Icó, em que, conhecendo cabalmente os males que acabrunham a nova comarca do Crato, eu pedia juízes íntegros, justos e sábios por não haver um só letrado, em toda ela, os de paz e ordinários são mui leigos e pertencem a um e outro partido”. José Martiniano de Alencar conhecia, pois, com profundidade, o despreparo e a precariedade do aparelhamento jurídico da Comarca do Crato, comandada por pessoas a quem faltava – além do  conhecimento jurídico específico –  o necessário discernimento e equilíbrio para o exercício do múnus do Juízo. Pois foi nesse ambiente que, em 26 de novembro de 1834, Pinto Madeira compareceu perante um tribunal popular para ser julgado. Em 14 de abril de 1830, quatro anos e sete meses antes do seu último julgamento, Pinto Madeira tinha enviado  ao Ouvidor de Crato  um requerimento no qual nominava seus inimigos. No requerimento de 1830,  ele relacionou diversas pessoas, pedindo que não as convocassem para testemunhar, na devassa que estava sendo movida contra sua pessoa. Da antiga relação quatro nomes agora participavam do julgamento do caudilho: o tenente-coronel José Vitoriano Maciel, atuando como juiz leigo que presidiu ao júri;    Romão José Batista, José Ferreira Castão e  Antônio Ferreira de Lima, como integrantes do Conselho de Sentença.    Os demais jurados – José Gregório Tavares, Raimundo José Camelo, Manoel Joaquim Carneiro, Raimundo Gonçalves Parente, Manoel Carlos da Silva, Roque de Mendonça Barros, Antônio de Oliveira Carvalho, Raimundo Pedroso Batista e Antônio Luís do Amaral –   eram todos inimigos do réu. Como promotor de justiça, atuou o major Antônio Raimundo dos Santos. Funcionou como advogado de defesa,  o padre Manuel dos Santos Brígido, vigário de Exu, município pernambucano vizinho a Crato. O escrivão foi Antônio Duarte Pinheiro. Pesava contra Pinto Madeira a acusação de crime de rebelião contra a ordem constituída. Não foi este, porém,  o delito  apresentado contra ele,  no julgamento de 26 de novembro de 1834. Pediram sua condenação à pena última, “pela morte feita ao bom cidadão Joaquim Pinto Cidade, que desgraçadamente foi preso pelas tropas do malvado, na ocasião em que marchavam contra os habitantes desta vila (de Crato),  no dia 27 de dezembro de 1831”. Foi isso o que foi relatado no ofício assinado pelo juiz leigo José Vitoriano Maciel, e enviado ao presidente da Província do Ceará, padre José Martiniano de Alencar, no dia seguinte à condenação do réu. Ao deixarem o libelo político, optando pela acusação da morte de Joaquim Pinto Cidade, o objetivo dos inimigos de Pinto Madeira era julgá-lo por um crime comum, ficando assim o réu sem justificativa nem escapatória. Na sua defesa, Pinto Madeira não negou que liderava as tropas revoltosas. Afirmou, no entanto,  que não conhecia Joaquim Pinto Cidade. Nunca o tinha visto e negou qualquer participação na morte do liberal cratense. Declarou, ainda,  que ao chegar ao Sítio Brejão, já o encontrou morto, mas ainda teve tempo de impedir outra morte: a  de um companheiro do liberal cratense assassinado antes da sua chegada.
“Das trinta testemunhas de acusação vinte depuseram que sabiam do fato somente por ouvir dizer; três disseram nada saber; duas ouviram os tiros que mataram Pinto Cidade. Duas afirmaram que ele foi morto pela tropa de Pinto Madeira;  uma assegurou conhecer o caso, por ser de domínio público. E unicamente uma presenciou e viu o comandante da vanguarda, (Francisco Xavier Matos, vulgo Veneno), e seus soldados atirarem na vítima, depois de aquele ter estado com Pinto Madeira... Testis Unus, Testis nullus” (Uma testemunha, nenhuma testemunha).
“Compareceram somente três testemunhas de defesa. O juiz não permitiu que se transcrevessem por escrito os depoimentos de duas. O da terceira foi totalmente invertido. Ela protestou com energia. Ao sair do tribunal, deram-lhe tão bárbara surra que deitou sangue pela boca! “a visto disso, o réu pediu ao seu advogado que desistisse da inquirição das outras”.
“Ao conselho de sentença o juiz logo apresentou os seguintes quesitos: 1 – Existe crime no fato ou objeto da acusação? 2 – O acusado é criminoso? 3 – em que grau de culpa tem incorrido? As perguntas, capciosas em si, não deixavam margem a evasivas. Era pão-pão, queijo-queijo. O conselho respondeu sim às duas primeiras e capitulou o crime, com circunstâncias agravantes, no art. 192 do Código Criminal, o que correspondia à pena máxima. O presidente do tribunal leu, por conseguinte, a sentença de morte.
Quando terminou a leitura, Pinto Madeira disse calmamente:
– Apelo!
O juiz José Vitoriano replicou-lhe com arrebatamento:
– Não tem apelo nem agravo, senhor coronel, prepare-se para morrer que morre sempre – conforme foi testemunhado pelo Dr. Leandro de Melo Ratisbona – (30)
Pinto Madeira foi levado de volta ao cárcere. Às seis horas da tarde, os sinos da Igreja de Nossa Senhora da Penha começaram a dobrar finados. Perguntou por quem eram aqueles dobres. O comandante da guarda,  sargento Manoel José Braga Coelho, respondeu com crueldade:
– São pelo senhor que vai morrer amanhã de manhã.
Pinto Madeira não deu uma única palavra.

(Depoimento da testemunha presencial Amaro Ferreira da Silva, cfe. citação no livro “História Secreta do Brasil”, volume II, Gustavo Barroso, página 153). Abaixo, placa colocada no que resta da Casa do Senado da Câmara da Vila Real do Crato


Notas de “ O simulacro de um julgamento”
(30) FIGUEIREDO FILHO, José de. História do Cariri–Volume III. Edição da Faculdade de Filosofia do Crato, 1966. pag. 41-42

Crato pede Justiça - Por Pedro Esmeraldo

Não é mais de se estranhar. E todos notam a desqualificação que esse governador do Ceará dá ao Crato, uma vez que faz vista grossa aos problemas desta cidade. Haja vista que, ultimamente, nossa cidade vem sendo agastada pela falta de sensibilidade desse ilustre político cearense.
Tudo faz crer que o eminente homem público faz vista grossa ao desejo de um povo celerado que tem raiva do Crato. Pois não seria com a complacência do ilustre governador do estado que muita coisa foi retirada de Crato? Que estamos incorrendo – aqui no Cariri – no mesmo erro da Região Metropolitana de Fortaleza, esta com uma cabeça enorme e o resto do Ceará formando um corpo raquítico?

Começa a acontecer aqui uma desigualdade, econômica e social, visto que há desinteresse desses políticos que vem surrupiar nossos votos em defender o Crato. E a fraqueza dos nossos eleitores impedem a projeção política da nossa terra, além de baixar a cabeça para a força do poder econômico.

Houve época que um senhor governador do estado, mostrando gabolice, querendo enaltecer o povo do Crato, disse abertamente com toda responsabilidade de homem fanfarrão, em praça pública: “Do Crato cuido eu”. Essas palavras, nunca cumpridas, mostraram desrespeito. Lembro-me também que houve outro cidadão – este inimigo número 1 desta cidade – o governador Plácido Castelo. Tudo fez por cidades vizinhas e deu as costas a nossa cidade. Daí se nota que os inimigos do Crato estão acordados; usam de toda artimanha para nos lograr; omitem-se em relação a algumas pessoas detentoras de poder que vivem a provocar intriga, perfídia, e, algumas vezes, até a calúnia.

Essa questão de política desqualificada vem ocorrendo há anos. Observem-se, portanto, que essa medida de desrespeito a nossa cidade é sempre mancomunada por poderosos chefões. Às vezes com palavras mentirosas, dado o aumento descomunal do seu poder, conseguem dilacerar o Crato estimulando o desprezo de algumas autoridades competentes.

Hoje, observa-se que uma horda de inimigos aparecem por aqui, no tempo das eleições, com mentiras esfarrapadas, dizendo que são amigos da cidade e que vão mudar o atual estado de desprezo a que foi relegada nossa terra.

Mas com essa conversa atoleimada pensam eles em enganar o povo com bananas e bolos, o que não entra mais na nossa mente. Já é tempo de dizer: se não for para trabalhar em favor do Crato pedimos que não venham mais aqui.

Deixem o Crato para os cratenses! Saberemos descascar o abacaxi apodrecido que eles nos legaram. Chega de tanta lenga lenga demagógica. Chega de falsidade. Não queremos mais sofrer tanto desespero e tantas derrotas.

Senhores políticos, não queiram zombar do Crato. Não somos terra de índios. Somos uma cidade de gente civilizada, ordeira e eficiente. Fiquem sabendo senhores políticos que um pai de família quando tem uma prole numerosa, por dever de responsabilidade e cidadania, cuida dos filhos com carinho igual para com todos. Se assim não o fizer não deixará somente sequelas psicológicas nos outros filhos. Provocará um desacerto social em sua família.

Por isso, pedimos um tratamento igual ao que vem sendo dado a outras cidades. O povo do Crato está ficando amargurado com o desprezo, que vem motivando desânimo. Confiamos que isso mude. E que o Crato seja tratado com eficiência e respeito.

Pedro Esmeraldo

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