30 dezembro 2012

O labirinto de si mesmo - Por: Emerson Monteiro


Pelas entranhas desses corredores internos anda o caminheiro. Às vezes, tenso; outras, distendido aos ventos, soberano pavilhão drapejando ao Sol da liberdade dos sonhos. Contempla portas imensas de possibilidades, e desfaz os lençóis de toda noite, na busca dos mistérios escondidos. Cheio de paredes ásperas, pedras toscas, porém arborizado, que contém pomos, pepitas e preciosas gemas das raras cores de brilhantes minerais. Fotografias e paisagens luminosas espalham raios nas árvores cinzentas do sertão. Sons que repercutem solidão dessas paragens longas, tristes, suaves.

Bom, mas achar esse caminho de sair da essência requer continuidade e coragem, frutos da mais extrema ausência de prazeres pedidos que clamem origens do Ser. Urgência afetiva dos amores remexe lá por dentro os arbustos da alma, nessa busca através das noites da alma que surpreenderá aventureiros quais normas ocultas de segredos enormes, monstros de dentes afiados, princesas divinas e caminhos que se bifurcam todo momento.

Qual na história da onça e da raposa, um foge do outro entre as expectativas de achar o caminho de volta diante das circunstâncias insistentes. Olhares desconfiados com relação ao futuro enchem as ocasiões de surpresas por vezes ricas de oportunidade. Viagem longa, contudo deliciosa, nessa escalada constante entre nuvens que circulam o firmamento, mostra de riquezas mil na forma de emoções inigualáveis, à espera dos dois unirem o Ser.

Pois as pessoas precisam dos líderes para seguir adiante. Noutras horas, não aqui nesse labirinto de esperança, mas lá adiante, jornada de encontrar a fronteira entre matéria e espírito. Entre a sombra e a luz. Nesse encontro de proporções do nada ao infinito. Andar batendo as telhas em pedido de retribuição que representa uma parte, a parte maior, do alvéolo da existência, hora neutra de cruzar a terra de ninguém, situada no meio das duas extremidades. Pisar maneiro, seguir a trilha do coração, onde só existirá um modo soberano de levar consigo as certezas próprias.

Chegar à porta leva tempo.

Ver na claridade da consciência, quando será dado ao homem morrer uma só vez para nascer na vida eterna (Hebreus, 9:27). Nascimento e acontecimento maior da Natureza. Quando a porta se abrirá e vem a Salvação, libertação absoluta que deriva do processo vida no labirinto de si, quando inicia o transe da nitidez infinita de todos os destinos. 

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