09 dezembro 2012

Chuvas já registradas no mês provocam estragos no Crato


Apesar de a quadra chuvosa ainda não ter se iniciado, os estragos já se fazem sentir na infraestrutura da cidade

Crato. As chuvas que caíram na região do Cariri nos últimos dias já provocaram danos a esta cidade. As causas são de origem diversa. A topografia irregular, as deficiências de infraestrutura nas comunidades e a falta de equipamentos impedem que os órgãos municipais estejam preparados para enfrentar um inverno rigoroso.

A ponte sobre o Rio Batateiras, na Vila São Bento, teve suas cabeceiras destruídas, voltando a causar transtornos para a população FOTO: YAÇANÃ NEPOMUCENA. No município, a ponte sobre o Rio Batateiras, na Vila São Bento, que é o principal corredor de acesso para a população residente na Vila Padre Cícero, Jenipapo, Sítio Malhada e Quebra, teve suas cabeceiras destruídas.

Interditado

No local, por mais de um mês, o trânsito, que é intenso, foi interditado por motivo da obra e devido a grande quantidade de lama que não permitia a passagem dos veículos. Para chegar às localidades, os pedestres e motoristas precisaram passar por debaixo do equipamento. Mas, desde o último dia 2, a travessia antiga foi retomada, satisfazendo as comunidades locais. Ainda em 2011, quando aconteceu uma enchente que ocasionou vários sinistros, como o do Canal do Rio Granjeiro e o desmoronamento de residências, o Ministério da Integração Nacional destinou uma verba no valor de aproximadamente R$ 677 mil para a construção de uma nova ponte na Vila São Bento.

Após a ordem de serviço, que foi dada no final do primeiro semestre deste ano, a obra foi iniciada. Porém, durante a execução, a sondagem do terreno indicou que a construção não estava de acordo com o que o estudo topográfico anterior tinha indicado. O projeto previa uma fundação direta. No local, segundo o secretário de Infraestrutura do município, José Muniz, que também é engenheiro, foi necessário fazer um desvio no manancial e rebaixar o lençol freático para identificar a profundidade das fundações até encontrar um material seguro.

Paralisação

Por causa disso, há cerca de dois meses a obra foi paralisada. "A gente precisa de dados técnicos. Estamos aguardando o posicionamento do geólogo sobre a sondagem do terreno. Só a partir do que ele indicar iremos redimensionar a fundação da ponte e dar início ao procedimento construtivo dela. Assim, pedimos a compreensão da população", afirma José Muniz. Agora, a Secretaria de Infraestrutura aguarda um novo relatório sobre as sondagens das fundações para que possa redimensionar os alicerces.

Diante do problema, diariamente, o local está sendo vistoriado pelos técnicos do órgão. Mas, de acordo com eles, não há riscos de desabamento. Depois da indicação dos estudos, a Secretaria irá realizar a reprogramação da obra e dos prazos de entrega. Todos os serviços são de responsabilidade da construtora JF Engenharia Ltda, que ganhou a licitação da obra. O equipamento já não atende mais as demandas. O plano é construir uma ponte mais larga do que a existente, com 8,60 metros de largura por 30 de extensão. A atual tem apenas 2,50 metros de largura por dez de extensão.

A ponte sobre o Rio Batateiras na Vila São Bento é um dos problemas antigos que se arrasta sem solução. Atualmente, o obstáculo está gerando também uma desvalorização dos imóveis. Desesperados com a inércia da obra de requalificação, alguns dos proprietários estão pondo suas casas à venda. Como conta o aposentado Miguel Sales. "A gente nasceu e se criou com esse problema. Quando acontecem fortes chuvas, não passa ninguém por essa ponte. A nossa esperança é que com a mudança de prefeito a construção seja concluída", revela. Em épocas de chuvas, os principais problemas enfrentados pelo município estão relacionados as erosões, existência de casas de taipa, construções irregulares nas encostas e aos esgotos à céu aberto que ocasionam as voçorocas. Ao todo, já foram reconhecidas quatro áreas de risco pela Defesa Civil do município.

Entre as ações que tentam por fim a essas dificuldades estão a construção de 24 unidades habitacionais, que serão entregues às famílias que residem no Bairro Seminário, em um prazo máximo de 30 dias. Outras 100 casas serão erguidas. As obras deverão ter início no próximo mês de janeiro. Para acompanhar a ocorrência de possíveis sinistros, a Defesa Civil Municipal já está articulando suas atividades. O canal do Rio Granjeiro, que é a principal área de risco da cidade, sofreu novos danos. Desde janeiro de 2011, quando foi destruído, a população residente nas proximidades fez diversas manifestações para cobrar um método seguro de reconstrução.

Fiscalização

A obra está sob fiscalização do Departamento de Arquitetura e Engenharia do Estado (DAE), que vem realizando serviços de retirada dos entulhos e a concretagem da laje do fundo do canal. Ao todo, a reconstrução de emergência desta etapa, está orçada em R$7,6 milhões, sendo os recursos provenientes do Governo do Estado. Entretanto, o Ministério da Integração Nacional liberou R$ 4 milhões para a realização das obras emergenciais. Do valor, apenas R$ 2.520.000,00 foram alocados no primeiro momento dos serviços.

YAÇANÃ NEPOMUCENA
Repórter do Jornal Diário do Nordeste


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