08 agosto 2012

VAZÃO DA FONTE DA BATATEIRA DIMINUIU CONSIDERAVELMENTE NOS ÚLTIMOS 139 ANOS. - Por Wilson Rodrigues


O.B.S - Corrigida ( litros e metros cúbicos )

Nas comemorações dos 15 anos de instalação da Área de Proteção Ambiental ( APA Chapada do Araripe ), ocorridas nos últimos dias 3 e 4, as autoridades ambientais deixaram clara a preocupação no que se refere ao futuro da nossa biodiversidade, conservação florestal e principalmente o zelo com as fontes de água em todo verde vale caririense. A forma como vem sendo tratada pelo homem toda esta riqueza natural está tirando o sono dos ambientalistas, geólogos e demais autoridades. Eles citam a fonte da batateira como referencia do enfraquecimento do potencial hídrico regional do Cariri que, em 139 anos a perda de vazão foi de um milhão cento e quatorze mil metros cúbicos/hora. A constatação está em um artigo escrito pela pesquisadora norte americana, Karin E. Kemper, da Universidade de Linkoping da Suécia. Ainda segundo a pesquisa, em 1854 a vazão da fonte da batateira era de um milhão quatrocentos e noventa mil metros cúbicos de água/horária. Em 1920 já era de um milhão duzentos e noventa e seis mil. Em 1980 caiu para 508 mil metros cúbicos e em 1993 a vazão estava somente com 376 mil metros cúbicos/hora. Há quem diga que se esse processo de decadência não for impedido, a fonte secará nos próximos 32 anos.

O engenheiro agrônomo, José de Araujo Maropo usa a matemática e diz que a falência da fonte da batateira está com os dias contados e explicou: se em 139 anos ela perdeu mais de um milhão duzentos mil metros cubicos/hora, ininterruptamente, o que falar em termos de sua sobrevivência até o ano de 2.040. Para o engenheiro a perda de vazão nas fontes regionais de água no Cariri é atribuída ao desmatamento desenfreado, construção de casas, padarias, restaurantes, churrascarias, chácaras em plena Área de Proteção Ambiental. Maropo alerta que o desmatamento tem relação direta com a recarga dos aqüíferos. Já a geóloga e analista da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos COGERH, Claire-Anne Viana de Sousa, prefere esquecer a matemática e usar a ciência para dizer que a fonte da batateira e as demais não correm riscos de estancamento. Ela explicou que a água no globo terrestre tem ciclo e trajetória próprios e possui quantidade limitada, chegando até independer das interferências do homem com suas agressões. Segundo Claire-Anne, o desmatamento e as ocupações prediais nas serras contribuem muito na questão das enchentes e ressecamento da terra levando-a a desertificação. “A minha preocupação é com o não tratamento que o homem está dando a água que usa”, disse a geóloga.

Quem também não tem nenhuma projeção sobre a vida das fontes é o chefe regional da COGERH, Iarley Brito. Ele admite a existência da diminuição continua da vazão e atribui o caso a ocorrências naturais das próprias fontes, como por exemplo, raízes, folhas e galhos que viram uma espécie de bucha a vedar a fluência da água, obrigando-a a procurar outro caminho. Iarley explicou que não tem base cientifica para afirmar que o desmatamento é a causa principal da diminuição da vazão, embora reconheça a fundamental importância que tem a floresta na infiltração das águas em vários tipos de vegetação. Mas tem certeza que a diminuição das águas não é fenomenal e sim, ocasionada por um conjunto de fatores que só será detectado com um monitoramento rigoroso que possa garantir avaliações seguras, diretas, cientificas e objetivas.

Por: Wilson Rodrigues
Radialista/Repórter
Colaborador do Blog do Crato e Portal Chapada do Araripe

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