14 julho 2012

Crime ambiental a céu aberto - Por: Emerson Monteiro

De acordo com dados fornecidos pela Sociedade Brasileira de Otologia, de 30 a 35% das perdas auditivas humanas ocorrem devido à exposição a sons intensos, e alerta: a intensidade máxima permitida pela resistência física é de 85decibéis. Caso ultrapassado este limite, existirão riscos sérios de perda auditiva, conforme o tempo de exposição e a intensidade aplicada.

Isso faz reportar ao ambiente constatado nas festas da ExpôCrato do corrente ano de 2012, acontecimento que acolhe milhares de visitantes procedentes dos mais diversos rincões nacionais, que chegam ao Cariri e aqui recebem as cargas excessivas de som acima do permitido por lei, enquanto órgãos responsáveis em nada manifestam eficácia para coibir e oferecer qualidades essenciais ao acolhimento desse povo que chega na busca de lazer.

Sem questionar a pouca musicalidade dos grupos oferecidos nos shows noturnos, diante dos péssimos padrões estéticos ora dominantes na atualidade musical brasileira, equipamentos são abertos para disparos sonoros agressivos contra o grande público, o que atinge indiscriminadamente a saúde, números fora dos limites previstos nos códigos reguladores. 

Em tempos de livre iniciativa solta, depois que virou moda a ideologia do neoliberalismo inglês espalhada no mundo inteiro, cidadão comum equivale ao repasto das máquinas registradoras, quais patos de quermesse, alvo fácil e longe do controle dos mecanismos sociais em suas ações retardadas. Ninguém que se preze contraria os desejos insaciáveis de lucro, sanha desses geradores coletivos na bolsa do mercantilismo poderoso.

Pouco caso suscitam, ou nem importam, os prejuízos à saúde individual acarretados pelos anseios das visões alucinadas e sombrias. Todos consumidor agora só representa cifras em potencial do processo avassalador. Dar crédito a notícias de que ruídos de som intenso levariam a lesões permanentes e irreversíveis adianta quase nada e significa espécie de preciosismo, no universo grosseiro dos ganhos selvagens dessa gente.

Bom, mas falar compete, sim, aos ouvidos desacostumados nos hábitos da atual geração. Especialistas afirmam que alturas imprudentes do uso de som levarão, em futuro pouco distante, à destruição da capacidade auditiva, além de outros inúmeros prejuízos orgânicos, o que compete às autoridades coibir, porquanto também isto representa uma das suas inevitáveis atribuições.  

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