17 março 2012

Há 40 anos, Música Águas de Março se tornou famosa no mundo inteiro


Há 40 anos, Tom Jobim compôs um de seus maiores clássicos. A gravação mais famosa da canção é a que Tom e Elis Regina fizeram em 1974.

Nelson Motta

Há 40 anos, Tom Jobim compôs um de seus maiores clássicos, Águas de Março, que se tornou famosa no mundo inteiro principalmente na parceria entre Tom e Elis Regina. Entre a consagração e a polêmica, ela se tornou uma das 10 músicas mais tocadas em todo mundo no século XX. Em 2001, foi eleita por 250 críticos, a melhor música brasileira de todos os tempos. Águas de Março foi lançada em 1972, abrindo o LP "Matita Perê", em um momento difícil para Tom Jobim, que depois do sucesso da Bossa Nova, reclamava que não ouviam suas músicas e se dizia deprimido e bebendo muito. No seu sítio em Pedro do Rio, destruído pelas chuvas de 2011, Tom começou a criar a música a partir de Matita Perê, que havia acabado de compor com Paulo César Pinheiro.

As grandes inspirações para Águas de Março foram o poema O Caçador de Esmeraldas, de Olavo Bilac e um ponto de macumba recolhido por JB de Carvalho. O que alguns ouviram como inspiração, outros acusaram de plágio, e no meio musical rolava a piada que Tom Jobim pegava uma nota de dez e na sua mão ela virava de cem. Em Águas de Março, Tom Jobim se mostrou um letrista tão bom quanto seu parceiro Vinícius de Morais, mas num estilo bem diferente, mais próximo da poesia de Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto, e dando às palavras os ritmos e sonoridades do seu talento musical.

Excelente letrista também em inglês, Tom escreveu a versão de The Waters of March, o mais fiel possível à letra original. Só não deu para traduzir "Festa da Cumieira" e "Garrafa de Cana", e a música correu o mundo com Al Jarreau e Sérgio Mendes.

Mas a mais famosa gravação de Águas de Março é a que Tom e Elis Regina fizeram em Los Angeles, em 1974 e a mais recente, da grande cantora americana Stacey Kent, mas em francês. Em 40 anos, a música e o mundo mudaram muito, mas são poucas as canções que resistiram ao tempo como Águas de Março, pela qualidade permanente de sua música e letra, de seu ritmo e harmonia. Para Tom Jobim, ela representou um triunfo quando ele estava se sentindo derrotado, uma metáfora que começa em pau e pedra no fim do caminho e termina com promessas de vida no coração.

Nelson Motta - G1

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