01 dezembro 2011

República: de volta para o futuro? – por Luís Severiano Soares Rodrigues (*)

Diante das ideias equivocadas que o ex-governador José Serra expôs --  em recente artigo publicado no Estadão -- sou forçado a escrever as observações abaixo para preservar a verdade.

O economista José Serra, ao defender a república como uma “evolução”, cometeu alguns equívocos ao tentar, inutilmente,  minimizar os avanços econômicos do Brasil,  sob o regime monárquico.

A comparação com os Estados Unidos da América, leva a crer que José Serra esqueceu o custo que os EUA pagaram – com uma guerra civil e milhares de mortes -- para acabar com a escravidão do negro naquele país. E dá bem a medida do tamanho do problema que as instituições políticas do Império brasileiro tiveram de enfrentar para resolver – pacificamente e dentro da lei ¬  - a escravidão aqui. Louve-se a habilidade de dom Pedro II e da Princesa Isabel

Os avanços de que fala Serra com a imposição da  república no Brasil, são pura falácia, pois a federação com monarquia tinha, àquela época,  vários defensores. Para citar só dois: Joaquim Nabuco e Rui Barbosa. A imigração europeia, preparando a mudança de regime de trabalho após a inevitável libertação da raça negra, começou e foi intensificada no Império. A infraestrutura de transporte ferroviário no Brasil-Império estava entre as melhores do mundo. E navegação de cabotagem tinha uma estrutura de portos proporcional.

A industrialização – na fase republicana -- de que fala Serra, começou, de fato, com JK, ou seja,  até 1956 o Brasil era um país fundamentalmente agrário. Foi preciso 67 anos de “república” para esse fenômeno de industrialização se concretizar. Os mesmos 67 anos que durou o Império do Brasil e que proporcionou  toda a sua gama de progresso e inovações.

A empolgação republicana de que fala Serra, carece de maiores comprovações, dado que a república só foi viável através de um golpe militar, cujo resultado foi nos igualar às republiquetas sul-americanas.  Com o Exército se dando o direito de intervir na política – sendo o poder moderador de fato – mas sem qualquer moderação e direito constitucional. Basta citar apenas duas intervenções do Exército: 1930 e 1964. Com as consequências que todos conhecem.

Esquece o respeitável José Serra, que sob a monarquia o Brasil gozava de um alto grau de respeito internacional e interno, justamente porque o trato da “res pública” (coisa pública) era levado a sério. A começar pelo chefe de estado – Imperador Pedro II --, que não permitia deslizes de quem quer que fosse, para terror dos mal intencionados.

Como disse o próprio Rui Barbosa: “quem – durante a Monarquia –  tivesse uma nódoa em sua vida, a carreira política lhe estava vedada”. Bem diferente tem sido  o trato da “res pública” (coisa pública)  na atual república. A realidade republicana que vivemos é a grande prova disso. A república de 1889, ao invés de um avanço, foi na verdade a interrupção da evolução das instituições políticas da monarquia, quando vivíamos sob o regime parlamentarista, indicando que estávamos preparados para o futuro. A atual república mostra que hoje não estamos (preparados para tal).

(*) Luís Severiano Soares Rodrigues e-mail: luisseveriano@bol.com.br
Rio de Janeiro

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