06 dezembro 2011

Foco de Anemia Infecciosa Equina preocupa Cariri


O animal contagiado pela forma aguda da doença apresenta febre de até mais de 40 graus, prostração, emagrecimento, comprometimento das patas, abatimento e cabeça baixa - NERTAN NICODEMOS. A doença causou prejuízos expressivos neste ano, especialmente para criadores de animais com alto valor comercial

Crato. Na região do Cariri, os criadores de cavalos estão preocupados com o grande número de casos da Anemia Infecciosa Equina (AIE). A doença já levou muitos animais a óbito. Apenas no Município de Mauriti, em novembro, nove animais foram sacrificados, porém ainda existem outros sete esperando a eutanásia. Os dados, considerados relativamente altos, se comparados à região central do Estado, são alarmantes. Apesar de não haver nenhum estudo epidemiológico que caracterize a região como endêmica, existe uma prevalência constante de casos em nível estadual.

Além de Mauriti, em outras cidades também foram confirmados mais casos. Ao todo, em sete Municípios, existem 30 animais portando a Anemia Infecciosa Equina. Em Jati, há um caso; em Porteiras, dois; Brejo Santo tem 12.

Em Milagres, quatro casos foram registrados, enquanto Barro teve uma ocorrência e Aurora, três. Porém, segundo o veterinário Francisco Gomes Basílio Neto, que é proprietário de uma clinica que realiza o exame de detecção da doença, os números podem ser maiores, devido ao fato de muitos criadores realizarem as análises sorológicas em laboratórios particulares.

Ainda esta semana, a unidade local Brejo Santo da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri) - o órgão responsável pela execução dos sacrifícios de animais com a doença - irá retomar os trabalhos de eutanásia. O vírus, que é identificado através de exames sorológicos, pode ser encontrado no sangue de animais sem provocar sintomas.

Uma vez infectado, o animal torna-se portador permanente da doença. Quando o Teste de Coggins, realizado apenas em laboratórios cadastrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, aponta que o equino está positivo para a AIE, o órgão realiza o registro do caso e, por sua vez, encaminha os dados para a Adagri, a quem cabe enviar técnicos até a localidade onde está o animal infectado, onde serão tomadas as medidas necessárias.

O animal contagiado pela forma aguda da doença pode apresentar febre de até mais de 40 graus, prostração, emagrecimento progressivo, comprometimento das patas, abatimento e cabeça baixa. Já na forma crônica, podem sofrer episódios anêmicos, com intervalos que variam de dias a meses.

A ocorrência dos intervalos compromete os glóbulos vermelhos do sangue animal, gerando anemia. O exame que identifica a forma positiva da AIE não é obrigatório. Entretanto, se o criador precisar da Guia de Trânsito Animal (GTA), documento necessário para o transporte dos animais de um Estado para outro, será necessário ter os exames negativos que mostrem que o animal não porta a doença.

Por aquela ser uma região onde ocorrem diversos eventos agropecuários que têm como exigência a realização de exames de Anemia Infecciosa Equina e mormo nos animais, os casos da doença acabam sendo revelados com mais frequência.

Yaçanã Neponucena
Repórter
do Diário do Nordeste


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