17 novembro 2011

Lugares vazios - Por: Emerson Monteiro


Na despedida dos jovens, criaturas na flor da juventude que deixam este mundo sem mais nem menos, abre-se lacuna de não ter tamanho nos dias por mais ensolarados que possam ser. Rasgam ali clareiras imensas no coração dos pais, irmãos, amigos, machucando o piso da alma feitas árvores frondosas que caem nas matas, arrebentando todo o arvoredo em volta. E como andam acontecendo situações semelhantes nos tempos atuais... Como se perdem moços no pleno amor do viver, talvez a desencontrarem o trilho da alegria e passarem a expor, na perda dessas existências, o martelo das dores que deixam sepulcrais na forma das distâncias intransponíveis.

Nisso, a máquina social dos homens contemporâneos impõe preços elevados aos termos da sobrevivência, o que submete famílias a verem os filhos queridos expostos às aventuras das ruas, dos hábitos perversos das drogas, da ausência dos valores dignos por parte dos exemplos indignos até de líderes destacados, na corrida do ouro, da competição e do desperdício. Pais que nunca vivenciaram facilidades para achar seus lugares ao sol também lutam com as dificuldades na educação das novas gerações.

A ordem coletiva exige providências extremas nessas quadras frias de bons instintos. Quem conduzirá, pois, as esperanças dos dias melhores a tantos que partiram vítimas da incúria desse mundo estranho e neutro, qual indiferente padrasto no comando de rebanhos enjeitados rumo ao matadouro?

Os programas policiais de televisão apenas mostram os resultados dessa jornada de ossos... Pessoas iguais às outras, seres pensantes, dotadas de sentimentos, aspirações de paz e sucesso, desejos acesos de constituir lares, amar filhos, lá desmoronam pela banda escura das sarjetas, dos morros abandonados à própria sorte, sucatas do destino da quadra injusta e cruel...

Prisioneiros dos camburões, de olhos assustados com tudo isso, somem no aguardo de punições, atirados aos calabouços infectos...

Algo anda fora do trilho no curral da atualidade, onde milhões pagam o tributo à indiferença dos ditadores e orçamentos. Quase de comum, os jovens desassistidos das finanças públicas, miseráveis sobejos do desamor, custeiam com o que lhes resta de sonhos a esperteza de tantos.

Tal modo que, enquanto desaparecerem sob as marcas da marginalidade, sob tiro, fome ou vício, peças rejeitadas da humana misericórdia, isto só indicará atraso infame, e restarão lacunas impreenchíveis na história triste da Humanidade.


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