11 junho 2011

PF prende 3 e desarticula milícia armada em Juazeiro


A Polícia Federal prendeu ontem três pessoas em Juazeiro do Norte, acusadas de participar de uma milícia armada do Metrofor. Eles se passavam por "policiais ferroviários". Em nota, companhia diz que situação "será esclarecida". Coletes, algemas e armas foram apreendidos pela Polícia Federal (PF/DIVULGAÇÃO) Coletes, algemas e armas foram apreendidos pela Polícia Federal (PF/DIVULGAÇÃO).

Três pessoas foram presas em Juazeiro do Norte, Região do Cariri, acusadas de se passar por “policiais ferroviários”. A ação faz parte da Operação da Polícia Federal deflagrada ontem. Inspirada na teoria do filósofo Platão, a operação foi batizada como “Alegoria da Caverna”. É uma referência à falsa impressão da realidade passada à população.

Conforme o delegado da Polícia Federal, Yuri Dantas, a operação investiga os crimes de posse ilegal de armas, uso indevido das armas nacionais, falsificação de documentos, usurpação de função pública e invasão de domicílio. O delegado ficou surpreso com a crença dos supostos policiais, que acreditavam ser, realmente, agentes ferroviários federais da Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos (Metrofor). Durante a ação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Juazeiro, na sede do Metrofor, em Fortaleza, e em uma casa utilizada por empregados da empresa no Crato. Três dos trabalhadores da companhia que atuavam na cidade foram presos em flagrante. Um deles foi flagrado dentro do metrô “fardado” e fazendo uso da função de “policial ferroviário”.

Segundo o delegado, durante as investigações ficou comprovado que a empresa de economia mista de natureza privada, Metrofor, “formou uma milícia armada que utiliza materiais falsos de segurança com nomes e símbolos da Polícia Ferroviária Federal”. “Eles andavam armados e fardados no interior do Metrô do Cariri, como se fossem agentes do Estado no exercício de seu poder de Polícia”.

As investigações ao grupo iniciaram por meio de ofício encaminhado pela Policia Civil, ano passado. No documento constava denúncia de que “policiais ferroviários” teriam invadido uma casa em busca de armas. No início deste ano, segundo o delegado, foi instaurado inquérito para apurar o caso. “Fiz um levantamento para ter certeza da ligação do grupo, com a suposta Polícia. Depois, solicitei os mandados à Justiça”. Eram dois fardamentos. Em depoimento, os acusados disseram que um deles, o que tinha a inscrição “Polícia Ferroviária” e as armas seriam fornecidos pelo Metrofor. Já as camisas, bonés e outros materiais apreendidos eram confeccionados pela Associação dos Policiais Ferroviários Federais do Nordeste (Apoliferne), em Recife. Além do material, a PF apreendeu 36 armas e carteiras funcionais falsas. “As investigações continuam para responsabilizar, se for o caso, a administração do Metrofor”, conclui.

ENTENDA A NOTÍCIA

A operação desencadeada pela Polícia Federal começou após ofício encaminhado pela Polícia Civil. O documento dizia que “policiais ferroviários” invadiram uma casa em busca de armas. No início deste ano foi instaurado inquérito.

SAIBA MAIS

Em nota oficial, o “Metrofor esclarece que os policiais ferroviários que exercem a defesa do patrimônio ferroviário sob sua administração executam hoje as mesmas funções antes exercidas junto à Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), responsável pelo sistema ferroviário até julho de 2002. A situação dita irregular será devidamente esclarecida aos órgãos competentes pelo Metrô de Fortaleza”. O delegado Yuri Dantas informou que, o órgão de Segurança Pública da União, Polícia Ferroviária Federal, está previsto na Constituição Federal, mas, no entanto, ainda não foi criado por lei. “No momento, a criação e a instituição do órgão está sendo estudada no Ministério da Justiça”, confirma. Yuri Dantas declarou que a empresa efoi negligente. “Tudo é irregular na atividade dos assistentes de segurança. O Metrofor não criou apenas um grupo de segurança, eles quiseram criar uma Polícia”. As armas aprendidas apresentavam registros vencidos. Segundo o delegado, os funcionários e as armas, que pertenciam ao quadro da CBTU foram repassados para o Metrofor e nunca tiveram os registros atualizados.

Milícia, segundo o delegado, é um grupo armado que não é Polícia e também não é um serviço de segurança regular. O delegado informou que vai ouvir pessoas no Metrofor e individualizar as condutas, para identificar possíveis responsáveis. “Precisamos trabalhar com cuidado para não generalizar a responsabilidade como sendo de toda a administração”.

Aline Braga ( Jornal "O POVO" )

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