03 maio 2011

Uma crônica para o Abriu - Por: Manoel Severo



Nossos antigos e novos preconceitos , literalmente de pernas pro'ar...


Quando uma a pausa na apresentação "Game Off Skate" nos trouxe a inusitada e maravilhosa apresentação do cordel e da poesia popular, fiquei incrivelmente espantado e verdadeiramente encantado! Todas as tribos ali mesmo no anfiteatro do Centro Cultural do Araripe, festejando a verdadeira festa da juventude, meninas e meninos de todas as idades , cores e pensamentos, celebravam a vida, seus sonhos, a esperança. A união perfeita entre todas as manifestações da alma juvenil, a poesia da origem convivendo harmoniosamente com a poesia das ruas, foi uma experiência dificil de esquecer.

Por esse motivo não poderia deixar de trazer aos amigos o meu verdadeiro sentimento com relação a este evento que me toca profundamente que é o "Abriu para Juventude". Uma iniciativa de uma felicidade ímpar; em sua terceira edição, possibilita e provoca um conjunto de percepções e interações poucas vezes vistas, entre o que sente e pensa, o jovem de nossa cidade.

Logo na primeira noite, no Teatro Salviano Arraes Maia, tivemos um debate extremamente qualificado envolvendo a temática principal do evento: "Corpo e Consciência". Por mais de duas horas tivemos representantes de várias juventudes, como também do poder público e da sociedade civil; e aqui destaco, José Flávio, Alexandre Lucas, Diego Cidrim, Cláudio Reis, André Saraiva e Júlio Cesar Filho; pensando e dialogando, sobre este grande desafio que é ser jovem, ter voz, ter vez, corpo e consciencia. Uma das coisas que me chamou a atenção, pois não é comum para homens públicos; foi a presença do prefeito do Crato, Samuel Araripe, durante todo o evento; ouvindo de forma humilde e contribuindo com o debate de forma segura e lúcida, enriquecendo sobre maneira o momento; acabou saindo com o "apagar das luzes".

A presença do Presidente Nacional da CUFA, Preto Zezé e o lançamento do espetacular documentário "Fortaleza Noiada" trouxe um ingrediente forte na direção dos rumos da luta contra as drogas; o Crack preponderantemente já é a maior mazela da sociedade moderna e atua fortemente a partir do universo jovem, apesar de não escolher idade, sexo e condição social. Preto Zezé, do alto de sua experiência de anos lidando com movimentos comuntários e de periferia; trazendo para a vida aqueles já sem esperança; provocou que só haveria luz no fim do túnel se houvesse uma grande união e cruzada de todos para resgatar e proteger nossos jovens desse flagelo.

A dança, a música, a festa, o encontro, a celebração, o corpo e a consciencia; foram presenças marcantes durante as duas noites restantes do Abriu para Juventude. O Centro Cultural do Araripe era o caldeirão central de todo o sentimento, muitas vezes reprimido por boa parte daqueles jovens, e ali, era como coração de mãe: Sempre cabia mais um... e havia espaço para todos, a harmonia era a tônica, a pluralidade a ordem.

Por entre os insides e rimas do Rap e do Break, sob a sinfonia do xaxado e do coco, me parei pensado: "Caramba esse meninos e meninas estão muito a frente de todos nós!" E realmente esse era meu sentimento, como imaginar a convivência inteligente e criativa, com qualidade, entre a cultura Hip Hop e a cultura Popular, nossa, nordestina? Entre o talento e beleza do skate e a magia do cordel? Entre o esporte radical e a arte da contemplação... E foi isso exatamente o que vimos durante os tres dias de Abriu para a Juventude. Luiz Gonzaga, Marinêz, Anicetos e Reizados, cantados e dançados nas ruas, pelas ruas, trazendo uma verdadeira apoteose de sentimentos que nascia do mais sincero sentimento do que podemos chamar de cultura nossa de cada dia.

Uma cena ficou em minha memória: O olhar de um desses anônimos meninos de nosso Crato. Em determinado momento, um garotinho, talvez não tivesse mais que 12 anos, segurando um outro menor pela mão, esse talvez tivesse uns 9 a 10 anos; estavam bem ali, no centro do "caldeirão" das Rffsa, e seus olhos com um brilho sem fim, como querendo sair de órbita, não sabiam por onde começar, diante de tanta festa, luz, cor e harmonia, de um lado um palco com as bandas originalmente feita por jovens, do outro lado todas as emoções do Motocross, do outro a magia do Skate, do outro as batidas fortes e envolventes da música eletrônica e do alto do paredão da escalada, parecia que o Deus da praça, o nosso Cristo Redendor, parecendo uma imagem santa de Grafite, abençoava a todos. Parabens Crato, mas sobretude, parabens juventudes, vocês foram responsáveis por tudo isso.

Obrigado WB por pegar "emprestado" seu olhar a partir de suas fotos.

Por:Manoel Severo

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