11 abril 2011

O Massacre dos Estudantes no Rio de Janeiro - Os meus 2 centavos sobre a questão - Por: Dihelson Mendonça


Parece que todo mundo resolveu escrever uma crônica sobre o massacre dos estudantes no Rio de Janeiro. O Blog do Crato nesta última semana, tem recebido inúmeros textos ( às vezes, não publicados ), sobre o assunto. E a razão disso tudo, é a enorme repercussão que o fato tem alcançado nos meios de comunicação globais. De certa forma, a sociedade se sente responsável pelo ocorrido, e começa a cobrar se o modelo social a que "estamos submetidos" forçadamente pelo SISTEMA, não é mesmo propício à criação de tais aberrações.

O fato é que esse tipo de tragédia não é particularidade deste ou daquele país. Num mundo cada vez mais globalizado, internético e de homogenificação de costumes, sistemas políticos e econômicos, somos forçados a fazer ilações também aos "Tiros em Columbine", e ao próprio massacre em Jonestown, promovido por Jim Jones, cognominado "o pastor do diabo", além de tantos outros. Seriam atos de pura insanidade humana, ou um comportamento a que todos nós poderemos estar sujeitos no nosso dia-a-dia?

Análises e mais análises caberiam ao conjunto dos fatos, em vários campos das ciências, variando desde a psicologia à sociologia, e que nunca deveriam ser encarados como elementos isolados, mas como uma sucessão de atos de uma mesma natureza, como a tecer uma espécie de rede de "serial Killers" ou comportamentos em série atípicos dentro da sociedade. Não seriam lacunas no tecido social, ou se seriam, já estariam pelos dias atuais, a tomar o próprio lugar do tecido outrora são. Criamos nossos próprios monstros, quando fornecemos aos nossos filhos, uma educação incorreta, desequilibrada, e baseada em desigualdades. O que se tem feito ao longo das últimas décadas, e aí reune a formação do indivíduo, tem favorecido sobremaneira o aparecimento de pessoas que agem totalmente fora dos padrões de comportamento em sociedade.

Quando vemos exaltados no mundo moderno, um verdadeiro culto a banalidade, as drogas, ao alcoolismo, a prostituição, a decadência cultural representada aqui no Nordeste pelas bandas de forró eletrônico, no Sul pelo Funk de Rua, o consumismo capitalista desenfreado que cria relações instáveis de desigualdade social, fomentados pela injustiça, e a falta de políticas que privilegiem a formação e a continuidade baseadas no coletivo, e não no individualismo; Investe-se no indivíduo, mas não se investe nas relações grupais sadias; Quando vemos que os grandes valores são jogados diuturnamente na lata de lixo e seitas religiosas se apropriam habilmente da fragilidade e da ignorância latente das pessoas acerca dos fatos da vida, estamos muito mais propensos a fomentar esse tipo de comportamento.

Os meus dois centavos sobre o assunto? A minha tônica! - "que se invista mais na formação geral das pessoas". Aprender que educar não é somente ministrar aulas de português, de matemática ou química. Formar um indivíduo involve inúmeras variáveis que dependem muito mais de políticas corretas e de um sistema eficiente, igualitário, que garanta qualidade de vida, cultura e senso de responsabilidade social.

Se hoje nos deparamos com fatos graves como esse massacre no Rio de Janeiro, em que uma pessoa aparentemente desajustada adentrou a uma escola pública e matou 11 alunos, não culpemos apenas este rapaz isoladamente, como fazem os que percorrem uma leitura superficial dos fatos. Ele é apenas uma das inúmeras válvulas de escape para uma sociedade que está gravemente enferma, e que há muito, já perdeu a noção dos padrões morais e sociais que toda sociedade deve ter na sua lista de prioridades.

Ele é mais um de nós, um João, um José, um Joaquim, e cada um se torna responsável, pois no íntimo, todos sabemos que ele apenas externou e praticou através de um ato público, aquilo que o sistema nos força, de forma quase incoercível a cometer. Se há culpados pela tragédia ? há: Todos nós, que quer por uma ignorância atávica, ou a mera e costumeira irresponsabilidade, negamos aos nossos filhos uma educação clássica, baseada em grandes valores que em tese, deveriam sempre nortear as relações e o comportamento das sociedades ditas civilizadas para um mundo moderno.

Por: Dihelson Mendonça

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Obrigada Dihelson para dizer o que eu não conseguiria, nessa bela forma.
    Abraço.
    Gabí

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