05 fevereiro 2011

Primeiro apagão do governo Dilma deixa 46 milhões sem luz no Nordeste


Blecaute começou com falha de sistema de transmissão na Bahia e deixou oito Estados no escuro por mais de quatro horas.

RIO - Brasileiros de oito Estados do Nordeste enfrentaram transtornos na madrugada de sexta-feira por conta de uma falha no sistema de transmissão de energia, que deixou 46 milhões de pessoas sem luz. A interrupção no fornecimento começou por volta de 0h30 e provocou caos em serviços públicos e hospitais, além de paralisar as atividades do principal polo petroquímico do País, na Bahia. O governo ainda não sabe as causas do apagão.

Ex-ministra de Minas e Energia, a presidente Dilma Rousseff determinou às autoridades do setor que tomem providências imediatas para descobrir as causas e evitar a repetição do problema. Avaliações preliminares apontam para uma falha no sistema de proteção da subestação Luiz Gonzaga, operada pela Chesf, em Pernambuco.

Segundo a Chesf, à 0h08 de sexta-feira um equipamento chamado cartela desligou uma das linhas de transmissão que ligam a subestação Luiz Gonzaga ao município de Sobradinho (BA). Às 0h21, outras cinco linhas no mesmo trajeto também foram desligadas, provocando um efeito cascata que interrompeu o suprimento de toda a região Nordeste, com a exceção do Maranhão.

Na segunda-feira, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) se reúne com a Chesf para discutir as causas do incidente. O objetivo é descobrir porque o equipamento foi acionado, desligando a primeira linha. A hipótese de falha humana está praticamente descartada. E não havia chuvas ou raios na região.

A Chesf informou que o suprimento começou a ser restabelecido às 1h10 da manhã, primeiro em Fortaleza. Natal foi a capital que ficou mais tempo no escuro: a energia só foi religada a partir das 4h10. Às 4h37, diz a empresa, todos os consumidores já recebiam eletricidade. Ao todo, 8 mil megawatts (MW) de carga foram desligados durante a noite.

"Foi um evento considerado raro", afirmou o superintendente de operação da Chesf, João Henrique Franklin, em nota. O governo evitou usar o termo "apagão" para definir o incidente. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, preferiu a expressão "interrupção temporária de energia". Para a presidente da República, a palavra apagão denota falta de capacidade de gerar energia, como ocorreu durante o racionamento de 2001.

Agora, não há falta de água nos reservatórios como em 2001, mas especialistas alegam que falta investimento em modernização e manutenção do sistema de transmissão de energia, principalmente diante do crescimento do consumo nos últimos anos – segundo a Empresa de Pesquisa Energética, a região Nordeste teve o maior crescimento de consumo entre as regiões brasileiras em 2010, de 8,8%, contra uma média nacional de 7,8%.

Em novembro de 2009, a queda de linhas de transmissão que transportam a energia de Itaipu deixou 18 Estados sem luz. Na época, o governo atribuiu a questão ao mau tempo, mas determinou que Furnas trocasse equipamentos de proteção antigos, que teriam contribuído para aumentar a dimensão do problema.

O ONS alegou que não teria como evitar o efeito cascata no Nordeste após a queda das cinco linhas de transmissão, que transportam energia de grandes hidrelétricas da região. Segundo o ONS, os sistemas de proteção desligaram outras linhas por causa da grande oscilação de tensão na rede local. A avaliação é que o sistema de isolamento funcionou corretamente, ao evitar interrupções de energia em outras regiões. / COLABORARAM TIAGO DÉCIMO, MÔNICA BERNARDES E RENATO ANDRADE -

O Estado de São Paulo

Um comentário:

  1. O apagão veio brindar o aumento de energia em alguns estados, inclusive onde moro na cidade de Campina Grande-PB. Se José Serra tivesse sido eleito presidente, já o estariam culpando pela falta de investimento no setor, e convocando o seu ministro de minas e energia para prestar esclarecimento no congresso nacional. Mas como não foi, Tá tudo indo as mil maravilhas.
    Gilson de Araújo Pereira
    Campina Grande -PB

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