30 janeiro 2011

A visão do inferno. Por Alessandra Bandeira

No começo de janeiro assisti horrorizada as imagens da região serrana do Rio de Janeiro, aquele caos, todo desastre, a luta das pessoas para sobreviver, mas nunca pensei em minha vida que meus olhos assitiriam isso, nunca pensei que fosse vivenciar, uma madrugada de panico e desespero em que vi minha casa sendo invadida pela agua , ouvia os gritos de panico de dona Ana pedindo socorro, homens arrombando uma corrente de um portão para que a agua desse passagem, cenas de filme de terror, olhava 'para todos os lados e so via um mar, pedaços de asfaltos sendo carregados, a praça da sé sendo coberta pela agua, lixos boiando, e ao mesmo tempo eu lutando contra a agua para sair de casa e arrumar um local seguro para não morrer.
No amanhecer ver a cidade toda destruída, várias amigas desabrigadas, pessoas tirando lama, contando seus prejuízos, nesse momento me sinto pequena pois queria eu ajudar todos os que tem fome, tirar a lama de cada casa, não me interessa mais nada, a não ser ver de novo o Crato lindo, aquele que antes da terrível chuva existia.
Ainda levará muito tempo para que eu esqueça tudo que vivenciei naquela madrugada, e acho que muitos como eu ainda se tremem ao lembrar, nem consigo entrar em minha casa, nem a lama tirei de la, me tremo ao entrar la e ver tudo destruído, mas o que me deixa firme e me motiva e ver o trabalho que Monica Araripe tem feito, e por ela , somente por ela me mantenho firme, pois para nos que perdemos tudo, estamos sem casa o mínimo que precisamos e encontrar o conforto de uma palavra amiga e ela tem sido nosso esteio, nossa fortaleza.
O único pedido que todos nos que moramos na rua Padre Sucupira temos a fazer ao prefeito e que retire imediatamente aquele portão do terreno baldio pois aquele portão foi preciso arrombar a corrente para que a agua desse vazão, somente isso, no mais senhor prefeito o senhor tem sido maravilhoso, tem feito dentro do possível , do que o senhor pode as coisas acontecerem.
Quero também aqui parabenizar a Daniele Esmeraldo e ao Manoel Severo que junto com todos os jovens da Mahikari tem feito um lindo trabalho de ajuda as vítimas da enchente.
Acho que esse momento não é de mostrar as desgraças que ocorreram , mas de mostrar o trabalho que está sendo feito, para que mostrar nossa dor, deixa que ela nos ja carregamos, então Dihelson mostre o que está sendo feito e não dores, pois ela so nos faz lembrar o que passamos.
E vamos a luta, vamos doar roupas, alimentos, produtos de higiene pessoal , agua mineral, vamos nos mover, tirar a lama das ruas, pois o Crato e nosso, nos que temos por obrigação de cuida-lo.
Para mim hoje comemoro feliz mais um dia de vida!

Por Alessandra Bandeira

5 comentários:

  1. Muito bem Bandeira....são pessoas como vc que o Crato precisa.
    Vamos sair da visão do inferno e vamos para a visão do paraiso.
    É tempo de amar o Crato.
    Grupo do bem.

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  2. Parabens Alessandra, não só pelo belo texto, mas também pela garra que voce tem.
    Jair Rolim

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  3. Meus pêsames a Alessandra Bandeira pelo ocorrido a nível pessoal. Isto é uma tragédia que nenhum de nós imagina nem deseja ao pior inimigo.

    Desde quando Alessandra começou a morar nesta rua, já desceram caveiras do cemitério e outras coisas terríveis.

    01 - Alessandra, primeiramente vamos fazer uma coisa: Saia da área de risco.

    02 - vamos procurar resolver este problema.

    Seuma área é perigosa, o primeiro passo instintivo é sair dela, se possível.

    Levo minha solidariedade até vocês aí da rua.

    DM

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  4. Primeiramente, solidarizo-me com as vítimas da tragédia, e vamos trabalhar para reconstruir nossa cidade.
    Gostaria só de ressaltar que isto ja vinha sendo anunciado há tempos. O canal do Rio Grangeiro já tinha vários pontos visíveis de destruição, paredes estouradas, calçadas afundadas. E digo que há, muito tempo não tem sido feita nenhuma benfeitoria pela administração pública municipal. Sabemos que é uma área de risco, mas não podemos mudar a cidade para outro lugar.

    Manoel Magalhães
    Crato-CE

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  5. Dihelson,

    Primeiramente essa catastrofe mostrou que não existe aréa de risco, pois até onde não se imaginava foi atingido, ja sai de lá desde sexta feira estou abrigada em local que pensamos ser seguro, mas nessa tragedia toda minha dor não e nada perto de meus amigos, como Mabel filha de Batista, Fatima Gino, Paula, e 'por ai vai, não me preocupo com que perdi, pois não perdi nada ja que o meu bem mais valioso esta comigo, minha vida, mas essa situação teria sido menos grave na minha rua se o portão não estivesse trancado, se não houvesse aquele maldito portão, que espero sinceramente que seja retirado o mais breve possivel antes que a natureza nos mostre quem e que manda no mundo.
    Jair e Luiz obrigado, mas minha garra vem do prazer de estar viva, de poder andar e ir ajudar os que necessitam, mesmo que seja com uma palavra de consolo, me sinto plena, olha para minha pequena cachorrinha que consegue salvar e agradeço a Deus por que meu filho não presenciou nada disso, Deus é maravilhoso nos e que não sabemos cuidar do que ele nos da, destruirmos, poluimos,tratamos com descaso a natureza.
    Tudo isso nada mais e que a resposta das nossas ações egoístas,
    agora o que temos a fazer e evitar que ocorra mortes, tragédias, e isso e simples, os sinais a natureza e Deus nos da basta termos inteligência para saber lidar.

    Sabe a cena mais marcante foi ver um cachorro levando na boca um gatinho , e lutando para se salvar e salvar a vida, nessas horas eu vejo o quanto somos pequenos, somos medíocres, nos dividimos e partidos , religiões mas não nos unimos nem diante das tragedias.

    Essa é a vida

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