03 janeiro 2011

Uma nova via, um novo feito - Postado por Tânia Peixoto


Na herança de Lula, destacam-se os números. Nunca antes na história deste País, o aumento do emprego com carteira assinada, das reservas, do salário mínimo e das bolsas de assistência social foi tão relevante. Nunca antes na história deste País, diminuiu o gap entre pobres e a classe média, venderam-se tantos carros e produtos da linha branca. Graças ao crédito fácil, a classe C adquiriu TV de tela plana, celular, notebook, DVD, micro-ondas, e teve a chance de ir ao trabalho num "pois é" flex.

Nunca antes na história deste País, pagou-se a dívida externa, e o investimento externo e o mercado interno garantiram imunidades num cenário de recessão mundial catastrófico. Nunca antes na história deste País, um presidente operário fora eleito e ainda se deu ao luxo de sair com um índice de aprovação elevado. Sem contar o prestígio internacional, que só foi abalado quando "o cara", num erro estratégico e pretensioso, chocou o Ocidente ao apoiar regimes considerados problemáticos e perigosos para a paz mundial, e a sobrevida das democracias. Talvez seus erros tenham sido prejudiciais às pretensões de ser premiado com um Nobel da Paz (dizem que estava perto de ganhar, até apoiar o Irã, e arrumaram um Barack Obama em cima da hora) ou chegar à presidência da Assembleia Geral da ONU (se é verdade que postulou).

Sua postura aparentemente inerte diante dos casos escandalosos protagonizados por seus companheiros mais íntimos (Zé Dirceu, Genoino, Palocci, Gushiken), e a roubalheira do Mensalão, pode ter manchado a imagem de fundador de um partido que propôs, em sua fundação, fazer política sem abrir mão dos ideais, e de moralizá-la.

Mas, pensando bem, todos os envolvidos foram imediatamente afastados do governo. Lula não empurrou com a barriga ou escondeu atrás de si aqueles que foram pegos com o abuso de autoridade nos dedos. E até órgãos da imprensa que o combateram durante oito anos admitem no apagar das luzes: sim, foi um grande estadista. Conseguiu governar sem traumas institucionais, o que é algo nunca antes conquistado na história deste País.

Porém, não vi um analista citar o seu maior feito, o de respeitar as regras do jogo. Pois nunca antes na história deste País um presidente cumpriu o seu mandato seguindo o que manda a Constituição. E olha que a pressão para que Lula criasse as bases para um terceiro mandato foram lançadas. Poderia enviar ao Congresso uma lei facilmente aprovada. Havia apoio popular para um "fica companheiro". Movimentos sociais chegaram a promover a ideia, que mancharia a Carta e a história da nossa democracia esquizoide.

No entanto, foi ele, Lula, quem os demoveu da proposta, diferentemente do seu antecessor, FHC, que inventou uma reeleição que não estava escrita e manipulou o Legislativo para mudar as regras do jogo, num período em que se suspeitou que houve barganha e compra de votos. Como o anterior havia feito, Lula poderia também ficar mais quarto anos. Mas não. Afirmou em bom tom: se a lei me oferece a chance de ter dois mandatos, por que eu teria três? Arriscou tudo, plantou a semente de uma candidatura em que poucos acreditavam e ganhou a eleição democraticamente, elegendo sua sucessora. Nunca antes na história deste País, as regras eleitorais foram enfim cumpridas. Collor não completou o seu mandato. Sarney estendeu o seu. Assim como o ditador da "abertura", general Figueiredo. Jango não concluiu o seu. Nem Jânio. Nem JK, que foi bombardeado por uma tentativa de golpe, nem Getúlio, que desabou com uma bala no peito.

Lula inaugurou uma nova era no País. A de que, independente da popularidade, existem limites para o Poder, e de que a democracia exige alternância, pois só assim ela sobrevive.

***
Na chegada de Dilma, destacam-se as surpresas.

Sua candidatura sofreu altos e baixos - como a revelação dos escândalos da quebra de sigilo de dados da Receita e, especialmente, da Casa Civil, cuja sucessora e família foram acusadas de praticar tráfico de influência, a metros do gabinete do cara. O governo, ao invés de defender a transparência, acusou a imprensa e a oposição de tumultuarem a campanha. Para, semanas depois, exigir um controle maior dos dados da Receita e demitir a ministra.

A repercussão se deu nas pesquisas. Serra subiu. Marina mais ainda. O eleitor mais progressista se chocou com as declarações antiaborto e casamento gay de Dilma, tática para abocanhar o voto religioso. Dilma caiu em todas as regiões e especialmente em estratos sociais mais altos. Não levou no primeiro turno, irritando o seu mentor. O que antes parecia uma barbada, tornou-se uma emocionante corrida cabeça a cabeça na reta final. Até ela disparar nos últimos metros.

No dia seguinte da vitória, apareceu outra Dilma numa entrevista ao vivo no Jornal Nacional. Sem a máscara criada por marqueteiros. Sem o discurso controlado e tenso da véspera. Dona do cargo e legitimada pelo voto, Dilma passou a ser Dilma, não mais a criatura moldada para ganhar a eleição e reconduzir um projeto a todo custo. Já de cara mostrou que mudaria os rumos da política externa, a micose do governo Lula, ao demitir Celso Amorim e nomear um diplomata para despolitizar a pasta. Reconduziu Palocci para o cargo de superministro, quadro idolatrado pelo mercado. Tirou as manguinhas do seu tailleur de fora e nomeou Iriny Lopes titular da Secretaria de Políticas para as Mulheres, que declarou, provando que vivemos, sim, num Estado laico, que o aborto é uma decisão pessoal: "Não vejo como obrigar alguém a ter um filho que ela não se sente em condições de ter."

Dilma, eleita, prova ser diferente de Dilma candidata. Então, sim, os meios justificaram o fim: ganhar a eleição, mesmo que, para isso, sejam defendidas propostas que fujam de suas convicções. Muito está por vir. A violência urbana é uma epidemia que não combina com o sucesso econômico, cuja marca é a distribuição de renda, e o crack é a doença que não pode ser varrida para debaixo do tapete. Ainda temos o juro mais alto do mundo, a telefonia mais cara e ineficiente, uma reforma política e tributária a serem feitas, uma Previdência falida, uma infraestrutura inoperante que atravanca o crescimento, aeroportos lotados, estradas federais esburacadas, transporte público medíocre, déficit habitacional, Código Penal anacrônico, um sistema penitenciário que não recupera, problemas que em 16 anos não foram resolvidos. Quem sabe, agora rola? Afinal, o otimismo é como um carro zero: todos gostam de ter, com a esperança de se livrarem dos mecânicos.

FONTE: www.estadao.com.br/cultura

POSTADO POR TÂNIA PEIXOTO

20 comentários:

  1. Muito bem, Tânia. Parabéns por sua primeira postagem de fato e de direito aqui no Blog do Crato. Novas esperanças, planos e projetos futuros que só a bola de cristal poderá nos dizer se isso tudo será verdade, daí a ilustração que eu coloquei, de um vidente.

    Quiça esta esperança equilibrista não se converta em lágrimas. Somos do bem e demos um voto de confiança ao novo Governo. Só espero que a roubalheira diminua. Se isso acontecer, o brasil poderá até sair do bolsão de miséria e ser considerado um país sério!

    Abração,

    Dihelson Mendonça

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  2. Tânia:
    Com todo o respeito que você merece, informo que procurei -- em vão -- no "Estadão" a matéria que você transcreveu dizendo ter sido ali publicada.

    Qual foi a data da publicação? Em que Editoria?

    Preciso localizar para tentar cordialmente responder alguns itens que teriam sido publicados no “Estado de S.Paulo”, como adianto um, logo abaixo:

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  3. É FALSA A FRASE A SEGUIR TRANSCRITA, QUE INTEGRA O ARTIGO:

    “Sua postura aparentemente inerte diante dos casos escandalosos protagonizados por seus companheiros mais íntimos (Zé Dirceu, Genoino, Palocci, Gushiken), e a roubalheira do Mensalão, pode ter manchado a imagem de fundador de um partido que propôs, em sua fundação, fazer política sem abrir mão dos ideais, e de moralizá-la. Mas, pensando bem, todos os envolvidos foram imediatamente afastados do governo”.

    A VERDADE:

    Lula foi avisado por Marconi Perilo, governador de Goiás, já por volta de JUNHO DE 2004, acerca da existência do “Mensalão” e não tomou providência alguma. Empurrou pela barriga quando deveria ter afastado os denunciados.

    Pior: até comentou ser esta uma prática herdada do governo anterior.

    EM JANEIRO DE 2005 o deputado Roberto Jefferson denunciou a Lula, na presença de testemunhas, o esquema do Mensalão, uma mesada de R$ 30.000,00 a parlamentares do PL e do PP para que votassem assuntos de interesse do governo. Disse-lhe que isto estava contaminando a base aliada e muitos ansiavam por um aumento para R$ 50.000,00 ou R$ 60.000,00 e que o seu partido, o PTB, se recusava a receber esta propina. Lula teria chorado. (Lágrimas de crocodilo)

    Enquanto pôde, Lula empurrou o problema pela barriga. Até que a repercussão junto à opinião pública poderia desaguar num” impeachment” dele e só então Lula “aceitou” a renúncia de José Dirceu.
    Bom lembrar que cinco anos depois, ocorreria novo esquema de corrupção na mesma Casa Civil (agora comandada por Erenice Guerra – braço direito e esquerdo de Dilma Rousseff), ou seja, será que só Lula não sabia da roubalheira na sala ao lado da sua?

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  4. Armando, uma dica para todos. Quando quiserem localizar algum texto na internet, a procedência, basta pegar a primeira frase completa do texto, ou parte do texto e colocar no GOOGLE.

    Aqui está o link:

    http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110101/not_imp660553,0.php

    Incrível como um treco desses saiu no Estadão. O mundo e$tá mudando $$$

    Abraços,

    DM

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  5. Pois não, professor Armando Rafael. Segue o link completo:

    http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110101/not_imp660553,0.php

    Grata pela acolhida, Dihelson, a nossa esperança é mesmo equilibrista, independente de quaisquer críticas a este ou aquele governo.

    Abraço para os dois,
    Tânia Peixoto

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  6. Parabéns pela postagem.

    Gostei muito, tendo em vista que, a meu ver, o texto retrata uma realidade.

    Tavares.

    Apreveitando a oportunidade, desejo a todos aqueles que fazem o blog do Crato, em especial ao amigo Dihelson, um Feliz 2011, cheio de realizações, paz, saúde e prosperidade.

    Um forte abraço.

    Tavares

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  7. Ah bom!...
    Trata-se de um texto de autoria de Marcelo Rubens Paiva, filiado ao PT, ex-jornalista da “Folha de S.Paulo”, que agora escreve uma vez por semana no “Estadão”.
    Defendo intransigentemente a liberdade de imprensa.
    Mas nem vale a pena perder tempo em comentar um escrito de loas produzido por um xiita do PT.
    Acho que nunca foi tão verdadeiro a ditado “Gosto não se discute” como após ler o artigo laudatório de Marcelo Rubens Paiva.
    E como tudo é questão de gosto, eu prefiro a análise feita pela revista “Veja”, edição 2.197 de 29 de dezembro de 2010, sobre os 8 anos da Era Lula (ver reportagem “Fecham-se as cortinas, termina o espetáculo”) na qual afirma textualmente:

    “Termina no dia 31 de dezembro de 2010 o mais corrupto governo da República” (...)
    “Sob Lula, corrompeu-se a linguagem, depravaram-se os hábitos, deterioram-se as instituições, princípios universais degradaram-se em bandeiras de ocasiões”
    “Termina no dia 31 de dezembro o mais ardiloso governo da República” (...) “Quando se sabe que a civilização foi construída sobre a honestidade e a clareza na apuração e circulação dos fatos, o governo Lula foi um retrocesso”(...)
    “Termina no dia 31 de dezembro de 2010, portanto, o mais espetacular corrupto, ardiloso e amado governo da República”.

    Melhor resumiu o jornalista José Roberto Guzzo, na mesma edição, na matéria “Vitória da aparência sobre a realidade”:
    “O registro em cartório de cerca de 2.200 páginas contas todas as obras, realizações e triunfo atribuídos por Lula a si mesmo é uma inutilidade, mas fecha à perfeição um governo em que AS VERSÕES VALERAM MAIS QUE OS FATOS” (GRIFO MEU)

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  8. Também não me sensibiliza o fato de que a popularidade de Lula (83%, se não me angano) justifica todos os erros do seu governo.

    Na primeira eleição de que se tem notícia, Pôncio Pilatos mandou o povo escolher entre o ladrão Barrabás e o inocente Jesus Cristo. Mais de 80% do povo preferiu libertar Barrabás e condenar Jesus à morte. E a morte mais cruenta que a humanidade tem notícia...

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  9. Vai ser parada dura é se na próxima eleição, o Tiririca for candidato. Vai ter 95% de aprovação, querem apostar ?

    Pede à banda pra tocar um dobrado.
    Olha nós outra vez no picadeiro,

    eheheheheheh

    Abraços,
    FELIZ ANO NOVO

    DM

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  10. Tavares, um grande abraço, meu amigo! Que Deus lhe cubra e à sua família com tudo de bom que a mente pode imaginar. E o que não imaginar também...

    Um abração. Saudades!

    Dihelson Mendonça

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  11. Queridos,


    Convém informar, que na postagem original que fiz, sem a foto do "vidente" que fora inserida posteriormente, constava no artigo o nome do seu respectivo autor.
    Conforme falei, independente de quaisquer "críticas", não quero em momento algum da minha vida tornar-me uma pessoa cética, para não correr o risco de deixar de acreditar que a "esperança tece a linha do horizonte", no dizer da nossa querida cantora e compositora paraibana, FLÁVIA WENCESLAU.
    Considerei a postagem oportuna e creio que ela poderá iluminar muitas reflexões, dado o teor de criticidade que o texto oferece.

    Cordialmente,
    Tânia Peixoto - sem rótulos

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  12. Parabéns pela postagem, Tânia.

    Nenhuma mídia, nenhum meio de comunicação, nenhum autor é imparcial.

    Sabemos que o Blog do Crato e a Revista Veja têm suas visões de mundo, assim como o Estadão, a Folha etc. Acho que o importante é fazer como a "Carta Capital", que não se esconde sob um véu de neutralidade.

    Esse texto transcrito por você é também uma fagulha de esperança: talvez um dia haja maior liberdade aqui neste blog. Fico feliz por ler o seu post (apesar de o editor ter inserido uma imagem que não foi escolhida por você).

    Resta a esperança de que um dia o Blog do Crato represente a maioria dos cratenses. Mas quem poderá prever o futuro?

    Por ora, estou feliz porque a Dilma representa a maior parte dos brasileiros.

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  13. Amiga Tânia, Parabéns e já digo o porque: você se revelou uma ótima "bloguera". Escrever em Blogs é isso, fazer coisas, ou trazer coisas que irão causar um certo impacto na comunidade.

    Veja esse seu texto. Entrei agora e já temos 11 comentários. Significa que as pessoas estão a discuti-lo. De algum modo, muita gente se sentiu tocado pelo texto, isso não é legal ? E se fosse um texto belo e você não tivesse nenhum comentário, como muitas vezes acontece com nossos colegas ?

    Então, esse faro para as coisas que vão dar IBOPE, é muito bom que você tenha. O artigo puxa pela esperança, ele acredita em dias melhores nessa conjuntura, mas aí é a opinião do autor, o que não significa ser a verdade. Se tudo não fosse passível de interpretações, os fóruns não teriam sentido existir.

    Quando eu leio algo, eu sempre me pergunto: Será que isso tudo é verdade mesmo ? Sabe o que eu descobri ? Que muitas vezes, a verdade está no meio do caminho. Algumas coisas são verdadeiras, e outras não.

    Quando uma pessoa questiona certos pontos, ela pode estar informada que naqueles pontos, algo pode não ser verdadeiro.

    Como seria tedioso um mundo em que não houvesse descobertas a serem feitas, fosse apenas como nos tempos dos livros, onde um autor fala e nunca é contestado...
    Mas ainda bem que vivemos noutra era. Uma era em que TUDO é discutível. Desde se Deus fez mesmo um pacto com Abraaão, se Jesus Cristo estaria apenas repetindo o feito de Simão de Peréia relatado pelo hstoriador Josefo, ou se Hitler realmente se matou, dentre tantas outras.

    Então, por gentileza, encare os comentários que atacam "O Artigo trazido" com naturalidade e alegria, e até os seus próprios escritos também. Porque debate é assim mesmo. Não há uma verdade absoluta.

    E o mais, é dizer a você que aqui as pessoas SEMPRE se respeitam. Como sempre faço questão de dizer: "As idéias brigam porque as pessoas não precisam brigar".

    Por isso, minha amiga, eu a parabenizo por sua brilhante estréia. Olha, eu escrevo regularmente, mas para atingir 12 comentários ou mesmo 10, não é todo dia que se consegue! É muito raro!

    Um grande abraço,
    E Sorria. Traga diferentes artigos, de vários assuntos. E deixe a turma avançar em cima deles. Jogar luzes diferentes. Assim se busca a verdade, que tem muitas faces.

    Dihelson Mendonça
    P.S - Como falamos da "esperança equilibrista", eu resolvi trocar a foto por uma da Elis Regina, mas aí me veio uma idéia melhor, que é a de uma pessoa no topo de um precipicio, olhando para o sol, um dos maiores símbolos para mim, de esperança, ainda que como dissemos, seja "equilibrista".

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  14. Prezada Amanda teixeira,

    A liberdade sempre existiu no Blog do Crato. O que não se pode admitir são os antigos ataques pessoais que existiam.

    No momento em que as pessoas se tornam responsáveis ao defenderem seus pontos de vista, ou seja, longe do anonimato, e aprendem também que não se deve atacar as pessoas em si, mas as idéias, eu não vejo problema algum.

    O meu maior erro, e um dos maiores da minha vida, foi dar vez e voz a gente que eu não conhecia e que por má fé, usaram esta liberdade para atacarem outras tantas gratuitamente. Inclusive eu fui alvo de muitos ataques por essas mãos que ajudei.

    Tínhamos guerras intermináveis. Quantas vezes eu tive que telefonar, apaziguar nos bastidores, fazer o papel de mediador, para que as amizades não se destruíssem ? E muitas de destruíram para sempre. E não foi por falta de aviso. Desde o início insisto no respeito às pessoas, embora as opiniões sejam contrastantes e não precisem concordar.

    Agora, não poderia tolerar ataques pessoais. Isso eu nunca fiz. De levar desaforo para casa. Como faziam comigo lá no Cariricult. Revidei e revido sempre. Porque eu não consigo compreender essa coisa de precisar atacar as pessoas.

    A sua mensagem, o seu comentário, por sinal muito educado, é sinal de que todos os comentários educados tem passado tranquilamente. Quanto mais poder, mais responsabilidades. Eu não poderia permitir que um site que atinge até 5.000 acessos por dia, anônimos venham atacar pessoas de bem.

    Em todo caso, o Blog do Crato sempre esteve aberto à gentileza, pois entendemos que o poder da gentileza é fantástico. Consegue-se mais com a gentileza do que com bombas. As reivindicações justas das pessoas que não tem a intenção de denegrir ninguém, mas de mostrar um problema REAL da cidade, sempre SEMPRE são postadas. Procuro atender também todas as pessoas que me procuram, e respondo da mesma forma com que me tratam.

    É difícil chegar a esse equilíbrio. Foi difícil. Porque de qualquer forma, eu tive que intervir muito, exercendo uma autoridade excessiva para evitar confrontos. A minha idéia é de que quanto mais pessoas responsáveis, educadas começarem a participar e usar o espaço de forma democrática, menor será a necessidade da minha presença, liberando-me para meus outros inúmeros afazeres. Eu preciso escrever meus textos, minhas crônicas, meus poemas, minhas músicas, e o Blog do Crato hoje toma uma grande parte de um tempo precioso.

    Espero que logo nós tenhamos maturidade para dialogar assuntos extremos com o devido respeito com que todas as pessoas necessitam ser tratadas e CADA UM possa se tornar por si so, um administrador do Blog do Crato, porque afinal, esse espaço não deve ser meu. É da cidade. Eu já fiz demais. A cidade precisa se cuidar e se projetar condignamente.

    Dihelson Mendonça

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  15. --- 1 ---
    Amanda:
    1 – No seu comentário, você escreveu uma verdade, a ver:

    “Nenhuma mídia, nenhum meio de comunicação, nenhum autor é imparcial”.

    Concordo Amanda.
    Incluindo este autor – Marcelo Rubens Paiva – ligado ao PT. Bom lembrar que na última campanha presidencial o “Estadão” optou por apoiar publicamente a candidatura do ex-governador José Serra, o que é direito daquele jornal mais causou “frisson” nos idólatras do ex-presidente Lula.

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  16. --- 2 ---
    Amanda:
    Mas você também externou um “ranço” contra a parte da mídia que não se deixou cooptar pelo ex-presidente Lula, a ver:

    “Sabemos que o Blog do Crato e a Revista Veja têm suas visões de mundo, assim como o Estadão, a Folha etc. Esse texto transcrito por você é também uma fagulha de esperança: talvez um dia haja maior liberdade aqui neste blog.”

    Permita-me discordar desta sua última ilação.

    Aqui existe liberdade. Tanto que sua opinião – você que é uma lulista das mais xiitas entre os blogueiros - aí está publicada.
    O que não poderia continuar acontecendo era deixar um magote de admiradores de Lula – a título de defender o “dito cujo” – ficasse a fazer ataques pessoais contra os que não se deixaram anestesiar pelo canto de sereia do status quo.

    Eu mesmo recebi agressões pessoais num dos dois blogs cratense que passaram a ser o porta-voz do petismo. Para você ver o nível da agressão, leia abaixo o que um deles escreveu sobre minha pessoa, o que prova ser verdade o provérbio árabe: “Mesmo a melhor das cobras é uma cobra” :

    “ (fulano): Estava há uns quinze dias de viagem e quando chego já encontro este bafafá. Nada demais, meu caro. Suas postagens têm esta força de mexer nas estruturas arcaicas e onanísticas da cidade. SE ALGUÉM SE SENTE TOCADO, FERIDO, PARABÉNS, SINAL QUE ALCANÇARAM O SEU FIM. (grifo meu) Tudo o mais é mera hipocrisia, no fundo, muita carolice Freud explica: há fortes e ocultos sentimentos de culpa que precisam ser aplacados à força de debulhamento de terço e água benta. Veja estes comentários como um troféu. Neguim tá lendo vc na calada da noite e se incomodando e arte que não incomoda ninguém, não é arte, é receita de bolo caseiro”.

    Amanda, seja bem-vinda.
    Use este espaço. Como dizia Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra”. Isso vale para os 83% lulistas.
    Se não for pedir muito, que os lulistas xiitas respeitem os 17% que pensam diferente...
    (bom lembrar que Serra teve 44 milhões votos, número superior à população da Argentina)
    Armando Lopes Rafael

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  17. Este comentário foi removido pelo autor.

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  18. Muitas vezes o que afugenta os "clientes" é a falta de argumentos. Muita gente se sente boxeado pela verdade. A verdade quando dita, mesmo sem ser direcionada a uma pessoa, causa revolta, porque alguns não gostam de abandonar as suas convicções nem olhar para a luz por um instante.

    O comum é vermos coisas do tipo: "deixei de frequentar aquele lugar porque lá falaram contra meu ídolo" ou tratam mal meu ídolo.

    E no Brasil, há uma idiolatria muito grande hoje em dia.

    Há um sujeito nessa cidade que disse que está cortando relações com o fotógrafo Wilson Bernardo, porque este chamou Dilma Rousseff de "Dilma Roussein" .

    QUE BLASFÊMIA !!!
    QUE BLASFÊMIA !!!

    Chamar Dilma de Dilma Roussein, é pecado mortal, vai ser excomungado, e exige ruptura de uma amizade. Igual a uns outros aí que cortaram relações de amizade comigo sem que até hoje eu saiba sequer o motivo. Mas enfim, a inteligência tem limites, já a estupidez não...

    As pessoas estão muito idólatras hoje em dia. Criam ídolos e vão adorar.

    Abraços,

    DM

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  19. O Comentário da Amanda prova que há liberdade sim, todos os comentários serão publicados, desde que haja um respeito pelos POSTADORES dos mesmos. Como falei antes, o que estamos fugindo é daquelas brigas pessoais que existiam antigamente. O resto, é todo livre, se as pessoas assumirem as suas posturas, sem ataques pessoais. O meu tratamento sempre será da mesma forma com que for tratado.

    Abraços pacíficos,

    DM

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  20. Acredito que não existe democracia sem oposição. Como também é na diversidade de opinião, que se efetiva o diálogo. Portanto não cabe nem aqui neste Blog, nem em outros espaços estas discussões de quem é a favor ou contra este ou aquele candidato ou siglas partidárias. Cada pessoa tem sua opinião e deve respeitar a opinião do outro.Lembrando que uma das funções sociais da escrita é a socialização das idéias contraditórias ou não. Nenhuma campanha eleitoral para Presidente foi decente. Todos os candidatos não mostraram 100% das suas propostas.Pelo contrário ficaram se degladiando no rádio e na televisão. Mas o povo é soberano e decidiu nas urnas quem melhor representaria a sua vontade. Portanto neste momento temos é que torcer para que tenhamos sucesso nestes quatros anos. Não porque foi o partido do Pt vitorioso, mas porque nós brasileiros merecemos. Nós brasileiros temos o direito de ser feliz, de ter vida digna e muita paz, etc.

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